Sexta-feira, 11 de Maio de 2018

 

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   «Mes Dessins. O Museu nos Desenhos da Rainha D. Amélia» é o título da exposição temporária que, desde o dia 16 de março, está patente no Museu Nacional Machado de Castro. Trata-se de uma série de desenhos feitos pela rainha D. Amélia de Orleães, a última rainha de Portugal, entre 1893 e 1906. Os desenhos representam algumas das peças mais importantes da coleção de ourivesaria do Museu, incluindo as que outrora pertenceram à Rainha Santa Isabel, e que foram reunidas num ábum. Estas obras foram recentemente oferecidas ao Museu pela AMIC - Liga de Amigos do Museu Nacional de Machado de Castro.

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   Os desenhos representam peças da coleção permanente do museu, outrora pertencentes ao denominado Museu das Pratas da Sé de Coimbra, reunidas pelo bispo D. Manuel de Bastos Pina, amigo pessoal da rainha D. Amélia, que foi inclusivamente confessor dos seus filhos e padrinho do rei D. Manuel II, o último rei de Portugal. Estes desenhos testemunham o gosto e a sensibilidade da rainha de origem francesa.

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A receita da venda destes álbuns destinava-se ao financiamento da «Assistência Nacional aos Tuberculosos», que a própria rainha fundou em 1899. O primeiro volume intulou-se «Mes Dessins. Mes Endroits Préférés» («Os meus desenhos. Os meus Logares predilectos», ou, com a grafia atual, «Os meus desenhos. Os meus lugares prediletos» e foi publicado em 1926 pela editora Le Goupy, com impressão de Daniel Jacomet. Este volume teve uma tiragem de 250 exemplares e conta com 119 reproduções, acompanhados por poemas de Camões, Homero, Gil Vicente, Baudelaire, Victor Hugo, Alexandre Herculano, entre outros.

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O Conde de Sabugosa que prefaciou o livro apresenta as justificações artísticas da obra: «(...) existiam desenhos que eram ao mesmo tempo testemunho do merecimento de quem os fizera, e a mais linda coleção de objetos de arte religiosa ou profana que o lápis de um artista pode encontrar. Custódias, báculos, pixides, imagens sacras ou históricas, cantos recatados de conventos extintos, impressões de muitos anos de peregrinações através de museus, igrejas e catedrais, tornam essa coleção uma verdadeira maravilha (...).»

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   O segundo volume intitulou-se «Arte e Archeologia» («Arte e Arqueologia») e foi publicado em Londres em 1928 pela editora Maggs Bros, tendo uma tiragem de 350 exemplares, ainda que reunisse somente 100 desenhos.

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As capas destes álbuns, em pergaminho natural, ostentam o monograma «MA» («Maria Amélia») nos cantos e, ao centro, a coroa real, no primeiro volume. No outro, podem ver-se as armas dos Braganças, a família real portuguesa, e dos Orleães. Dois atilhos em pele, abotoados por pequenas bolinhas em marfim, fecham os álbuns.

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   Maria Amélia Luísa Helena de Orleães nasceu em 1865, numa localidade nos subúrbios de Londres, vindo a morrer em 1951, em Versalhes, com 86 anos. Teve uma vida muito infeliz, pois assistiu ao assassinato do seu marido, o rei D. Carlos de Portugal, em fevereiro de 1908, na Praça do Comércio, atentado que vitimou igualmente o seu filho mais velho, o príncipe Luís Filipe, e feriu D. Manuel, último rei de Portugal. Como D. Manuel II morreu em 1932, exilado em Londres, D. Amélia assistiu ainda à morte deste seu filho. Exilada em França, testemunhou ainda os horrores da 2ª Guerra Mundial.

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   Como rainha, D. Amélia teve uma influência grande na corte, desenvolvendo uma importante obra assistencial, como a já referida «Assistência Nacional aos Tuberculosos». Patrocionou uma intensa atividade caritativa, promovendo a criação de sanatórios, cozinhas económicas e creches. Outra marca importante foi o patrocínio que deu à fundação do do «Museu dos Coches Reais».

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   Está sepultada no Panteão dos Braganças, no Mosteiro de S. Vicente de Fora, em Lisboa, onde repousa junto do marido e dos filhos.

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Este texto foi redigido a partir das legendas da exposição.



publicado por CP às 17:44
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