Sexta-feira, 01 de Abril de 2011

Hoje, dia 1 de Abril de 2011, dia das mentiras, iniciámos o nosso passeio com uma grande mentira. Então não querem saber que os nossos professores nos queriam enfiar a patranha que tínhamos vencido um concurso internacional e que o prémio era uma viagem a Nova Iorque para ver as ruínas romanas?! Claro que ninguém acreditou nesta mentira disparatada, mas deu para animar os sócios.

 

 

Começámos a nossa visita na rua Tenente Valadim, uma pequena artéria que liga a rua Antero de Quental à Praça da República. Eduardo António Prieto Valadim não foi um herói da 1ª Guerra, contrariamente ao que o professor referiu. Na verdade, conforme assinala a placa, foi um soldado que se notabilizou nas campanhas militares de África, ocorridas na sequência do Ultimato inglês de 1890. Este militar foi assassinado por um régulo africano chamado Mataca quando se opôs a que a bandeira portuguesa fosse arreada. A Câmara de Coimbra atribuiu o seu nome a esta rua, em 1893.

 

 

O objectivo do nosso percurso era observar as belas vivendas, algumas em adiantado estado de degradação e até abandono, construídas ao gosto dos finais do séc. XIX e primeiras décadas do séc. XX, dentro de uma corrente artística que ficou conhecida como Arte Nova. A professora Conceição foi guiando o nosso olhar, chamando-nos a atenção para alguns pormenores, como as cantarias e os motivos decorativos em pedra exibindo belas floreiras e outros padrões vegetalistas. Notámos também os belos trabalhos de ferro forjado, nos varandins e nos gradeamentos. Vale a pena andar com os olhos bem abertos!

 

 

 

A rua Antero de Quental tem vários prédios que mereceram a nossa atenção. Destacamos, no entanto, dois edifícios. O primeiro, a antiga Casa dos Estudantes do Império, onde residiu, enquanto estudante de Medicina em Coimbra, o Dr. Agostinho Neto, que seria um dos fundadores do MPLA e o primeiro presidente da República Popular de Angola, após a independência em 11 de Novembro de 1975.

 

 

 

Defronte, apreciámos uma velha República Coimbrã, o Palácio da Loucura. Estas repúblicas têm normalmente designações muito engraçadas e são típicas da vida estudantil de Coimbra. Aqui, os estudantes partilham as instalações e as refeições, dividem as despesas e ajudam-se mutuamente. O orçamento é comum e as tarefas são divididas por todos e exercidas rotativamente. Os caloiros são acolhidos e integrados pelos estudantes mais velhos e as amizades ficam para sempre, mesmo depois de concluirem os estudos e abandonarem a cidade.

 

 

Cortámos depois pela rua Dr. António de Vasconcelos, em direcção à rua de Montarroio, observando alguns prédios datados dos anos 50 e outros ao gosto revivalista, como esta porta neomanuelina.

 

 

No fim da rua, cansados com a marcha que já ia longa e com o calor intenso desta Primavera solarenga, parámos para descansar e beber água.

 

 

Descendo a rua de Montarroio, cortando à direita, chegamos ao Pátio da Inquisição. Aqui, escutámos as explicações acerca deste local onde funcionou, desde o séc. XVI até à sua extinção em 1821, o Tribunal do Santo Ofício. Muitas vítimas deste tribunal religioso aqui estiveram presas e aqui foram executadas. Antes, funcionara aqui o Colégio das Artes, que seria depois transferido para a Alta.

 

 

O belo pátio com colunas jónicas deve-se ao arquitecto Diogo de Castilho, biscainho (natural do País Basco, no Norte de Espanha) nascido nos finais do séc. XV e que veio depois para Portugal. Destacou-se em obras muito importantes, nomeadamente na nossa cidade, em parceria com João de Ruão.

 

 

No pátio, brincámos com uma curiosa instalação do famoso artista plástico contemporâneo Pedro Cabrita Reis. O trabalho intitula-se Longer Journey e representou o nosso país na bienal de Artes de Veneza, em 2003, sendo depois aqui colocado para assinalar o encerramento do ano em que Coimbra foi a capital da cultura.

 

 

Visitámos depois o edifício onde se localiza actualmente o CAV (Centro de Artes Visuais). O espaço foi remodelado pelo arquitecto João Mendes Ribeiro, docente de arquitectura em Coimbra e formado no Porto. Esta intervenção arquitectónica é considerada exemplar. Lá dentro, visitámos uma exposição de fotografia e video do artista conimbricense José Maçãs de Carvalho,bem como a obra permanente de outro consagrado artista contemporâneo, Rui Chafes, que podemos admirar na fotografia que o Duarte captou:

 

 

 

Por fim, dirigimo-nos ao Teatro da Cerca de São Bernardo, sede da companhia teatral Escola da Noite, para apreciar outra obra do arquitecto João Mendes Ribeiro que concebeu a ideia que estaria na origem da construção do teatro e do jardim envolvente.

 

 

Pena que, segundo nos advertiram e conforme testemunhámos, esta zona seja frequentada por toxicodependentes que abandonam aqui seringas usadas, o que torna este recinto perigoso e pouco recomendável. A falta de higiene é notória e são já visíveis alguns sinais de degradação e vandalismo. No entanto, gostámos muito do jardim e do espelho de água. Ficam algumas fotografias a assinalar o termo do nosso passeio.

 

 

 

 

 



publicado por CP às 21:03
Tão bonitos os meus meninos !!!! Acho muito bem que conheçam a nossa QUERIDA cidade. Muita gente conhece muito bem o mundo, conhece os seu monumentos e as seus museus, sem sequer se lembrarem que na sua cidade existem coisas tão lindas para ver e conhecer... Parabéns a todos os alunos e em especial aos professores que vos acompanham nesta aventura !!!! Beijinhos a todos!
António Couceiro a 7 de Abril de 2011 às 15:06

Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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