Domingo, 29 de Outubro de 2017

 

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   A Companhia de Jesus é uma ordem religiosa fundada em 1534, por dez estudantes da Universidade de Paris, incluindo Inácio de Loyola, o mentor da nova congregação, e Simão Rodrigues, o único português do grupo. Os Jesuítas, designação por que são habitualmente referidos, distinguiram-se por se colocarem sob a obediência direta do Papa e disponíveis para cumprirem missões onde quer que fossem enviados. A missionação e a educação foram as áreas onde mais se distinguiram.

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Inácio de Loyola e Francisco Xavier

 

   A pedido do rei D. João III, o fundador da ordem enviou para Portugal, em 1540, dois dos seus companheiros: Francisco Xavier e Simão Rodrigues. O primeiro partiu no ano seguinte para a Índia, enquanto o segundo ficou na Europa, lançando as bases da Província de Portugal, a primeira da Companhia. Em 1542, já a ordem tinha conhecido um rápido crescimento, foi fundado o Colégio de Jesus em Coimbra. Este foi a mais importante instituição das Jesuítas em todo o mundo, aqui permaneceram até 1759, ano em que foram expulsos pelo Marquês de Pombal. Portugal foi, deste modo, o primeiro reino a acolher os Jesuítas e também o primeiro a expulsá-los!

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   A exposição que nós visitámos ocupa o espaço do antigo refeitório dos padres da Companhia, sendo atualmente o Museu da Ciência, depois de ter sido, desde os tempos pombalinos, um laboratório destinado ao ensino da química. A mostra intiitula-se Visto de Coimbra, sendo que, como lembrou a mãe do Tomás, a Dr.ª Sónia Filipe, a designação encerra um duplo sentido: por um lado o Mundo e o Universo vistos a partir da nossa cidade e, por outro, Coimbra como um ponto de partida dos missionários aqui formados e que aqui recebiam ordem para abalarem para as mais distantes paragens, cumprindo a sua vontade de missionar os gentios das terras distantes.

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   Christophoro Borri (1583-1632) foi um italiano de Milão, professor de astronomia no Colégio das Artes que veio para Coimbra depois de ter passado muitos anos no Oriente. Impedido de regressar a Roma por ter ensinado as ideias de Galileu, veio para Coimbra. Aqui fez observações astronómicas, utilizando um telescópio emprestado por um lente de Teologia da Universidade. Observou o aspeto da Lua nova em julho de 1627, descrevendo as crateras lunares. Foi a segunda vez na história, após os registos de Galileu, que se representou uma observação astronómica.   

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   O Curso Conimbricense é como normalmente são referidos os comentários às obras de Aristóteles, publicados em Coimbra nos finais do séc. XVI. O título exato era Comentarii Collegii Conimbricencis Societatis Iesu, e destinava-se a orientar o estudo dos alunos do Colégio das Artes, passando depois a ser utilizados em todos os colégios jesuítas. O curso foi publicado em 8 tomos e resultou de um trabalho de tradução e comentário, sob a coordenação dos padres Manuel de Góis, Sebastião do Couto e Baltazar Álvares.

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   Os azulejos didáticos exibidos nesta mostra são provenientes de uma coleção do Museu Machado de Castro que inclui outros exemplares e serviam para ilustrar as aulas, demonstrando teoremas matemáticos, bem como outras matérias, como a astronomia.

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   Além do ensino, a evangelização era, como já foi dito, a principal missão dos padres da Companhia. Além de S. Francisco Xavier, o Apóstolo do Oriente, muitos outros missionários se destacaram. Nesta exposição é possível admirar um objeto muito curioso, nada mais do que a bota do santo!

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   A bota foi trazida de Goa, onde Francisco Xavier se encontra sepultado, por Francisco Aguiar, alcunhado o piloto das botas, que assistiu ao enterro dos santo em 1577, apropriando-se de uma das botas que foi conservada como relíquia. A bota esteve em Lisboa no séc. XVII, sendo exibida em 1925 no Vaticano e guardada atualmente em Coimbra. Encontra-se muito estragada por lhe terem sido cortadas muitas tiras pelos devotos que ambicionavam possuir relíquias.

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   Outra história curiosa é a do padre Bernardo de Kagoshima, nascido no Japão em data incerta e falecido em Coimbra em 1577. Foi o primeiro japonês a estudar na Europa. Era um Samurai, de condição modesta que foi batizado por S. Francisco, conforme nos contou o nosso guia, o Dr. Carlos Serra. Foi, portanto, um dos primeiros católicos do Japão. Em 1552, Bernardo partiu para Goa, onde ingressou na Companhia. Veio para Portugal poucos anos após, onde frequentou o Colégio dos Jesuítas. Falecido na nossa cidade, foi sepultado na atual Sé Nova onde, ainda hoje, é procurado por muitos turistas nipónicos!

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   Foi precisamente na igreja da Sé Nova que, em outubro de 1759, na sequência da ordem de expulsão proferida por Pombal, o padre António de Vasconcelos, que aguardava sob prisão na sua cela o momento de abandonar para sempre o Colégio de Jesus, conseguiu aceder ao altar da Virgem da Assunção e esconder um conjunto de cartas manuscritas e um crucifixo no interior de uma coluna. Em 2016, contou-nos a Dr.ª Sónia, por ocasião de uma ação de conservação, os técnicos descobriram um embrulho que continha mais de 1000 páginas de documentos, bem como o crucifixo.

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   Ao longo do séc. XIX e durante a 1ª República, os Jesuítas foram responsabilizados por todos os males. A chamada Lenda Negra atribuía aos padres da Companhia de Jesus a culpa pelo estado de atraso em que se encontrava o nosso país. Agora, esta exposição parece reabilitar o seu papel, destacando a importância que tiveram nos vários domínios, com especial destaque no ensino e investigação. Vale a pena visitar a sala de exposições temporárias do Museu da Ciência para testemunhar o papel desempenhado por estes padres.

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publicado por CP às 15:25
Domingo, 22 de Outubro de 2017

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   Patricia Garrido é uma artista plástica nascida em Lisboa em 1963, já com uma longa obra. Formada em pintura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, tem uma já longa e reconhecida carreira, com inúmeras exposições, estando representada em importantes museus e coleções, como Museu Nacional de Arte Contemporânea de Lisboa (Museu do Chiado), a Fundação de Serralves no Porto, ou a Coleção da Fundação EDP, por exemplo. Apesar de estudiosa da pintura, esta artista tem-se notabilizado pela produção de instalações.

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   Por isso, esta mostra de Patrícia Garrido no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC) - Sereia é um pouco fora da rota recentemente trilhada por esta artista, uma vez que é exclusivamente de pinturas a óleo. A exposição  intitula-se Pinturas e Esculturas Pequenas de 2017 e Ainda Alguns Desenhos de 2009 e distribui-se por dois núcleos, incluindo as peças que estão patentes na outra sala do CAPC, no edífico sede, ao fundo das Escadas Monumentais. Por limitações de tempo, fomos apenas ao núcleo do Jardim da Sereia, onde fomos recebidos pela Ricardina, que nos guiou nesta visita.

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   A nossa guia disse-nos que a artista tem uma predileção especial pela pintura renascentista, o que pode explicar a utilização do óleo sobre tela. Na primeira sala, observámos as únicas telas figurativas deste roteiro expositivo, um conjunto de cãezinhos muito estranhos e coloridos. Estranhos não apenas por serem coloridos mas também porque não possuem boca. Parece que foram pintados a partir de modelos de pequenos objetos decorativos adquiridos numa qualquer loja de recordações. 

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   As restantes obras são geométricas e muito coloridas, cativando a atenção dos nossos sócios. A Ricardina pediu que atentássemos nas sombras dos estranhos objetos poliédricos, pois a forma como eles projetam a sombra constitui uma espécie de linha condutora da lógica da exposição. Na verdade, nas primeiras telas, os objetos projetam sombras impossíveis, uma vez que o modo como são iluminados na pintura não consentem a projeção daqueles sombreados. Digamos que há um absurdo quase imperceptível que dá coerência e sequência ao percurso.

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   A pouco e pouco, à medida que avançamos, as sombras vão-se tornando possíveis e coerentes com a iluminação. Algumas telas suscitaram uma reação imediata, como aquela que o António achou ser uma estilização de uma mão:

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  No entanto, a polémica instalou-se quando chegámos junto de uma pintura muito sugestiva. Alguns interpretaram aquele estranho objeto como sendo um pudim, outros contrapunham que se tratava de uma gelatina de limão! A Ricardina desfez a polémica, dizendo que em arte não há interpretações erradas, cada um pode ter a sua leitura. Porém, sempre adiantou que a Patrícia Garrido, numa dada altura da sua carreira, se ocupou a fotografar todos os alimentos que ingeria, dando algum destaque à gelatina. Isto não significa que os adeptos desta "corrente" estejam certos, serve só para notar como é que os artistas, nas diferentes fases, acabam por retomar temas e reatualizar situações anteriores.

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   No meio de uma das salas, pudemos contemplar uma mesa com uma série de esculturas de bronze, numa relação óbvia com as formas pintadas. São muito curiosas, convidando-nos a estabelecer relações, como se as obras dialogassem umas com as outras, relacionando as formas esculpidas e pintadas, as faces coloridas das pinturas e o monocromatismo do bronze, ou o volume tridimensional das objetos metálicos com a bidimensionalidade dos poliedros pintados.

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   Depois de uma interessante conversa com a Ricardina, demos mais umas voltas pelas salas, fotografámos e observámos pormenores que nos escaparam na primeira passagem. Depois, despedimo-nos e fomos brincar às escondidas no Jardim da Sereia, pelo meio das obras do Rui Chafes, que um dia visitaremos com mais atenção.

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publicado por CP às 20:57
Sexta-feira, 13 de Outubro de 2017

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    «Está pois a pena de morte abolida nesse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande história! (...) Abolir a morte legal, deixando à morte divina todo o seu direito e todo o seu mistério é um progresso augusto entre todos. Felicito o vosso parlamento, os vossos pensadores, os vossos escritores e os vossos filósofos! Felicito a vossa nação. Portugal dá o exemplo à Europa (...) A liberdade é uma cidade imensa da qual todos nós somos cidadãos. Aperto-vos a mão como a um compatriota na humanidade e saúdo o vosso generoso espírito.» Foi com estas emocionadas palavras que o grande escritor francês Victor Hugo, há exatamente 150 anos, felicitou os deputados e a nação portugueses por terem abolido a pena capital. Portugal foi uma nação pioneira, o que muito nos deve orgulhar, pelo que faz todo o sentido comemorar esta efeméride. 

   Tanto mais se justifica esta comemoração, quanto ainda há países que mantêm este castigo e alguns pensam mesmo em reintroduzi-lo, como nos explicou a Cristiana, uma jovem e simpática estudante de Direito que nos guiou nesta visita à exposição 150 da Abolição da Pena de Morte em Portugal, patente no Colégio da Trindade até ao final deste mês. Esta mostra insere-se num conjunto de iniciativas promovidas pela Faculdade de Direito. Naturalmente que o Clube do Património não podia deixar de se associar a este evento. Apesar de  os nossos alunos serem muito jovens, ouvem frequentemente vozes adultas, em momentos de indignação na sequência de crimes horrendos, defender a reintrodução deste castigo máximo. Que esta visita tenha servido para que os nossos sócios compreendam que em circunstância alguma se pode admitir a condenação à morte! Não há nenhuma justificação para retirar a vida a quem quer que seja!

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   Cesare Beccaria foi um jurista e filósofo italiano do séc. XVIII que pela primera vez se insurgiu contra a pena de morte. Durante este período, que ficou conhecido por Iluminismo, muitos foram os pensadores e filósofos que se dedicaram a refletir sobre um novo conceito de Humanidade, defendendo os direitos dos indivíduos e a sua Dignidade, fundando uma nova ética. Beccaria, a quem é dedicado o primeiro painel deste itinerário expositivo, escreveu: «Que direito podem os homens atribuir-se de trucidarem os seus semelhantes? Se eu demonstrar que a morte não é útil nem necessária, terei ganho a causa da humanidade.»

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   No lado oposto a este painel que divulga os ideais das Luzes, na parte escura das traseiras, esboça-se uma tentativa de retratar a realidade que se vivia em Portugal. Em longos painéis negros, a letras brancas, escrevem-se os nomes dos condenados à morte desde os finais do séc. XVIII e durante o seguinte, descrevendo-se brevemente as acusações. A Santa Casa da Misericóridia era a instituição que assumia a responsabilidade de dar sepultura aos executados que caminhavam para a morte rodeados pelo carrasco, por um padre e por um irmão da Misericórida tocando uma sineta e outro pedindo esmola. Chegados à forca, rodeados por uma multidão que apreciava este tipo de espetáculo e que não raras vezes se juntava aos milhares, o condenado era exalçado para a forca e o carrasco encarregava-se de o empurrar, muito frequentemente pondo-se às suas cavalitas para que com o acréscimo de peso o processo fosse mais rápido.

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   Na paragem seguinte, a ilha, assim foram designadas pelos organizadores os diversos pontos de paragem no circuito, é dedicado à memória de António Ribeiro dos Santos (1745 - 1818), professor da Faculdade de Cânones, eminente jurista e bibliotecário da Universidade e que publicou o primeiro ensaio a defender a abolição da pena de morte para crimes civis.

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   A ilha seguinte é reservada aos últimos condenados à morte em Portugal. Foi o painel que os alunos gostaram mais. Vá-se lá saber porquê, as crianças sentem uma atração irresistível pelo macabro. Por mais que a nossa guia mentisse, na tentativa de não chocar os alunos com a dura realidade, dizendo que a cabeça que se encontrava embebida num líquido transparente dentro de um frasco era um modelo, a verdade é que os nossos sócios não se deixaram iludir. Aquela cabeça era, de facto, autêntica! Ninguém ficou arrepiado nem traumatizado, a não ser os adultos, claro!

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   O crânio, do lado esquerdo da imagem, pertenceu a Mattos Lobo, condenado por ter esfaqueado a tia, o primo e a prima. O desgraçado negou sempre o crime, mas de nada lhe valeu, sendo executado em 1842, quando contava apenas 27 anos. A cabeça dentro do frasco com formol pertenceu ao mais famoso serial killer (assassino em série) português: Diogo Alves, mais conhecido como o Assassino do Aqueduto. Este criminoso foi condenado pelo homicídio de um médico, embora fosse suspeito de ter provocado a morte de cerca de 70 pessoas, lançando-as do cimo do Aqueduto das Águas Livres, em Lisboa, crimes que nunca ficaram provados. 

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   Foi no reinado de D. Luís I (1861-1889) que finalmente foi abolida a pena de morte. Este reinado ficou marcado por algumas medidas muito importantes, como a abolição da escravatura e a publicação do primeiro Código Civil, além da abolição da pena de morte. Não se pense porém que a abolição da pena máxima foi para todos os crimes. Em 1867, a pena de morte foi apenas para os crimes civis, mantendo-se para os crimes políticos e militares. Infelizmente, esta Carta de Lei não chegou a tempo de salvar o último condenado, executado no dia 22 de abril de 1846.

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   A execução teve lugar em Lagos, no Algarve. A vítima chamava-se José Joaquim Grande e foi condenado por ter violado, roubado e assassinado, no verão de 1833, uma criada de um oficial militar. A execução ocorreu na Praça das Armas, com uma enorme multidão a assistir. O corpo, após a execução, foi retirado da forca pelos irmãos da Misericórdia e conduzido ao cemitério da freguesia. Antes, moldou-se a sua máscara funerária em gesso, derramado sobre a face de modo a tentar captar a sua última expressão, pois era esse o objetivo dos cientistas da época: determinar qual era o derradeiro sentimento dos condenados no momento em que deixavam o mundo dos vivos. É esta máscara que se apresenta nesta exposição e se reproduz na fotografia acima.

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   A última paragem apresenta um friso cronológico com os momentos mais importantes da abolição da pena de morte em Portugal. Depois dos crimes civis, a pena capital foi abolida para crimes políticos e militares. Porém, com a entrada de Portugal na 1ª Guerra Mundial, a pena de morte foi fugazmente reintroduzida. Só em 1976 é que o nosso país colocou na Constituição um compromisso com a abolição total deste castigo. Apesar disso, conforme se pode observar no mapa, ainda há muitos países que a mantêm, como a Bielorrússia, o único país europeu que conserva este castigo. Outros há, como o Brasil, que discutem a sua reintrodução. Outros ainda, como a China, condenam anualmente muitas pessoas à morte. Tudo isto mostra que ainda há um longo caminho a percorrer!

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publicado por CP às 19:33
Sábado, 07 de Outubro de 2017

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   Mais um ano letivo e mais uma temporada do Clube do Património. Este ano sofremos uma grande renovação, pois que só três sócios permanecem do ano passado. São muitas as caras novas e ainda nem todos marcaram presença na nossa primeira saída. Assim, o primeiro objetivo é integrar os recém-chegados no espírito do Clube. Para isso, contámos com a ajuda da nossa sócia "veterana", a Constança, que deu as boas-vindas a todos, iniciando as apresentações junto à estátua de Avelar Brotero, no Jardim Botânico, onde iniciámos o nosso primeiro passeio.

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   Estava um dia de calor intenso, muito pouco normal para esta estação outonal, pelo que o bebedouro no início do nosso percurso na Mata do Botânico foi muito concorrido, e poucos se preocuparam com as magníficas vistas panorâmicas que daqui podemos usufruir. Esta Mata esteve encerrada durante décadas, tendo sido recentemente objeto de um plano de recuperação da responsabilidade da Universidade e da Câmara Municipal com a ajuda de fundos europeus, sendo inaugurada no início do mês de julho.

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    "O património vegetal desta área de mais de 9 hectares é composto maioritariamente por árvores centenárias, vegetação em crescimento livre e o bambuzal, sendo possível ainda encontrar património edificado, do qual se destacam a Estufa-fria, a Capela de São Bento e a Fonte dos Três Bicos. É também possível ver o antigo Reservatório de águas da cidade e vestígios da Muralha de Coimbra. Com a abertura da Mata, a Baixa e a Alta da cidade de Coimbra ficam ligadas não só por um caminho pedonal, mas também pela Linha do Botânico, servida por um autocarro híbrido que fará o percurso ascendente entre o portão da Rua da Alegria e o Portão da Rua do Arco da Traição." (1)

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    Pelo caminho, gozando da sombra refrescante e do silêncio que nos faz esquecer que nos encontramos no coração da cidade, sempre podemos apreciar belas flores. Nem todos os percuros se encontram abertos à circulação dos transeuntes, pois não podemos esquecer que este local tem zonas muito sensíveis e destinadas ao estudo dos cientistas. Descendo até à Rua da Alegria, lá nos cruzámos com um pequeno autocarro que faz o percurso desde a Porta do Arco da Traição, local onde outrora se localizava uma das portas do antigo castelo destruído no séc. XVIII. Nós optámos por realizar o percurso a descer, nem é preciso explicar porquê....

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   O Jardim Botânico da Universidade de Coimbra foi criado em 1772, no âmbito da Reforma Pombalina, para acolher uma coleção de plantas vivas que auxiliasse o ensino das ciências médicas. Atualmente, a investigação científica, a conservação da biodiversidade e a educação são os pilares da missão deste Jardim. Pelo seu valor patrimonial, edificado e vegetal. este Jardim Botânico está inscrito na lista de Património Mundial da Humanidade da UNESCO.

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   A nossa primeira paragem foi no reservatório de água, a primeira cisterna para abastecimento da cidade, construída nos finais do séc. XIX. O primeiro projeto de captação e canalização de água para abastecimento urbano surgiu da iniciativa de Augusto da Costa Simões (1819-1903), que foi reitor da Universidade, administrador dos Hospitais e presidente do Município. As águas eram elevadas do rio Mondego, junto ao porto da Ínsua dos Bentos, por um tubo aspirador colocado a 3 metros de profundidade. Para as elevar até este depósito, muito acima do rio, era usada uma máquina a vapor, importada de Paris.

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   Um pouco mais abaixo, encontramos a capela de S. Bento. Esta pequena construção data do séc. XVII. É uma espécie de ermida que pertenceu à ordem beneditina, antiga proprietária destes terrenos, destinada ao recolhimento e oração, aproveitando uma fonte existente no interior, onde se encontra uma estátua de S. Bento, o fundador e patrono desta ordem religiosa.

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   Já quanto ao bambuzal, a sua plantação iniciou-se em 1890 e foi conduzida por Júlio Henriques, botânico e diretor deste Jardim durante 40 anos. Atualmente, o bambuzal ocupa  cerca de um hectare da Mata, sendo dominado pela espécie Phyllostachys bambusoides, estranho nome científico para o Bambu-gigante! Esta planta atravessa várias fases de desenvolvimento que passam pelo crescimento e endurecimento da cana ao desenvolvimento de ramos e folhas. Em condições ideais podem crescer até 5 cm por hora e atingir os 8 metros de altura!

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    Já próximo do final do percurso pedonal, podemos ainda encontrar um belo fontanário, a Fonte dos Três Bicos, atualmente seca e a necessitar de algumas obras de conservação, bem como de um painel explicativo. Terminámos o nosso passeio no portão de ferro forjado na Rua da Alegria. Vale a pena lançar um último olhar a esta obra, antes de nos dirigirmos à paragem de autocarro, na Ínsua dos Bentos, para regressarmos à nossa escola.

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 (1) Para a redação deste texto foram utilizados excertos do sítio eletrónico da Universidade de Coimbra, bem como dos painéis informativos disposto no itinerário que visitámos. (https://www.uc.pt/jardimbotanico/noticias_01/abertura_mata)



publicado por CP às 09:59
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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