Segunda-feira, 06 de Dezembro de 2010

No dia 3 de Dezembro, apesar do frio intenso, estava um belo dia de sol. Decidimos então, em vez de ficar na escola, dar um passeio pela Baixa de Coimbra. O objectivo era reconhecer nas ruas estreitas da Baixa Velha, através da toponímia, vestígios da antiga cidade medieval.

 

Antigamente, nas cidades e vilas importantes, os mestres dos vários ofícios artesanais estavam arruados, ou seja, reunidos por profissões numa mesma rua. Persistiram até hoje nomes de ruas que mostram bem esse princípio de "arrumação": Rua dos Sapateiros, Rua dos Correeiros, Rua dos Ourives do Ouro, Rua dos Ourives da Prata, em Lisboa; Rua da Ferraria, Rua dos Sapateiros, Rua das Tendas, no Porto; Rua das Padeiras, Rua das Olarias, Rua dos Esteireiros, Rua das Tanoarias, em Coimbra; Rua Peliteira, em Guimarães, etc. Assim, nas ruas das cidades medievais, as tendas dos vários mestres alinhavam-se lado a lado exibindo à porta os mesmos produtos e disputando a freguesia. A tenda, propriedade do mesteiral ou alugada, era simultaneamente oficina e loja. É exactamente isso que ainda podemos ver nesta casa medieval, das poucas que ainda sobrevive desse período, localizada nas traseiras da igreja de S. Bartolomeu (nota importante: o Raúl não é medieval, o Raúl tem 10 anos e gosta de ficar à frente das fotografias).

 

Agora sem Raúl:

 

A actual igreja de S. Bartolomeu data do séc. XVIII. Foi edificada no local onde existia, desde o séc. X, uma antiga igreja, reconstruída no séc. XII e da qual nada resta. Na fotografia, podemos ver a igreja ao fundo, bem como a Praça do Comércio que antigamente já se chamou Praça Velha e Praça de S. Bartolomeu. Ao fundo, ainda que não se veja na fotografia, está o pelourinho manuelino que originalmente se localizava nesta praça, tendo depois sido colocado na Portagem. Quando se procedeu ao arranjo urbanístico desta praça, foi aqui colocada uma réplica do pelourinho manuelino. O pelourinho era o símbolo da autonomia judicial dos concelhos e era junto ao pelourinho que se aplicavam os castigos e as sentenças judiciais.

 

Através de ruelas estreitas, seguimos depois para o Largo do Romal. É das poucas zonas da Baixa Velha que está recuperada. As casas foram recentemente restauradas e pintadas. O resto da Baixa, como veremos, mete pena. Está tudo a cair, a ruína ameaça os prédios, a cidade morre lentamente, parece que foi tudo bombardeado.

 

Daqui, seguimos para a rua das Azeiteiras. Esta rua chamava-se, no tempo de D. Manuel, rua do Hospital, por aí se ter edificado um grande hospital que substituíu os minúsculos hospitais e albergarias existentes nessa zona e que prestavam assistência aos peregrinos de Santiago. A designação actual - rua das Azeiteiras - deriva certamente de aí terem existido uns lagares de azeite.

(CONTINUA)



publicado por AS às 14:29
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