Sábado, 04 de Dezembro de 2010

No passado dia 26 de Novembro, regressámos ao Museu da Ciência, desta vez para visitarmos uma exposição integrada nas comemorações do centenário da República, subordinada ao tema «A Ciência na República.»

 

Na verdade, os republicanos acreditavam que a forma de governo republicana correspondia a um modo científico de governar a sociedade, contrariamente à monarquia. Acreditavam que, através do desenvolvimento da ciência e da mentalidade científica, se poderia impulsionar a sociedade no sentido do progresso.

 

Neste sentido, muitos dos melhores cientistas portugueses dos finais do séc. XIX e inícios do séc. XX envolveram-se politicamente no combate à monarquia e na construção do ideal republicano. Esta exposição destaca três dessas personalidades: Bernardino Machado, Egas Moniz e Aurélio Quintanilha.

 

 


Bernardino Machado nasceu no Brasil, no Rio de Janeiro, em 1851, morrendo em 1944. Começou por militar nas fileiras monárquicas, mas acabou por ser uma das mais respeitadas e importantes figuras da República. Foi presidente por duas vezes e por duas vezes foi deposto por golpes militares.

 

Como académico e cientista, começou por se formar em Matemática, destacando-se depois por introduzir os estudos antropológicos em Portugal. Nós já visitámos o Museu de Antropologia da Universidade, lembram-se? Bernardino Machado foi igualmente um grande pedagogo, tendo as suas aulas ficado célebres por lhes ter imprimido uma componente prática. Sidónio Pais foi seu aluno, vindo depois a derrubá-lo da presidência através de um golpe militar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Egas Moniz (1874 - 1955), nasceu em Avanca, perto de Estarreja, onde ainda hoje se pode visitar a sua casa-museu. Continua a ser o único prémio Nobel português na ciência. O seu contributo para o desenvolvimento das neurociências é enorme, nomeadamente na investigação sobre o funcionamento do cérebro, graças à técnica por si inventada da angiografia cerebral. No entanto, o prémio Nobel foi-lhe atribuído por causa de uma técnica cirúrgica que hoje é muito discutida e controversa: a leucotomia pré-frontal.

 


 

 

 

 

 

 


Aurélio Quintanilha (1892 - 1987)  notabilizou-se nas investigações sobre fungos, para além de ter sido um brilhante professor, muito apreciado pelos seus discípulos. Foi vítima das perseguições de Salazar que o expulsou da Universidade em 1935 por causa das suas opiniões corajosas de oposição ao regime, vindo a ser reintegrado em 1974, após a revolução de 25 de Abril.

 

 

Para a redacção deste texto consultámos o catálogo desta exposição comemorativa do centenário da implantação da República, organizada pela Universidade de Coimbra e constituída por 3 núcleos: «Ripública», as caricaturas na República, no Museu Nacional Machado de Castro, «A Ciência na República», patente no Museu da Ciência; e a «Galeria Republicana», constituída por retratos fotográficos de personagens republicanas, patente na Biblioteca Geral da Universidade e que nós também visitámos. O catálogo intitula-se «Ver a República».



publicado por AS às 18:40
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