Sábado, 11 de Dezembro de 2010

Entre Novembro de 1260 e Abril de 1261, existiu nesta Rua da Moeda uma fábrica onde, provavelmente, se procedia à operação de quebrar a moeda, isto é, recolher a moeda em circulação e refundi-la com um valor mais alto ou em ligas empobrecidas de modo a aumentar a moeda em circulação.

 

Seguimos depois até ao Terreiro da Erva e ficámos impressionados com o estado de abandono, pobreza e ruína em que se encontra a zona histórica da nossa cidade. Deixamos umas fotografias para comprovar:

 

 

Neste largo existiu até há pouco tempo, uma importante fábrica de louça de Coimbra, com os pintores artesanais e lojas de venda ao público. Hoje, este terreiro está transformado num parque de estacionamento com casas degradadas e ao abandono, restando apenas alguns restaurantes típicos. Nós bem que sentimos o cheiro a bifanas....

 

Do Terreiro da Erva passámos à Rua da Sofia, ou da Sabedoria, porque aqui se localizavam os antigos colégios universitários, subsistindo ainda alguns edifícios desses antigos colégios, como o Colégio de S. Tomás, da Graça, de S. Domingos, etc. Esta rua foi rasgada no séc. XVI, no reinado de D. João III e foi, à época, a rua mais larga do país! Hoje, está muito degradada e adulterada, o movimento de automóveis impede que a apreciemos devidamente, as fachadas dos prédios estão velhas e sujas, as montras, fios de toda a espécie, toldos, reclames, cartazes e aparelhos de ar condicionado são um verdadeiro atentado ao património. Esta rua exige uma intervenção urgente!

 

Aproxima-se o fim do nosso passeio, ao chegarmos à Praça 8 de Maio, assim designada  em 1874, para comemorar a entrada das tropas liberais em Coimbra, no dia 8 de Maio de 1834. Este largo, fronteiro à Câmara Municipal e ao mosteiro de Santa Cruz, era antes designado por Largo de Sansão.

 

Entrámos no átrio da Câmara Municipal para admirar o presépio da autoria do mestre Cabral Antunes. Antes, este presépio era montado na rua, no meio da Praça 8 de Maio, mas como havia sempre uns gatunos que roubavam ou vandalizavam as peças, este ano decidiram montar o presépio dentro de portas.

 

A Rua Direita já se chamou Rua dos Caldeireiros, Rua de Sansão e Rua da Figueira Velha.

 

Seguimos, finalmente, pela Rua Visconde da Luz, antiga Rua do Coruche. O Visconde da Luz foi um antigo militar que foi igualmente Director-Geral das Obras Públicas. Foi a percorrer a Rua Visconde da Luz que concluímos o nosso passeio. Adeus! Até ao próximo passeio!

 

Para a redacção desta série de textos sobre a toponímia das ruas da Baixa de Coimbra, usámos a obra clássica de José Pinto Loureiro: «Toponímia de Coimbra»; 2 volumes; Coimbra; Edição da Câmara Municipal; 1960.



publicado por CP às 04:28
Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010

 

A Rua da Louça já foi conhecida por Rua dos Tintureiros, Rua de Tingerodilhas, Rua do Caneiro, Rua da Cruz, Rua Bordalo Pinheiro até que, por fim, em 1942 se fixou o actual topónimo. Para Norte a rua estende-se até à Praça 8 de Maio.

 

Para Sul, a Rua da Louça conduz ao Largo das Olarias. Os estabelecimentos comerciais exibem os produtos na rua.  Os prédios  estão em adiantado estado de degradação, ameaçando ruína.

 

 



publicado por CP às 10:58
Quinta-feira, 09 de Dezembro de 2010

Da rua do Paço do Conde seguimos até à rua das Padeiras, sendo fácil imaginar a razão deste nome, pois aqui deveriam estar arruadas as padarias e os fornos de cozer pão.

 

Cortámos depois à direita, até à rua do Almoxarife. Esta palavra de origem árabe designava o cobrador dos impostos reais. Após a revolução republicana, em 1911, a Câmara Municipal mudou o nome da rua para rua António Augusto dos Santos, nome de um empregado do comércio, conhecido no seu tempo por ser um adepto fervoroso dos ideais republicanos. No entanto, a população continuou a chamar a rua pelo antigo topónimo. Assim, em 1942, a Câmara restituíu a esta rua o seu antigo nome: rua do Almoxarife.

 

A rua do Almoxarife liga a rua das Padeiras à rua Eduardo Coelho (1835 - 1889), tipógrafo e jornalista que nasceu em Coimbra exactamente na rua que tem hoje o seu nome e que fundou o Diário de Notícias em 1865. Esta rua era a antiga Rua dos Sapateiros, que já tinha sido anteriormente a rua dos Pintadores. Em baixo, podemos ver uma caricatura de Eduardo Coelho, da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro, incluída no «Álbum de Glórias», bem como uma reprodução do 1º número do DN.

 

 

A rua Eduardo Coelho ramifica para uma ruela chamada Rua Velha, antigamente conhecida por Rua Velha dos Sapateiros. Aí, admirámos uma antiga porta manuelina que está actualmente inserida num antigo edifício reabilitado recentemente para acolher durante a noite os sem-abrigo. A casa está muito bem recuperada, é pena é que as paredes e a porta estejam já grafitadas.



publicado por CP às 10:38
Quarta-feira, 08 de Dezembro de 2010

Da Praça do Comércio seguimos pela rua Adelino Veiga, que antes se chamava Rua das Solas, certamente porque aí se tratavam e vendiam coiros, cabedais e solas. Adelino Veiga foi um operário modesto, latoeiro de profissão, mas que escrevia poemas e representava como actor em peças de teatro amador, sendo muito apreciado no seu tempo. Faleceu em 1887 e a Câmara nomeou a rua com o seu nome em 1908. Esta rua seguia até ao antigo Largo das Tanoarias que foi destruído para se abrir a actual rua Fernão de Magalhães.

 

 

Chegados ao Largo do Paço do Conde, seguimos pela rua com o mesmo nome. No séc. XVI, o 1º Conde de Cantanhede, D. Pedro de Meneses, construiu aqui um grande edifício que, ao longo dos tempos, albergou  crianças famintas, bem como acolheu «mulheres convertidas da vida pecadora» sob a invocação de Santa Maria Madalena. No séc. XIX, o bispo reconverteu o paço em casa de educação para meninas pobres. Neste largo existiu ainda uma estalagem que foi famosa  por ser das melhores do reino.



publicado por CP às 12:09
Terça-feira, 07 de Dezembro de 2010

 

Por entre ruas estreitas e casas degradadas, lá seguimos o nosso passeio, até chegarmos à Rua dos Esteireiros. Esta rua, segundo o topónimo deixa entender, deveria albergar os artesãos que produziam esteiras, isto é, um «tecido grosseiro, feito de matérias vegetais, como por exemplo, pequenas tábuas, palha, vime, junco, e que servia para forrar ou cobrir superfícies diversas».

 

Regressámos à Praça do Comércio, onde tirámos uma fotografia de grupo nas escadarias da igreja de Santiago. Esta igreja é um excelente exemplar do românico de Coimbra e é uma das mais antigas igrejas da nossa cidade. O templo foi sagrado em 1206, no tempo de D. Sancho I, mas já antes aí teriam existido outros edifícios que foram danificados e destruídos ao longo dos tempos. A cabeceira da igreja foi amputada, em 1861, para se construir a actual rua Ferreira Borges. O interior desta igreja foi palco de um dos mais belos episódios da nossa história quando, nas vésperas da batalha de Alfarrobeira (1449), o regente D. Pedro, duque de Coimbra, fez um juramento de sangue com o seu amigo, D. Álvaro Vaz de Almada, conde de Avranches e cavaleiro da Ordem da Jarreteira, celebrando a profunda  amizade que os unia, prometendo mutuamente que não sobreviveriam um ao outro na batalha que iriam travar contra as tropas de D. Afonso V. Na verdade, ambos morreriam em Alfarrobeira.

 

Vejam agora como era a igreja no séc. XIX, antes do restauro a que foi submetida:



publicado por CP às 09:11
Segunda-feira, 06 de Dezembro de 2010

No dia 3 de Dezembro, apesar do frio intenso, estava um belo dia de sol. Decidimos então, em vez de ficar na escola, dar um passeio pela Baixa de Coimbra. O objectivo era reconhecer nas ruas estreitas da Baixa Velha, através da toponímia, vestígios da antiga cidade medieval.

 

Antigamente, nas cidades e vilas importantes, os mestres dos vários ofícios artesanais estavam arruados, ou seja, reunidos por profissões numa mesma rua. Persistiram até hoje nomes de ruas que mostram bem esse princípio de "arrumação": Rua dos Sapateiros, Rua dos Correeiros, Rua dos Ourives do Ouro, Rua dos Ourives da Prata, em Lisboa; Rua da Ferraria, Rua dos Sapateiros, Rua das Tendas, no Porto; Rua das Padeiras, Rua das Olarias, Rua dos Esteireiros, Rua das Tanoarias, em Coimbra; Rua Peliteira, em Guimarães, etc. Assim, nas ruas das cidades medievais, as tendas dos vários mestres alinhavam-se lado a lado exibindo à porta os mesmos produtos e disputando a freguesia. A tenda, propriedade do mesteiral ou alugada, era simultaneamente oficina e loja. É exactamente isso que ainda podemos ver nesta casa medieval, das poucas que ainda sobrevive desse período, localizada nas traseiras da igreja de S. Bartolomeu (nota importante: o Raúl não é medieval, o Raúl tem 10 anos e gosta de ficar à frente das fotografias).

 

Agora sem Raúl:

 

A actual igreja de S. Bartolomeu data do séc. XVIII. Foi edificada no local onde existia, desde o séc. X, uma antiga igreja, reconstruída no séc. XII e da qual nada resta. Na fotografia, podemos ver a igreja ao fundo, bem como a Praça do Comércio que antigamente já se chamou Praça Velha e Praça de S. Bartolomeu. Ao fundo, ainda que não se veja na fotografia, está o pelourinho manuelino que originalmente se localizava nesta praça, tendo depois sido colocado na Portagem. Quando se procedeu ao arranjo urbanístico desta praça, foi aqui colocada uma réplica do pelourinho manuelino. O pelourinho era o símbolo da autonomia judicial dos concelhos e era junto ao pelourinho que se aplicavam os castigos e as sentenças judiciais.

 

Através de ruelas estreitas, seguimos depois para o Largo do Romal. É das poucas zonas da Baixa Velha que está recuperada. As casas foram recentemente restauradas e pintadas. O resto da Baixa, como veremos, mete pena. Está tudo a cair, a ruína ameaça os prédios, a cidade morre lentamente, parece que foi tudo bombardeado.

 

Daqui, seguimos para a rua das Azeiteiras. Esta rua chamava-se, no tempo de D. Manuel, rua do Hospital, por aí se ter edificado um grande hospital que substituíu os minúsculos hospitais e albergarias existentes nessa zona e que prestavam assistência aos peregrinos de Santiago. A designação actual - rua das Azeiteiras - deriva certamente de aí terem existido uns lagares de azeite.

(CONTINUA)



publicado por CP às 14:29
Domingo, 05 de Dezembro de 2010

O Duarte enviou-me as fotografias da visita ao Museu da Ciência. Aqui ficam:

 

 

 



publicado por CP às 11:45
Sábado, 04 de Dezembro de 2010

No passado dia 26 de Novembro, regressámos ao Museu da Ciência, desta vez para visitarmos uma exposição integrada nas comemorações do centenário da República, subordinada ao tema «A Ciência na República.»

 

Na verdade, os republicanos acreditavam que a forma de governo republicana correspondia a um modo científico de governar a sociedade, contrariamente à monarquia. Acreditavam que, através do desenvolvimento da ciência e da mentalidade científica, se poderia impulsionar a sociedade no sentido do progresso.

 

Neste sentido, muitos dos melhores cientistas portugueses dos finais do séc. XIX e inícios do séc. XX envolveram-se politicamente no combate à monarquia e na construção do ideal republicano. Esta exposição destaca três dessas personalidades: Bernardino Machado, Egas Moniz e Aurélio Quintanilha.

 

 


Bernardino Machado nasceu no Brasil, no Rio de Janeiro, em 1851, morrendo em 1944. Começou por militar nas fileiras monárquicas, mas acabou por ser uma das mais respeitadas e importantes figuras da República. Foi presidente por duas vezes e por duas vezes foi deposto por golpes militares.

 

Como académico e cientista, começou por se formar em Matemática, destacando-se depois por introduzir os estudos antropológicos em Portugal. Nós já visitámos o Museu de Antropologia da Universidade, lembram-se? Bernardino Machado foi igualmente um grande pedagogo, tendo as suas aulas ficado célebres por lhes ter imprimido uma componente prática. Sidónio Pais foi seu aluno, vindo depois a derrubá-lo da presidência através de um golpe militar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Egas Moniz (1874 - 1955), nasceu em Avanca, perto de Estarreja, onde ainda hoje se pode visitar a sua casa-museu. Continua a ser o único prémio Nobel português na ciência. O seu contributo para o desenvolvimento das neurociências é enorme, nomeadamente na investigação sobre o funcionamento do cérebro, graças à técnica por si inventada da angiografia cerebral. No entanto, o prémio Nobel foi-lhe atribuído por causa de uma técnica cirúrgica que hoje é muito discutida e controversa: a leucotomia pré-frontal.

 


 

 

 

 

 

 


Aurélio Quintanilha (1892 - 1987)  notabilizou-se nas investigações sobre fungos, para além de ter sido um brilhante professor, muito apreciado pelos seus discípulos. Foi vítima das perseguições de Salazar que o expulsou da Universidade em 1935 por causa das suas opiniões corajosas de oposição ao regime, vindo a ser reintegrado em 1974, após a revolução de 25 de Abril.

 

 

Para a redacção deste texto consultámos o catálogo desta exposição comemorativa do centenário da implantação da República, organizada pela Universidade de Coimbra e constituída por 3 núcleos: «Ripública», as caricaturas na República, no Museu Nacional Machado de Castro, «A Ciência na República», patente no Museu da Ciência; e a «Galeria Republicana», constituída por retratos fotográficos de personagens republicanas, patente na Biblioteca Geral da Universidade e que nós também visitámos. O catálogo intitula-se «Ver a República».



publicado por CP às 18:40
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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