Domingo, 14 de Fevereiro de 2010

 

O destino desta vez foi o Museu Antropológico da Universidade de Coimbra. Chegar lá parecia simples, mas para o Clube do Património não há tarefas simples. Por isso, esquecemo-nos de tocar na campainha do autocarro e, em vez de sairmos na paragem dos Arcos do Jardim, saímos na Praça da República! Lá tivemos nós que subir as.... ESCADAS MONUMENTAIS!!

 

O Daniel, logo por azar, nesse dia levava a mochila e o João Tiago quase que não chegava ao topo. Mas lá conseguimos! A propósito, alguém contou os degraus? Sai então um desafio: ofereço um chocolate ao primeiro membro do Clube que voltar a subir as escadarias monumentais e me disser quantos degraus tem!

 

Chegados ao museu, fomos recebidos pela Dr.ª Arminda. O Duarte  já tinha formado uma boa opinião da nossa anfitriã durante os contactos feitos para preparar a visita mas quando a conhecemos pudemos comprovar a sua simpatia e o entusiasmo com que nos falava de todos aqueles assuntos.

 

O museu integrava-se no Museu de História Natural que resultou da reforma que o Marquês de Pombal fez na Universidade de Coimbra em 1772. As primeiras peças da colecção datam do séc. XVIII. Não é um museu como os outros, pois o espólio serve essencialmente para os estudos de antropologia. Foi durante o período colonial que se recolheram a maior parte das peças que constituem o acervo do Museu, provenientes de Angola, Moçambique, S. Tomé, e Príncipe, Cabo Verde e Guiné, em África, para além dos territórios de Macau e Goa, bem como, claro está, do Brasil.

 

Vimos peças muito interessantes: uma colecção de tampos de panelas de Cabinda com provérbios e ensinamentos ilustrados em pequenas esculturas, uma colecção de lanças, flechas e zarabatanas, estatuetas, marimbas e outros instrumentos musicais, objectos de adorno, máscaras, cestos usados pelos adivinhos, objectos associados a rituais de magia e feitiçaria, ...

 O que mais nos impressionou, no entanto, foi um conjunto de múmias provenientes da América do Sul, do deserto de Atacama, a zona mais seca do planeta! Primeiro, ficamos impressionados, mas um segundo olhar mais científico permitiu-nos o distanciamento necessário. Vimos ainda uma cabeça reduzida por uma tribo de caçadores de cabeças da floresta Amazónica, mas impressionante mesmo foi a história que a Dr.ª Arminda nos contou sobre os rituais de iniciação a que, na África, as tribos submetiam os rapazes da nossa idade.  O ritual, entre outras coisas, incluía a circuncisão. Primeiro ficamos perplexos, completamente ignorantes do sentido da palavra, mas quando a Dr.ª Arminda nos explicou o que era, ficamos mesmo arrepiados. A verdade é que esta tradição é comum a muitos povos, entre eles os judeus. Aqui fica um quadro do pintor português do séc. XVII, José de Avelar Rebelo, mostrando a circuncisão de Jesus Cristo:



publicado por AS às 12:12
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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