Sábado, 19 de Fevereiro de 2011

Hoje, tivemos mais uma vez a concorrência do futebol. Os rapazes preferiram ir jogar à bola, pelo que tivemos menos sócios. O que vale é que ganharam por 9-1 e, por isso, estão perdoados. Em contrapartida, temos uma nova sócia: a Joana. Podem vê-la no pequeno video que publico com a sua «madrinha», a Ana Beatriz. Eu tentei tirar uma fotografia, só que enganei-me e carreguei no botão errado e, em vez de uma fotografia, fiz um pequeno filme.

A Ana Beatriz e a Joana

 

Cumpridas as apresentações e as boas-vindas, partimos para uma visita ao laboratório Dryas Octopetala. Trata-se de uma empresa que desenvolve o seu trabalho na área da arqueologia e de outras ciências auxiliares. Realizam prospecções, sondagens e escavações, para além de todo o trabalho de laboratório de preservação, estudo e divulgação dos vestígios recolhidos. Fomos recebidos pelo Dr. Miguel Almeida, responsável pelo desenvolvimento do projecto, que nos apresentou a sua equipa.

 

 

A visita começou por uma pequena apresentação oral no auditório que nós seguimos com muita atenção. O Dr. Miguel Almeida falou-nos do trabalho dos arqueólogos, o objectivo da arqueologia, as tecnologias usadas, desfazendo algumas ideias erradas. Muito importante foi termos reparado que um arqueólogo trabalha em equipa com outros especialistas. Trata-se de um trabalho de grupo que é necessário planificar e coordenar com muito cuidado.

 

 

A arqueologia visa reconstituir as culturas do passado através do estudo criterioso dos vestígios desse passado que estão enterrados no subsolo. Todos os objectos que as culturas passadas produziram interessam ao arqueólogo que tem um trabalho um bocado parecido com o dos detectives. Só que enquanto estes investigam um crime e procuram descobrir o criminoso, o arqueólogo procura descobrir o passado, compreendê-lo e reconstituir as culturas perdidas.

 

 

Após estas explicações, viemos para a rua, onde conhecemos o Pedro que nos apresentou uma geringonça muito engraçada: um geo-radar!

 

 

O Pedro é geofísico e só por aqui se demonstra a natureza do trabalho interdisciplinar na produção do conhecimento científico. Isto afinal é como o futebol: para se jogar bem é preciso jogar em equipa, não basta ser bom. Ficámos maravilhados com a maquineta do Pedro e claro que fomos experimentá-la para a rua.

 

Este aparelhómetro muito engraçado, que parece directamente saído de um episódio do CSI Miami (não é verdade, Bernardo?), emite ondas para o subsolo, recolhendo depois o eco dessas emissões. Medindo e tratando essas informações é possível detectar, com alguma garantia, a existência de estruturas ou objectos enterrados que justifiquem uma escavação arqueológica. Espectáculo! Alguns de nós pensaram mesmo em comprar uma maquineta destas, pois que ficámos logo a imaginar aventuras extraordinárias em busca de tesouros perdidos!

 

Regressados ao laboratório, dividimo-nos em três grupos. Alternadamente, percorremos três salas do laboratório, conduzidos por três simpáticas arqueólogas. Numa primeira sala, a Lília mostrou-nos uma série de objectos provenientes de escavações, como lâminas de silex e cacos de cerâmica. Tudo devidamente limpo, catalogado, desenhado, estudado e guardado.

 

 

Depois, encontrámos novamente o Pedro, agora sentado defronte de um computador portátil. Introduzidos os dados captados pelo geo-radar, e recorrendo a programas informáticos especializados, o Pedro tratou a informação e projectou no computador representações gráficas do subsolo, permitindo visualizar o que estava enterrado e que a geringonça sondou.

 

 

A terceira sala foi a Sala dos Esqueletos! Brrrr! Parecia que estávamos a entrar num filme de terror, pois em cima da mesa jaziam as ossadas de um senhor com mais de 400 anos.

 

 

A verdade é que não tivemos medo nenhum, pois o ambiente científico ajudou-nos a racionalizar a realidade e até ficámos muito curiosos e fascinados. A arqueóloga que nos guiou nesta sala (não me recordo do nome, alguém sabe?) explicou-nos que eram ossadas descobertas em escavações realizadas em Serpa, no Alentejo, e em Lagos, no Algarve. Um desses crânios pertencera a um escravo negro, proveniente de África e enterrado numa sepultura colectiva. Os arqueólogos procederam ao enquadramento histórico destes achados no tempo do Infante D. Henrique e da chegada dos primeiros escravos africanos a Portugal.

 

 

Aprendemos ainda que, no laboratório, estes cientistas conseguem recolher muitas informações úteis a partir da análise destas ossadas. Estudam a dentição, o tamanho dos ossos, as medidas, as lesões e ferimentos, entre muitas outras coisas, o que lhes permite reconstituir um pouco não apenas quem eram mas o tempo em que viveram. Todos os vestígios, incluindo os ossos, têm uma história escondida que é preciso descobrir e não há dois esqueletos iguais, tal e qual como não há duas pessoas iguais, nem duas histórias iguais.

 

 

Por último, antes de irmos embora, ainda descemos ao auditório, agora para ficarmos a par dos trabalhos que os técnicos da Dryas desenvolveram na Baixa de Coimbra e na rua da Sofia.

 

 

Quando olhámos para o relógio, vimos que o tempo tinha passado num instante e estava na hora de regressar à escola. Resta-nos agradecer ao Dr. Miguel e a toda a simpática equipa Dryas: muito obrigado, vocês não são nada "chatos"!



publicado por AS às 09:34
Parabéns pela vossa iniciativa. Além de ensinar os nossos filhos, ensina-nos a nós pais e ajuda-nos a descobrir o que existe na nossa cidade.
Cristina Neto a 19 de Fevereiro de 2011 às 21:25

De facto, o tempo passou muito depressa! A visita do Clube do património foi um dia muito especial para a equipa Dryas. Estão sempre convidados a voltar, porque aprendemos imenso com as vossas questões.
Miguel Almeida a 20 de Fevereiro de 2011 às 01:40

Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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