Segunda-feira, 01 de Novembro de 2010

 

Na sexta-feira, dia 29 de Outubro, fomos mais uma vez ao Museu Nacional Machado de Castro, agora  para visitar uma exposição intitulada «Ver a Reública. Galeria Ripublicana». Trata-se de uma mostra sobre as caricaturas no tempo da 1ª República.

 

 

Chovia imenso, mas a chuva não impede os sócios do Clube de cumprirem a sua missão. Fomos recebidos e guiados por uma amável guia do museu que nos conduziu por este núcleo da exposição. Há outro na Biblioteca da Universidade e outro ainda no Museu da Ciência. Temos, assim, mais «trabalho» pela frente.

 

A caricatura foi, pelo menos desde a Revolução Francesa e até à actualidade, uma arma política e de crítica social. Não é preciso ser muito perspicaz para notar semelhanças com os tempos actuais.

 

Seguimos as explicações com muita atenção e a Kayleigh cumpriu, mais uma vez, a sua tarefa de fotógrafa oficial do Clube. Aguardamos ansiosamente o resultado e prometemos publicar as fotos.

 

Vimos alguns jornais que se celebrizaram pela utilização de caricaturas para satirizarem a situação política. «O Xuão» foi um desses semanários que conheceram grande sucesso nas vésperas da revolução republicana.

 

A exposição incide sobre o período republicano, desde os tempos da propaganda republicana contra o regime monárquico. A caricatura abaixo reproduzido alvitra (belo verbo, hein? Alvitrar!)  a iminência da Revolução republicana ao apresentar D. Carlos I como o «Último».

 

O jornal «O Século» criou também o seu suplemento humorístico, provando mais uma vez que o riso  e a caricatura podem ser poderosas armas políticas. A imagem debaixo é um exemplo do suplemento d' «O Século» de 09.09.09, apresentando a «onda» Republicana a abater-se sobre a «Praia» portuguesa e afugentando os políticos monárquicos.

 

É claro que se torna quase irresistível fazer comparações com o presente, tal é a actualidade de alguns desenhos. O mais importante caricaturista foi Rafael Bordalo Pinheiro, criador da célebre figura do «Zé Povinho»,  em 1875, autêntico ícone de Portugal. Eis alguns desenhos com esta personagem patentes na exposição:

 

 

 

 

O Zé Povinho é uma figura rude, pobre, analfabeto, manso e submisso ao ponto de ajoelhar aos pés de todos os poderosos e de aceitar todas as imposições. Por isso é representado sempre com a albarda sobre os ombros. Mas não se pense que é tolo, pois o Zé Povinho aprendeu, ao longo dos tempos, a arte da sobrevivência. Não tardaria o dia em que o Zé sacudiria as albardas e um novo tempo se anunciaria com o advento da República.

 

 

Esta exposição é também uma homenagem a Rafael Bordalo Pinheiro que, falecido em 1905, não assistiu ao advento da República. Uma das suas caricaturas mais célebres é a da Universidade de Coimbra:

 

As caricaturas foram usadas também para heroicizar algumas personalidades distintas do movimento republicano, mostrando como o  humor tanto pode corroer pela crítica como enaltecer pelo riso. Em baixo, vemos três exemplos do caricaturista Francisco Valença, retratando protagonistas republicanos e enaltecendo os seus actos:

 

António José de Almeida, importante dirigente republicano, apresentado como um combatente revolucionário desancando a monarquia caquética com a espada em riste e com a seguinte legenda: «Cristo foi o Verbo encarnado, António José d'Almeida é o Verbo encarnado ... e verde»

 

 

Aqui, Valença faz um trocadilho com o nome de Bernardino Machado: «Um machado para a Monarquia, um achado para a República»

 

 

 

Neste último exemplo, elogia João Chagas, homem de «pensamento, palavras e obras».

 

 

 

Ainda tivemos tempo para ver uma banda desenhada do Quim e do Manecas, da autoria de Stuart Carvalhais. Pensava eu que este autor e estas personagens assinalavam o nascimento da BD em Portugal, mas a nossa guia disse que a banda desenhada era mais antiga. Porém, ninguém tira ao Quim, ao Manecas e a Stuart Carvalhais o seu lugar único na história da ilustração e da caricatura em Portugal.

 

 

Para concluir, ainda nos entretivemos a jogar o jogo dos narizes: tratava-se de fazer uma espécie de puzzle atribuindo a cada uma das figuras o seu respectivo nariz!



publicado por CP às 21:36
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