Sexta-feira, 14 de Março de 2014

Vasco Barata  é um artista plástico português, nascido em 1974, em Lisboa, cidade onde vive e trabalha. Licenciado em Pintura pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa, estudou ainda fotografia e desenho. Expõe desde 1994, ano em que iniciou os estudos na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha. Os seus trabalhos apresentam-se em diversas formas, privilegiando a fotografia, o vídeo e o desenho, entre outras formas de linguagem, nomeadamente as instalações. O seu gosto pelo cinema transparece nas suas obras, bem como são frequentes referências à cultura popular.

 

Vasco Barata está representado em diversas coleções particulares em Portugal e no estrangeiro, tendo participado em muitas exposições, principalmente em Lisboa e no Porto, podendo destacar-se as Bienais Internacionais de Jovens Criadores, Microart (2000), Habitar o Hábito (2003) ou Dressing up Nature (2004), entre muitas outras. Recebeu o 2º Prémio de Pintura Ariane de Rothschild (2005). Esta exposição no Centro de Artes Visuais (CAV), em Coimbra, intitula-se «Um peso fantasma» e é da responsabilidade de Albano da Silva Pereira.

Esta mostra tem como ponto de partida o tema da violência que serviu de base a um projeto recente do artista intitulado Les Apaches. É para este universo violento que nos remetem três flechas colocadas na parede formando um triângulo. Os Apaches eram um bando de marginais parisienses dos finais do século XIX e inícios do seguinte que se caracterizava pela sua grande agressividade e desprezo pela sociedade do seu tempo. Reconheciam-se pelo vestuário e pela utilização de armas fabricadas por eles e pelos seus códigos gestuais e de linguagem. Logo no início do percurso, reparamos numa fotografia cravada com uma navalha, o que nos dá o tom para o resto da exposição.

Os jornais e os intelectuais franceses daquela época deram uma grande notoriedade ao gangue e o nome de Apaches surge como comparação com os nativos norteamericanos, os índios, considerados bárbaros e violentos. Assim, através do confronto entre a sociedade civilizada parisiense e os indígenas americanos, somos obrigados a refletir sobre os valores do progresso e da civilização, da violência e da organização social.

 

 

Dedicámos especial atenção a um video de 34 minutos intitulado Os Nossos Ossos: Ariadne, produzido no âmbito da Guimarães 2012, Capital Europeia da Cultura. Neste video mostra-se simbolicamente o espaço das ruínas da Citânia de Briteiros, povoado da Idade do Ferro, cujas ruínas se podem visitar nos arredores de Guimarães. O video mostra ainda o moderno cemitério de Monchique, nos arredores da cidade, que, pela sua ousadia arquitetónica, chocou os habitantes locais. Inevitavelmente, somos conduzidos a uma reflexão sobre o sentido da vida, os valores do progresso, o nosso percurso histórico e cultural, bem como o valor da arte e da modernidade. Numa outra parede, deparámo-nos com uma instalação constituída por um retroprojetor de transparências que lançava na parede branca uma mancha negra que se desfazia em pó pelo chão, deixando recortadas as letras de um poema intitulado «Vim porque me pagavam», de Golgona Anghel, uma poetisa romena.

De todas as peças a que mais sensação causou foi uma instalação que o artista chamou Caveat lector. Trata-se de uma expressão latina muito usada nas edições inglesas e que, segundo a Wikipedia, pode ser traduzida como "alerta ao leitor". Deste modo, o visitante é diretamente interpelado durante o seu percurso e convidado não apenas a deter-se na contemplação de uma sugestiva imagem, como a ler um poema transcrito no verso do poster. Para completar esta interação, o visitante é autorizado a levantar um exemplar e a levá-lo consigo. Foi isso que fizémos, ficando assim com uma bela recordação deste dia.



publicado por CP às 18:07
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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