Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2018

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   Na sequência do nosso passeio da semana passada ao Museu Machado de Castro, onde visitámos uma exposição sobre a escrita e a caligrafia chinesas na coleção do poeta Camilo Pessanha, decidimos, esta sexta-feira, complementar essa visita com uma outra ao Instituto Confúcio, onde frequentámos uma oficina de escrita chinesa.

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 Este instituto está instalado na ala nascente do antigo Colégio de Jesus, colado à Sé Nova, um edifício que não podia ter sido mais bem escolhido para acolher este departamento, pois foi aqui que se formaram, no séc. XVI, os missionários jesuítas que partiram para o Oriente, nomedamente para a China, protagonizando os primeiros contactos dessas civilizações com o Ocidente. As coleções dos museus da Universidade conservam, por isso e ainda hoje, uma grande quantidade de objetos e documentos de grande valor. Alguns estão aliás expostos numa vitrina colocada no interior deste Instituto. 

   O Instituto Confúcio, que tomou o nome do famoso sábio e filósofo chinês que viveu nos séculos VI e V a. C., foi inaugurado em julho de 2016, tendo como missão a divulgação da língua e cultura chinesas, bem como o ensino e reconhecimento da Medicina Tradicional Chinesa em Portugal, aprofundando as relações seculares entre Portugal e a China.

  Fomos logo simpaticamente acolhidos pelo Professor Doutor João Corrêa-Cardoso, docente da Faculdade de Letras e diretor deste Instituto, juntamente com a Dr.ª Wei Ming, a responsável chinesa. Ainda no exterior, o Professor João dirigiu-nos umas palavras de boas-vindas. Entrados no edifício, conhecemos a Dr.ª Maria José Margalho, técnica superior com quem agendámos este encontro e, já devidamente sentados, eis que chegou o professor Sūn Lǎo Shī. Ele seria o nosso professor de chinês!

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   O nosso jovem professor encontra-se em Portugal a estudar e, como voluntário, desenvolve estas ações de divulgação, uma vez que se especializou no ensino da língua chinesa a públicos infantis e juvenis. Estávamos na mão de um especialista! A sessão que viemos frequentar, com uma duração de aproximadamente 90 minutos, tinha um plano ambicioso e uma promessa: no fim ficaríamos a perceber um bocadinho mais de chinês! Bom, na verdade não era assim tão difícil, pois de chinês ninguém percebia nada!

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   Em primeiro lugar, há que saber o que é um caracter chinês. Trata-se de um ideograma, isto é, a partir de elementos naturais, como o Sol, a água, o cavalo, a árvore ou o pássaro, a civilização chinesa desenvolveu desenhos que, depois de estilizados e simplificados, constituem signos que se referem a essas realidades naturais que representam. O ponto de partida é assim muito diferente da nossa escrita fonética ocidental! Assistimos a um video que nos explicava esta origem da língua e da escrita chinesas.

 

   Depois, e após mais algumas explicações, ficámos a saber que os caracteres se organizam de uma forma especial, podendo distinguir-se duas partes, uma esquerda e outra à direita. De seguida, aprendemos concentrámo-nos no desenho de cada um dos traços, retendo algumas técnicas básicas, conforme o sentido e a direção do gesto. A folha que apresentamos abaixo mostra os gestos mais importantes. Nós, como somos apenas iniciados, ficámo-nos pelos cinco primeiros: dian, heng, shu, pie, na, ti.

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    Ensaiámos entusiasticamente, sempre com os braços no ar, os gestos correspondentes a cada um dos traços e, a pouco e pouco, não sem alguma estranheza, lá nos fomos familiarizando com algumas palavras que o professor Sūn desenhou no quadro. Ao mesmo tempo íamos pronunciando os sons correspondentes às palavras apresentadas. Se, de repente, um desavisado visitante nos ouvisse, até era capaz de pensar que éramos uma turma de chineses. Bom, talvez não tão disciplinados!

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   Chegados a esta fase, passámos à prática, desenhando os caracteres no quadro. Já mais confiantes, dividimos o grupo em duas equipas e realizámos uma pequena competição. O professor Sūn mostrou-nos, durante uns escassos minutos, quatro palavras escritas em chinês projetadas no projetor. A nossa missão era memorizá-las para, de seguida, tentar reconstitui-las, em conjunto. Não foi fácil! Parece fácil, mas não é, pois são muitos riscos e rabiscos muito diferentes da caligrafia a que stamos habituados. A verdade, porém, é que, com a ajuda de todos e após várias tentativas, fomos capazes de atingir o objetivo do jogo.

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   Por fim, confirmámos o que já sabíamos da visita da semana passada: a caligrafia chinesa é uma arte. Além da sua função utilitária, de comunicar por escrito, o desenho dos caracteres e das palavras, tradicionalmente em suportes delicados, a escrita chinesa reveste-se de um carácter quase sagrado, é um ritual de fixação e perpetuação das mensagens. Por isso, os autores chineses desenvolviam um estilo próprio, apuravam a sua técnica, sofisticando os gestos e os traços, conferindo aos seus textos uma dimensão artística que os tornava muito valiosos e apreciados.

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   O prof. Sūn ofereceu-nos uns blocos de apontamentos e umas cópias de uns manuscritos tradicionais chineses para comprovarmos exatamente o que ficou dito. As cores, a delicadeza dos traços, os alinhamentos dos caracteres, a preparação dos suportes, os desenhos e ilustrações, enfim, tudo se harmoniza de uma forma atraente e digna de admiração.

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   Aproximava-se a hora de irmos embora. Antes, contudo, ainda tivemos tempo para tirar uma fotografia de conjunto na escadaria exterior. Vale ainda lembrar que o Instituto Confúcio oferece, em regime de frequência livre, vários cursos de Língua e Cultura Chinesas. É uma oportunidade para os familiares e amigos mais velhos dos nossos sócios se iniciarem neste mundo fascinante da cultura chinesa. Para os alunos do nosso Agrupamento, levantamos um bocadinho a ponta de um véu: será que para o ano a nossa escola terá um Clube de Chinês? Talvez.... quem sabe....

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publicado por CP às 21:43
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