Terça-feira, 19 de Maio de 2015

A Maria leu-nos um poema dedicado à diretora do Museu, a Dr.ª Ana Alcoforado. A obra que inspirou este poema é uma Pietá da autoria de Frei Cipriano da Cruz, escultor e frade da Ordem Beneditina que se distinguiu na arte da escultura e a quem a Dr.ª Ana Alcoforado dedicou um importante estudo.

CIMG6787.JPG

 

 

PIETÁ

O corpo não pertence à mãe

é ainda domínio do filho morto. O

corpo não se refere à natureza do divino

somente ao homem é estreme -

  repouso do erro e ilusão sem os quais

nenhuma arte sabe viver.

No corpo morto do filho não

há som nem forma não há cor nem o

olhar avança pouco a pouco p'

lo interior das coisas. Indiferente

a todo o interesse

 

O corpo morto é agora, ainda mais,

abismo por revelar dos mundos

alvo sempre em movimento. Choro

sem visagem uma vela ilumina

em clarão descuidoso, picado a fumo.

 

A mãe, pertença desse filho no abandono

do corpo -

  na feroz dor reppusa a

natureza que vem do espírito

sem a qual nenhuma arte sabe morrer.

 

CIMG6789.JPG

 

Voltámos a subir as escadarias e chegámos ao andar onde se expõe a coleção da pintura. Escutámos a Laura e a Camila lendo dois poemas. Um relativo à «Senhora da Rosa» e o outro ao célebre Tríptico de Santa Clara.

 

SENHORA DA ROSA

Tem uma rosa nas mãos

cardo

em flor - E a Senhora,

da Rosa

pergunta ao Infante seu Filho

que sorri e estende as mãos

para a rosa dessa rosa E

a Senhora pergunta-lhe - Meu

Filho, e se lhe desse esta rosa

este cardo em flor? E

o Infante sorri, sorri ainda bem

mais. Então a Senhora da 

Rosa tirou do seu colo a rosa e

deu-a

àquele

que de rude saial

e de trapos por

manto lhes guardava a imagem

para um tempo sem fim E o 

belo incendeia -

 

  com uma rosa entre os dedos

cardo por florir

 

CIMG6793.JPG

 

TRÍPTICO DE SANTA CLARA

Oh cidade, torre, escura muralha,

adormecida cidadela - à meia-noite vem a

veladora do mosteiro defendê-la. O ouro da

custódia na mão direita

o báculo, que nem espada, na outra mão. Sustêm

os mamelucos o assalto. Em fuga transfixam-

-se em porco, fera que cegou de gordura, estraçalham

retouçam caminhos junto ao rio.

E no mosteiro

em eco

um bater de alpercata de moiro, assim para rapaz

de meia escarlate, saio branco a adejar

largava-se levado, tesão de gume de foice

queria fazer bonito - Vossa

Mercê é servida? Esta laranja de Fez, esta

romã de Granada? O vermelho dessas pernas

preso à tábua de mais vulto, sustância

ardor rodeiam a alba das monjas de Santa Clara.



publicado por CP às 00:25
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