Domingo, 19 de Fevereiro de 2017

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    Esta semana tínhamos agendada uma visita ao Museu Municipal. Porém, por razões imprevistas, tivemos que adiar o passeio e improvisar outro. Como estava um lindo dia de sol, e porque eram poucos os que conheciam o Penedo da Saudade, decidimos rumar a este lindo miradouro da nossa cidade, que até fica relativamente próximo da nossa escola.

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    Este parque foi construído em 1849 e está ligado à cultura e às tradições coimbrãs, pois é aqui, por entre uma bela e diversificada vegetação, que encontramos inúmeras placas comemorativas dos cursos, com versos de fraca qualidade poética, assinalando os aniversários da conclusão das licenciaturas. Na verdade, alguns estudantes instituiram o costume de, anos após a sua passagem por Coimbra, marcarem reencontros na cidade onde passaram a juventude, assinalando essas reuniões com a colocação de lápides neste local. A mais antiga data de 1855, podendo ler-se outras de há dois ou três anos.

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   A Sala dos Cursos e a Sala dos Poetas são os dois espaços mais largos onde se concentram as lápides com os poemas lavrados:

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    O local é tão mitificado que vale a pena transcrever o texto publicado numa obra editada nos anos 40 do século passado, o Guia de Portugal. Trata-se de um roteiro que foi idealizado escrito pelo escritor Raúl Proença que, no entanto, não o conclui por ter falecido precocemente. A obra, que dedicava um volume a cada uma das províncias do país, foi terminada graças à iniciativa de um grupo de escritores amigos, destacando-se Sant'Anna Dionísio que tomou a seu cargo a tarefa da redação. O 3º volume é dedicado à Beira Litoral, destacando-se naturalmente a região de Coimbra e dos seus arredores. Transcrevemos, a acompanhar as fotos captadas durante o nosso passeio, o excerto dedicado ao Penedo:

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   «[Vindo da Rua dos Combatentes] Seguindo para os Olivais, em breve os olhos se perdem e embevecem na contemplação do panorama que se abre do lado sul e do nascente. É a encantadora vista do Penedo da Saudade que principia a desdobrar-se, na sua placidez e amplidão de cenário romântico. Enquanto, ao longe, se desenham os vastos horizontes das montanhas, emerge a dois passos, entre um tufo de arvoredo, a cabeça de António Nobre.» Infelizmente, não tirámos uma fotografia ao busto do poeta, por isso, mostramos uma vista da panorâmica que daí se desfruta.

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   Continuado como o Guia de Portugal: «Em baixo, é uma formosa e vasta concha de olivais. E como o Poeta do Só, quantos adolescentes não penaram, à hora do crepúsculo, as suas indefinidas e surdas ansiedades diante deste cenário! E quantos, nas suas noites de aturdimento (...) não vieram para aqui, no desalinho da sua alegria angustiada, esperar o nascer do sol!»

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   «O flanco do maravilhoso miradouro, excessivamente aformoseado - e irreconhecível mesmo para os que o visitavam há um quarto de século - é cortado de veredas e escadinhas artificiais, ladeadas de sofás de cimento e globos de iluminação, tufos de canas da Índia, numerosas lápides de maus versos e outras inscrições ainda piores, com triviais lembranças de reuniões de cursos.»

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    «Mas, abstraindo de todas essas expressões de menos bom gosto, em que poderemos incluir algumas vivendas invasoras do seu recolhimento, o sítio será sempre grato pela beleza e harmonia dos seus horizontes.»

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publicado por CP às 15:40
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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