Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2017

WP_20170224_15_47_48_Pro.jpg

    Hoje, tínhamos agendada uma visita a umas escavações arqueológicas. No entanto, por razões que não controlamos, não foi possível realizar esse passeio. Fica prometido para o 3º período. Como estava um lindo dia de sol, decidimos pôr em prática o nosso plano B  e seguimos para o Parque Verde do Mondego. Além do mais, como estamos nas véspera do Carnaval, foi uma boa oportunidade para nos divertirmos. Ora vejam lá a Constança e a Inês disfarçadas:

WP_20170224_15_10_54_Pro.jpg

   O Parque Verde do Mondego é um projeto do arquiteto Camilo Cortesão, situado na margem direita do rio, ocupando uma área enorme, de mais de 400 mil metros2. Foi inaugurado em 2004 e foi uma tentativa de recuperar as margens do Mondego, até então desprezadas, convidando as pessoas a frequentarem uma frente ribeirinha preenchida com bares, restaurantes e esplanadas, bem como um parque infantil e extensos relvados, dando continuidade ao Parque Dr. Manuel Braga, mais conhecido como Parque da Cidade.

WP_20170224_15_33_37_Pro.jpg

   Pouco mais de uma dezena de anos passada sobre a inauguração, é desolador passear por esta zona. O projeto foi um fracasso total! Gastou-se muito dinheiro para nada! As esplanadas estão ao abandono e a destruição tomou conta dos espaços. Tudo porque as infraestruturas foram edificadas no leito de cheia pelo que, regularmente, o Mondego transborda e os prejuízos são enormes. Ao fundo, um conjunto de prédios abandonados contribuem para o ambiente desolador. Tudo se degrada lentamente, mesmo o urso, que em tempos já foi de relva natural, apresenta sinais de deterioração, ainda que aguente pacientemente as brincadeiras dos visitantes.

WP_20170224_15_27_40_Pro.jpg

   Depois de umas brincadeiras e correrias, prosseguimos o nosso passeio pela beira rio. Claro que a ponte pedonal nos chamou a atenção, apesar de muito grafitada e com muitos dos seus vidros coloridos estilhaçados, é uma obra que marcou a cidade, unindo as duas margens e permitindo longos passeios, bem como vistas agradáveis sobre as margens do rio e a colina da universidade. A ponte foi projetada pelo engenheiro António Adão da Fonseca e pelo arquiteto Cecil Balmond. Tem uma extensão de quase 275 metros, possuindo ao meio uma esécie de uma praceta central que lembra a memória da célebre Ponte do Ó que, no reinado de D. Manuel I, uniu as duas margens do rio.

WP_20170224_15_37_42_Pro.jpg

   Cheios de sede, por causa das correrias e deste estranho inverno tão solarengo, fizemos uma pausa num bebedouro para matar a sede. 

WP_20170224_15_37_57_Pro.jpg

   O Pavilhão Centro de Portugal foi projetado pelos arquitetos Souto Moura e Siza Vieira para a Expo 2000, realizada em Hannover, na Alemanha. Depois foi remontado aqui no Parque Verde do Mondego para acolher exposições, concertos e outros eventos culturais. Recentemente, o Pavilhão foi cedido pela Câmara Municipal à Orquestra Clássica do Centro, sendo atualmente a sua sede, aqui realizando os seus ensaios e concertos.

WP_20170224_15_48_30_Pro.jpg

   Os arquitetos utilizaram para a construção do pavilhão os materiais tradicionais do nosso país: a cortiça, o mármore rosado de Estremoz e os azulejos. No entanto, uma vez que a manutenção do edifício tem sido pouca ou nenhuma, esta obra destes dois arquitetos - os mais famosos arquitetos portugueses, ambos agraciados com o famoso Pémio Pritzker, considerado assim como uma espécie de Prémio Nobel da Arquitetura - está muito mal tratada, apresentando sinais de degradação e desprezo: a cortiça está cheia de manchas , o mármore grafitado, os azulejos caídos, os canteiros por cultivar e o lixo acumulado em todos os recantos!

WP_20170224_15_52_33_Pro.jpg

   Como a porta estava aberta, entrámos para ver o interior, o espaço de ensaio da Orquestra Clássica do Centro. A sala é ampla e luminosa, mas tudo tem o mesmo ar de desprezo, parece que o tempo parou. Os expositores estão cheios com as mesmas memórias já gastas e repisadas: o fado de Coimbra, as vistas do Mondego, a Torre da Universidade, um painel do pintor Mário Silva e outro de Pedro Olayo, tudo já visto e revisto, com estudantes e tricanas.

WP_20170224_15_56_25_Pro.jpg



publicado por CP às 17:46
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
mais sobre mim
Fevereiro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10

12
13
14
15
16
17
18

20
21
22
23
25

26
27
28


pesquisar neste blog
 
blogs SAPO