Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2015

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Na Sala da Cidade da Câmara Municipal de Coimbra, no antigo refeitório de Santa Cruz, está patente, até ao dia 11 de abril, uma exposição constituída pelas obras de arte reunidas pelo antigo Governo Civil. Este espólio integra, na sua maioria, pinturas de artistas locais sobre temas relacionados com a cidade e com a região, incluindo paisagens, monumentos e cenas quotidianas. As pinturas filiam-se maioritariamente na corrente naturalista, movimento artístico surgido em França e que, no nosso país, se desenvolveu tardiamente, obtendo grande sucesso entre o público nacional, pelo que durou até quase aos finais do séc. XX.

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Com o triunfo do Liberalismo em Portugal, na sequência da Guerra Civil que opôs os Liberais aos Absolutistas, procedeu-se a uma profunda reforma administrativa, criando-se, em 1835, os distritos, que tinham um representante do Estado central, o Governador Civil, que só seria extinto em 2011. Foi então que os espólio artístico reunido pelo Governo Civil de Coimbra foi entregue à guarda do Museu Machado de Castro que, não podendo integrá-lo na sua coleção permanente, decidiu dá-lo a conhecer ao público nesta mostra.

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Carlos Ramos: Manhã de Abril; óleo sobre tela; 1ª metade do séc. XX

Inicialmente, os Serviços de Administração Central do Distrito de Coimbra, denominação original do Governo Civil, estavam instalados na Alta, no Colégio de Santa Rita, conhecido como Paço dos Grilos, que depois foi entregue à Universidade, passando os Serviços para o Colégio de S. João Evangelista, também conhecido como Colégio dos Lóios, até que um incêndio devastou o prédio em 1943. O Governo Civil deslocou-se então para um prédio provisório na avenida Emídio Navarro, em frente ao Parque da Cidade, até que, em 1952, se instalou, até à sua extinção, numa bela residência que pertencera a um professor da Faculdade de Medicina, o Dr. Ângelo da Fonseca.

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Projeto da autoria de Raul Lino da antiga residência do Dr. Ângelo da Fonseca, sede do governo civil desde 1952 até à sua extinção em 2011

Este edifício, localizado sobre a antiga muralha medieval junto à torre de Belcouce, foi projetado pelo arquiteto Raul Lino em 1925. Os projetos dessa casa, juntamente com as autorizações e licenciamentos, fazem parte desta exposição, assim como alguns objetos decorativos. De uma maneira geral, as pinturas que vimos decoravam as diversas dependências e divisões do edifício.

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O ensino artístico na nossa cidade inicou-se em 1878, com a criação da Escola Livre das Artes do Desenho, graças ao empenho de António Augusto Gonçalves. Esta escola funcionava exatamente nestas instalações do antigo refeitório de Santa Cruz, funcionando as aulas em regime livre e noturno. Para além do desenho e da pintura, ensinava-se também o trabalho da cantaria e do ferro forjado.

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Coimbra ficou mesmo muito famosa por causa dos trabalhos em ferro forjado. Ainda hoje, apesar de, lamentavelmente, se ter perdido mais esta tradição, é possível identificar pela cidade vestígios dessa arte, quer no exterior dos edifícios (cataventos, gradeamentos, portões, varandas, batentes de portas,...), quer nas decorações interiores (candelabros, candeeiros, trasfogueiros, etc.). Daniel Rodrigues e Albertino Marques são os nomes mais famosos dessas sucessivas gerações de artesãos do ferro, podendo destacar-se ainda outros nomes como Chaves de Almeida, António Craveiro, José Domingos Baptista, José Campos ou José Pompeu Aroso.

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Em 1889, foi criada a Escola Industrial Avelar Brotero, de algum modo herdeira da anterior e que funcionava nas instalações da atual Escola Secundária Jaime Cortesão. Aí lecionavam alguns mestres que marcaram a vida artística da cidade, como o próprio mestre António Augusto Gonçalves, além de outros nomes como António Vitorino, Silva Pinto ou Leopoldo Batistini. Na década de 50 do séc. XX, finalmente, a Escola Brotero foi transferida para novas instalações, no Bairro do Calhabé, até que, já depois da revolução de 1974, deixou de ser Escola Técnica, passando a ser a atual Escola Secundária Avelar Brotero.

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António Vitorino: Claustro do Silêncio; aguarela sobre papel; séc. XX

Nos finais da década de 50 do século XX, foi fundado o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC), instituição que nós já conhecemos e que se vocacionou mais para a arte contemporânea em associação com a academia e a Associação Académica de Coimbra. Nesta breve resenha, há ainda que assinalar a criação do Movimento Artístico de Coimbra (MAC), onde se destacaram nomes de pintores como Pinho Dinis ou António Pimentel.

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Tivemos oportunidade de deambular demoradamente por esta exposição, conhecendo nomes de pintores como Carlos Ramos (1912 - 1983), um dos nomes mais importantes da pintura naturalista, natural da nossa cidade; bem como Alberto Hébil (1913 - 1998), Pedro Olayo (filho) (n. 1930), ou os recentemente falecidos José Berardo e Monsenhor Nunes Pereira.

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publicado por CP às 17:37
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