Sexta-feira, 11 de Novembro de 2016

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    Coimbra possui, provavelmente, o museu mais pequeno do Mundo! Se é que é um museu, não sabemos lá muito bem! Localiza-se na Praça Cortes de Coimbra, não muito longe da ponte de Santa Clara, na margem esquerda do Mondego. É um ponto central da nossa cidade, diariamente passam ali, a pé ou de carro, milhares de pessoas. Possivelmente alguns nem reparam naquela construção, outros não ligam e, no máximo, acham estranha aquela palavra - «Museu» - pintada nuns vidros colocados sobre as duas portas do edifício. 

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   Este projeto foi pensado em 2001, enquanto projeto de arte pública, por um dos mais consagrados nomes da nova geração de artistas portugueses, Francisco Tropa. Na altura, foi apresentada uma maqueta numa galeria de arte. Era apenas uma ideia para ser executada e instalada numa praça pública. Era um paralelipípedo atravessado por um corredor com duas portas para o exterior, ostentando, por cima, duas janelas envidraçadas com a palavra «Museu» pintada. Lá dentro, de cada um dos lados desse corredor, dois vidros limitavam duas pequenas salas destinadas à exibição de peças e obras de arte.

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   Este Museu foi construído por ocasião da Anozero - Bienal de Arte Contemporânea, que decorreu na nossa cidade nos finais de 2015. Pretende ser uma intervenção artística mas também uma infraestrutura cultural destinada à exibição de obras de arte. Para este efeito, este Museu é gerido por um Diretor, tem um Curador e um Conservador. A novidade é que o Museu terá exposições com objetos sugeridos pelos cidadãos. Na verdade, qualquer cidadão pode sugerir um objeto a expor, basta para o efeito que envie a sua proposta ao diretor do Círculo de Artes Plásticas, acompanhada de um texto justificativo, podendo usar o seguinte endereço eletrónico: capc.geral@gmail.com

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   Cada um pode sugerir o que bem entender, sujeitando-se apenas a uma condição: que a peça possa ser introduzida no espaço expositivo através das aberturas colocadas na cobertura do edificío. Se a proposta for selecionada, a peça, ou peças, será apresentada aos visitantes, de acordo com os critérios do curador e do conservador. De resto, podem exibir-se objetos, instalações, pinturas, esculturas ou até sons, não se impondo qualquer limite à criatividade de cada um, basta que caiba naquela abertura!

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   Para já, nesta primeira exposição, o Museu exibe algumas peças curiosas: um livro de Roberto Bolaño, um famoso escritor chileno já falecido, que aqui é apresentado por proposta de Delfim Sardo. Desta forma, questionamo-nos sobre o modo como o objeto-livro, desenquadrado do seu espaço normal - uma biblioteca, por exemplo - e colocado num espaço museológico, adquire um novo e surpreendente valor simbólico. Temos ainda duas pequenas pedras de xisto pintadas de modo a sugerir duas máscaras e um conjunto de luvas brancas sobrepostas, instalação de Nuno Grande intitulada «Em boas mãos». Há ainda, numa das paredes laterais, uma curiosa fotografia de Jorge das Neves.

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João Maria André: Rostos inscritos na pedra

   Ao fundo, no topo desta vitrina e sob um enigmático título (Quente), um texto explicativo anuncia o tema da próxima Bienal de Arte Contemporânea que se realizará em 2017. Do outro lado, Frio, uma fotografia desoladora de uma floresta queimada, fria portanto, porque despida de vida e tomada pela devastação, embora exibindo os efeitos da passagem destruidora de um incêndio. Por baixo, um número que nos recorda a área ardida e, enrolada no chão, uma mangueira usada pelos bombeiros para combater os fogos florestais. Tudo isto é perturbador, pois o nosso espírito é invadido por uma sucessão de ideias que nos conduzem a uma reflexão sobre um conjunto de temas e problemas muito atuais, ganhando novo alcance o tema da próxima Bienal: Curar e Reparar.

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   Na hora de ir embora, é interessante comparar este pequeno Museu com um museu tradicional, um desses museus nacionais muito grandes, como o Museu Nacional Machado de Castro, por exemplo. Este Museu do Francisco Tropa não tem câmaras de vigilância, nem obras de arte valiosas, nem filas de turistas à porta, não tem sequer portas e não se paga bilhete! Somos então convidados a uma reflexão final: o que é um Museu?

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 A malta do Clube a refletir: O que é um museu?



publicado por CP às 23:28
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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