Domingo, 11 de Fevereiro de 2018

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   As regras eram simples: 1- Não correr; 2 - Não gritar e 3 - Não tocar em nada. Depois, cada um tinha que escolher uma peça da coleção de escultura do Museu Machado de Castro e manter segredo. O objetivo era, no final e já no pátio central, representar por gestos a figura escolhida, para que os companheiros pudessem adivinhar. Todos tinham ainda que lançar um olhar sobre as etiquetas identificativas das restantes peças para poderem ter uma ideia do que os colegas estavam a tentar traduzir por mímica. Ora vejam lá se conseguiam adivinhar a representação do António e do Tiago?

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   A Laura também se esforçou com o Cavaleiro Medieval. Trata-se de uma escultura do cavaleiro Domingos Joanes, proveniente da Capela dos Ferreiros, de Oliveira do Hospital, da autoria do famoso Mestre Pêro. A Laura insinuou um ligeiro trote, como se montasse a cavalo, e ninguém hesitou, era mesmo o Cavaleiro, uma das obras mais conhecidas do Museu.

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   Também não foi difícil adivinhar a escolha do Canelas. Proveniente do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, o Cristo no Túmulo data dos finais do séc. XIV ou do início do seguinte. É um excelente trabalho, pois não é fácil esculpir um corpo morto. O jacente, tal é o nome dado às figuras representadas deitadas, é uma das melhores peças da nossa escultura medieval. Em baixo, vemos três soldados adormecidos com espadas e escudos. Mas o Canelas fez de Cristo! Ora vejam lá as semelhanças:

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   O João Sobral e o Afonso, meio a sério e meio a brincar, optaram por uma representação de Cristo atado à coluna. É uma obra da autoria do famoso João de Ruão, da primeira metade do século XVI, que pertenceu ao Mosteiro de Celas. Está muito danificada, pois é produzida em calcário de Ançã, como quase todas as obras desta coleção. Este material se por um lado é muito fácil de trabalhar, por outro degrada-se facilmente. Quanto ao quadro feito pelos nossos amigos, nem o Sobral se parece muito com Cristo, nem o Afonso tem cara de coluna, mas enfim, um gesto vale por mil palavras e aquele abraço permitiu uma fácil identificação.

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 A Ana Eduarda foi dos melhores desempenhos e foi o mais difícil de adivinhar. Não por falta de talento, pois a sua gesticulação foi rica e muito sugestiva. Até pedimos para ela repetir no final e, mesmo assim, não conseguimos acertar, pois ela selecionou uma imagem tão discreta que nem me lembrei de tirar uma foto. Uma pena, mas é um bom pretexto para visitarem o Museu e procurarem o Amaro! Para já, fiquem com a Ana!

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   A figura de S. Miguel é originária da igreja com o mesmo nome, em Montemor-o-Velho. Foi provavelmemnte encomendada pelo Infante D. Pedro, regente do trono e irmão do Infante D. Henrique, conhecido pela sua devoção a este santo. Vemos o arcanjo a trespassar um dragão, símbolo do mal, faltando-lhe já a lança. Na outra mão segurava uma balança destinada a pesar as almas, isto é, a comparar as boas com as más ações cometidas por cada um em vida. A imagem é um bocado efeminada, apresentando muitos detalhas requintados, como o diadema que tem na cabeça, o cinto e o debruado do manto. O seu autor foi Gil Eanes, escultor fomado na oficina do mosteiro da Batalha e que não se deve confundir com o navegador homónimo. Os nossos amigos Afonso e Tomás não tiveram muita dificuldade em reproduzir o cenário e o gesto que permitiu uma identificação imediata!

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   O Tomás optou por uma imagem menos teatral e por uma mímica menos exuberante. Foi muito discreto e optou por se centrar no gesto de leitura, pois a imagem que tinha em mente, Santo André, exibe um ar muito concentrado, ostentando um livro aberto na mão esquerda. Ora avaliem lá as semelhanças! A Susana apresentou uma figura com um gesto parecido. Julgo que não era o Santo André, mas sinceramente também já não me lembro qual era a imagem. Fica o registo.

Diogo_Pires_o_Velho_Santo_André_2_IMG_1160.JPGWP_20180209_15_58_37_Pro.jpgWP_20180209_15_57_44_Pro.jpg

   O Arthur, sempre meio tímido e distante, não se escusou ao exercício que lhe propusemos e apresentou uma das peças mais impressionantes da coleção do Museu, nada mais do que o famosíssimo Cristo Negro, de todos conhecido. No entanto, e infelizmente, só já o consegui apanhar na fotografia quando ele descia os braços. Fica, apesar disso, o registo da sua prestação.

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   Penso que a Alice figurou a estátua de Santa Luzia, mas já não tenho a certeza. Esta obra deve-se igualmente ao Mestre Pero e mostra a mártir a exibir os seios, uma vez que lhes foram cortados como castigo por não renegar a fé cristã. Esta estátua veio de uma capela de Avelãs de Caminho, localidade próxima de Anadia. O culto de Santa Ágata foi muito popular na Idade Média, tal como outras mártires do Cristianismo primitivo, como Santa Comba, que tem uma estátua mesmo ao lado desta.

 

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   A Madalena teve muita graça, limitando-se a encolher os braços e a esconder a cabeça entre os ombros, pois a obra que selecionou está danificada e não tem cabeça!

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   A Constança, que nos apareceu neste dia mascarada de camponesa do séc. XIX, em parceria com a Sofia simularam o retábulo da Nosa Senhora da Misericórdia, mostrando que retiveram a lição do Raúl Moura Mendes que nos guiou numa visita ao Museu da Misericórdia, há poucas semanas atrás. Nessa ocasião, ensinou-nos que, iconograficamente, A Senhora da Misericórida surge sempre com um manto que protege os diversos representantes do clero, da nobreza e, por vezes, até do povo. A primeira fotografia desta publicação mostra esta cena. Além disso, e porque a Constança é uma das nossas sócias mais diligentes, ainda representou outra imagem. Ora tentem adivinhar qual que eu já não me lembro, pois, por esta altura, já começava a ficar baralhado!

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  Já o Francisco e o Tiago, sempre muito entusiastas, julgo que ficaram impressionados com a história da lactação de S. Bernardo e parece que, com alguma liberdade e desvio iconográfico, encenam o quadro que a todos sensibilizou pelo ineditismo meio bizarro dessa lenda que procurava justificar o brilhantismo intelectual de S. Bernardo de Claraval.

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   Tenho que pedir desculpa à Carlota pois, com toda a sinceridade, já não me lembro qual foi a peça que ela evocou com a sua gesticulação. Fica o desafio: visitem o Museu Nacional Machado de Castro, tentem adivinhar e, se vos apetecer, enviem os vossos palpites!

 

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publicado por CP às 21:12
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