Sábado, 07 de Outubro de 2017

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   Mais um ano letivo e mais uma temporada do Clube do Património. Este ano sofremos uma grande renovação, pois que só três sócios permanecem do ano passado. São muitas as caras novas e ainda nem todos marcaram presença na nossa primeira saída. Assim, o primeiro objetivo é integrar os recém-chegados no espírito do Clube. Para isso, contámos com a ajuda da nossa sócia "veterana", a Constança, que deu as boas-vindas a todos, iniciando as apresentações junto à estátua de Avelar Brotero, no Jardim Botânico, onde iniciámos o nosso primeiro passeio.

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   Estava um dia de calor intenso, muito pouco normal para esta estação outonal, pelo que o bebedouro no início do nosso percurso na Mata do Botânico foi muito concorrido, e poucos se preocuparam com as magníficas vistas panorâmicas que daqui podemos usufruir. Esta Mata esteve encerrada durante décadas, tendo sido recentemente objeto de um plano de recuperação da responsabilidade da Universidade e da Câmara Municipal com a ajuda de fundos europeus, sendo inaugurada no início do mês de julho.

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    "O património vegetal desta área de mais de 9 hectares é composto maioritariamente por árvores centenárias, vegetação em crescimento livre e o bambuzal, sendo possível ainda encontrar património edificado, do qual se destacam a Estufa-fria, a Capela de São Bento e a Fonte dos Três Bicos. É também possível ver o antigo Reservatório de águas da cidade e vestígios da Muralha de Coimbra. Com a abertura da Mata, a Baixa e a Alta da cidade de Coimbra ficam ligadas não só por um caminho pedonal, mas também pela Linha do Botânico, servida por um autocarro híbrido que fará o percurso ascendente entre o portão da Rua da Alegria e o Portão da Rua do Arco da Traição." (1)

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    Pelo caminho, gozando da sombra refrescante e do silêncio que nos faz esquecer que nos encontramos no coração da cidade, sempre podemos apreciar belas flores. Nem todos os percuros se encontram abertos à circulação dos transeuntes, pois não podemos esquecer que este local tem zonas muito sensíveis e destinadas ao estudo dos cientistas. Descendo até à Rua da Alegria, lá nos cruzámos com um pequeno autocarro que faz o percurso desde a Porta do Arco da Traição, local onde outrora se localizava uma das portas do antigo castelo destruído no séc. XVIII. Nós optámos por realizar o percurso a descer, nem é preciso explicar porquê....

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   O Jardim Botânico da Universidade de Coimbra foi criado em 1772, no âmbito da Reforma Pombalina, para acolher uma coleção de plantas vivas que auxiliasse o ensino das ciências médicas. Atualmente, a investigação científica, a conservação da biodiversidade e a educação são os pilares da missão deste Jardim. Pelo seu valor patrimonial, edificado e vegetal. este Jardim Botânico está inscrito na lista de Património Mundial da Humanidade da UNESCO.

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   A nossa primeira paragem foi no reservatório de água, a primeira cisterna para abastecimento da cidade, construída nos finais do séc. XIX. O primeiro projeto de captação e canalização de água para abastecimento urbano surgiu da iniciativa de Augusto da Costa Simões (1819-1903), que foi reitor da Universidade, administrador dos Hospitais e presidente do Município. As águas eram elevadas do rio Mondego, junto ao porto da Ínsua dos Bentos, por um tubo aspirador colocado a 3 metros de profundidade. Para as elevar até este depósito, muito acima do rio, era usada uma máquina a vapor, importada de Paris.

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   Um pouco mais abaixo, encontramos a capela de S. Bento. Esta pequena construção data do séc. XVII. É uma espécie de ermida que pertenceu à ordem beneditina, antiga proprietária destes terrenos, destinada ao recolhimento e oração, aproveitando uma fonte existente no interior, onde se encontra uma estátua de S. Bento, o fundador e patrono desta ordem religiosa.

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   Já quanto ao bambuzal, a sua plantação iniciou-se em 1890 e foi conduzida por Júlio Henriques, botânico e diretor deste Jardim durante 40 anos. Atualmente, o bambuzal ocupa  cerca de um hectare da Mata, sendo dominado pela espécie Phyllostachys bambusoides, estranho nome científico para o Bambu-gigante! Esta planta atravessa várias fases de desenvolvimento que passam pelo crescimento e endurecimento da cana ao desenvolvimento de ramos e folhas. Em condições ideais podem crescer até 5 cm por hora e atingir os 8 metros de altura!

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    Já próximo do final do percurso pedonal, podemos ainda encontrar um belo fontanário, a Fonte dos Três Bicos, atualmente seca e a necessitar de algumas obras de conservação, bem como de um painel explicativo. Terminámos o nosso passeio no portão de ferro forjado na Rua da Alegria. Vale a pena lançar um último olhar a esta obra, antes de nos dirigirmos à paragem de autocarro, na Ínsua dos Bentos, para regressarmos à nossa escola.

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 (1) Para a redação deste texto foram utilizados excertos do sítio eletrónico da Universidade de Coimbra, bem como dos painéis informativos disposto no itinerário que visitámos. (https://www.uc.pt/jardimbotanico/noticias_01/abertura_mata)



publicado por CP às 09:59
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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