Sexta-feira, 05 de Maio de 2017

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   Já uma vez, há muitos anos, o nosso Clube promoveu uma visita ao Jardim Botânico. Quem quiser ler o relato, apreciar as fotografias e conhecer os sócios de então, pode seguir esta hiperligação. Agora, regressámos de uma maneira diferente, pois fomos recebidos muito amavelmente, mais uma vez, pela mãe do Tomás, a arqueóloga Sónia Filipe, além da eng.ª Carina Monteiro que nos propiciaram uma visita inesquecível. Depois de umas palavras introdutórias de boas-vindas, ficámos a saber um pouco mais sobre a história deste verdadeiro Museu Vivo.

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   Criado no âmbito da Reforma da Universidade promovida pelo Marquês de Pombal em 1772, o Jardim foi uma das realizações mais importantes desse plano, pois inaugura uma nova forma de estudar e de entender a Natureza. O seu primeiro responsável foi o reputado sábio italiano Domingos Vandelli, vindo para a nossa cidade do Jardim Botânico da Ajuda, em Lisboa, onde trabalhava. O Jardim ocupa uma área que corresponde aproximadamente a 14 campos de futebol e que pertencera anteriormente aos frades beneditinos. Para a construção dos socalcos e dos diversos patamares foram utilizados os destroços e o entulho resultantes da demolição do castelo e da cerca dos jesuítas, bem como de outros prédios que o Marquês mandou deitar abaixo para edificar o observatório astronómico. Por isso, é muito frequente, quando se fazem obras na atualidade, encontrar uma pedra da muralha medieval, do castelo, ou um qualquer vestígio de outro período histórico, exigindo-se a presença da arqueóloga.

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   Após esta introdução, iniciámos um percurso com o objetivo de conhecermos algumas plantas, selecionadas pela eng.ª Carina, e algumas curiosidades sobre a arquitetura do Jardim, fornecidas pela arqueóloga Sónia, que é a mãe do nosso Tomás, como devem estar recordados. A primeira paragem foi junto a uma sequóia. Trata-se do maior ser vivo terrestre que existe no nosso planeta. É uma árvore originária da América do Norte, onde chegam a viver séculos e séculos e a atingir os 100 metros de altura! O seu nome científico é Sequoia sempervirens, pois mantém sempre a sua folhagem verde, embora seja mais frequentemente designada como sequoia verrmelha. Curiosa é a sua pinha, muito pequenina para uma árvore tão grande.

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   Um pouco adiante deparamos com uma curiosíssima árvore que, na nossa cidade é designada por árvore do ponto, uma vez que as belíssimas flores despontam nesta altura do ano, lembrando aos estudantes que se aproximam os exames, pelos que é hora de estudar mais afincadamente.

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   Como essas flores se assemelham a tulipas, a árvore é também conhecida como Tulipeiro da Virgínia, pois é originária da América do Norte, tendo um uso ornamental muito frequente no nosso país.

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    Logo ao lado, fica a estátua de Avelar Brotero (1744-1828), da autoria do escultor Soares dos Reis. Brotero foi um distinto cientista da Universidade de Coimbra que, depois de estudar com sucesso em França, foi nomeado lente da Universidade, distinguindo-se nos estudos botânicos. Dedicou-se ainda à actividade política, tendo sido eleito deputado às Cortes Constituintes em 1820. Suicidou-se em 1828 e em 1887 a Universidade decidiu homenageá-lo com a inauguração desta estátua. Podemos ainda apreciar o portão principal em ferro forjado, da autoria de Manuel Galinha e datado de 1844.

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   Na direção oposta, gozamos uma vista privilegiada sobre o quadrado central. É o coração do Jardim. Foi concluído em 1791, já no reinado de D. Maria I, sendo por isso o pórtico que lhe dá acesso conhecido pelo nome dessa rainha.

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   Neste terraço, de cada um dos lados da estátua, encontramos duas magníficas gingko bilobas, famosas pelos seus usos medicinais. Experimentem digitar o nome desta árvore no Google e reparem na sua popularidade e nas suas inúmeras aplicações medicinais e cosméticas. Mas a Carina contou-nos uma outra história que pouca gente sabe: as fêmeas desta árvore exalam um cheiro tão fedorento que é frequentemente descrito como lembrando um animal morto. Por isso, são raramente plantadas e há notícias de, em tempos, na nossa cidade, a população ter solicitado o abate de uma árvore destas, pois o seu cheiro era insuportável!

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   Prosseguindo para odores muito mais agradáveis, conhecemos um muito bem cheiroso eucalipto-limão, que afinal não é um eucalipto, pois a sua classificação científica foi corrigida há uns anos, depois de se ter chegado à conclusão que as suas características não se encaixarem na classificação que então possuía. Basta olhar para a semente de um eucalipto (na mão direita da Carina) e comparar com o desta árvore.

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   Cientificamente, em latim, é então designada como corymbia citriodora. A sua característica mais importante é o intenso cheiro a limão, utilizado pelos fabricantes de detergentes para que os seus produtos exalem este odor. Uma vez que o seu tronco, que pode atingir altura muito elevada, tem uma manchas brancas e cinzentas, também é por vezes referida como árvore fantasma.

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A árvore mais alta do Jardim Botânico é proveniente da Nova Caledónia, colónia francesa do Pacífico, e chama-se araucaria rulei. Foi plantada pelo Dr. Júlio Henriques, antigo diretor do jardim, dando assim o seu contributo para evitar a extinção desta  árvore que se encontra ameaçada. Tem 43 metros de altura e é visível da zona ribeirinha, onde se tem uma perceção melhor da sua dimensão.

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   Outr araucaria se encontra nas proximidades, embora de um género diferente, designada como araucaria bidwillii. Embora não seja tão alta, tem uma característica muito engraçada, é que produz umas pinhas enormes, que chegam a atingir 10 kG, obrigando os responsáveis do Jardim a adotarem medidas de prevenção. para evitar acidentes que podem ser fatais, na altura em que se deteta uma pinha madura a ameaçar desprender-se!

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   A Avenida das Tílias é um dos locais mais apreciados pelos visitantes, pois a alameda, plantada nos finais do século XIX, fornece uma moldura idílica, sombria, refrescante e propícia a longos passeios românticos. Na altura da floração o aroma é muito agradável e relaxante. A tília é utilizada para produzir infusões que possuem, segundo se crê, capacidades calmantes. Por isso, quando se sentirem nervosos, venham para aqui correr e respirar este ar e, no final, se não se sentirem mais relaxados, estarão pelo menos mais cansados!

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   Chegados ao Quadrado Central, ficámos a saber que é um jardim geométrico, construído ao gosto francês, também chamado de estilo romântico. Aqui chega a água canalizada a partir de minas subterrâneas, que são visitáveis, e que trazem, num fluxo constante e a uma temperatura sempre igual, da zona arenítica situada sob a zona da Avenida Dias da Silva, nas proximidades da Escola Secundária José Falcão. O arenito funciona como uma esponja gigantesca que retém a água e a vai libertando lentamente, sendo o caudal canalizado para regar as plantas e os canteiros do Jardim. Em alguns locais existem tampos de pedra que dão acesso a esse emaranhado de túneis que, por vezes, são abertos ao público em visitas sempre muito concorridas.

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   A fonte central foi aqui colocada nos meados do século XX e funciona como um tanque de retenção dessas águas. Esta parte do Jardim é a mais fotografada pelos turistas e visitantes. Ainda hoje, e desde há muitos anos, jovens noivos, estudantes, namorados, turistas e outros visitantes não resistem a apontar as suas objetivas e a registar a beleza deste espaço. Por isso, numa ideia muito original, os responsáveis decidiram lançar um convite à população: procurem fotografias antigas deste quadrado central e tragam-nas para a exposição. Participe! Para saber mais siga esta ligação.

  Muito curiosa é uma árvore designada corticeira, mas cujo nome científico é erythrina crista-galli, foi plantada por Brotero, é pois bicentenária. Está muito velhinta, está oca, mas ainda está viva!

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   Uma das árvores mais famosas do Botânico, senão mesmo a mais famosa, é a impressionante figueira estrangualdora, assim chamada porque os seus frutos, não comestíveis, se assemelham a figos e porque as suas raízes serpenteiam por todo o espaço em redor, abraçando todos os obstáculos. A sua copa tem uma largura de 37 metros! Imaginem bem, 37 metros!

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   Por fim, aproximando-se o final da nossa visita, porque o tempo escoava e não porque não houvesse muitas coisas mais para visitar e conhecer, dirigimo-nos até à estufa grande. Trata-se de um magnífico exemplar da chamada arquitetura do ferro e do vidro. O projeto foi apresentado por um engenheiro chamado Pedro Pezerat e, 1854, sendo a obra concluída cerca de uma década após. A mãe do Tomás mostrou-nos algumas fotografias antigas.

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   Depois de ter atingido um estado de degradação, recentemente, aproveitando a classificação do Jardim Botânico como Património da Humanidade, a Universidade encetou obras de recuperação, a cargo do arquiteto conimbricense João Mendes Ribeiro. O projeto de restauro, que já foi premiado, devolveu à estufa a sua beleza original. Nós tivemos o privilégio de a visitar, pois ainda não está aberta ao público, nem as plantas estão instaladas. Apreciem então, em exclusivo, as fotografias.

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   No final, o momento mais ansiado, aquelas plantas que suscitam a curiosidade de todas as crianças que visitam o Jardim Botânico: as plantas carnívoras! «Onde estão as plantas carnívoras?» foi a pergunta mais ouvida ao longo de toda a visita. Ei-las:

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publicado por CP às 22:29
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