Sexta-feira, 21 de Outubro de 2016

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   O Movimento de Expressão Fotográfica - MEF é uma associação privada fundada no ano 2000 que tem como objetivo a promoção da fotografia e da arte de fotografar junto do público em geral. O MEF estabelece várias parcerias com outras instituições que desenvolvem a sua atividade na área social, oferecendo formação a públicos desfavorecidos como, por exemplo, cidadãos com deficiência, ou pessoas economicamente carenciadas ou em risco de exclusão social. Por outras palavras, este movimento procura utilizar a fotografia como forma de inclusão social.

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   Nos anos de 2014 e 2015, o MEF desenvolveu um projeto que intitulou Integrar pela Arte / Este Espaço Que Habito em colaboração com o Ministério da Justiça, através dos Serviços de Justiça Juvenil, com o apoio financeiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Esta iniciativa desenvolveu-se em seis Centros Educativos do país: os Centros Educativos da Bela Vista e Navarro de Paiva, ambos em Lisboa; o Centro Padre António Oliveira em Caxias; o de Santo António, no Porto; o Centro Educativo do Mondego, na Guarda; e o dos Olivais, em Coimbra.

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   O projeto contou com a participação de 172 jovens que cumprem, nessas instituições, medidas tutelares de internamento. Estas medidas aplicam-se as jovens menores, por decisão de um tribunal, afastando-os temporariamente do seu meio habitual, na sequência da prática de crimes previstos na lei. O objetivo é fazer com que «interiorizem os valores conformes ao direito e adquiram capacidades que lhes permitam, no futuro, conduzir a sua vida de modo social e juridicamente responsável.»

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  No final desses dois anos, apresentam-se agora as imagens produzidas. Para a captação das fotos foi utilizada uma técnica simples, quase rudimentar, conhecida como fotografia estenopeica que  consite na utilização de uma caixa fechada de modo a que a luz não penetre, a não ser por um pequeno furo, sensibilizando assim a película colocada no interior. O tempo da exposição, ou seja, a entrada da luz, é variável e controlado pelo utilizador. O negativo obtido apresenta um efeito muito particular, sendo ampliado e iluminado em painéis distribuídos pela sala de exposições.

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   Percorremos o circuito expositivo sem conseguir esconder uma grande emoção, pois afinal são colegas pouco mais velhos do que nós que, infelizmente, não tiveram o amparo e a proteção que todos merecem, pelo que percorreram caminhos que os levaram à prática de crimes. As fotografias revelam esse quotidiano quase prisional e é muito comovente ver aquelas imagens em que, como explicou a Margarida, um jovem exibe na palma da mão um terço, símbolo religioso que facilmente se conota com a crença num futuro melhor, ou aquela outra imagem em que um cavalo branco, que quase todos relacionaram com a Liberdade de que todos os jovens estão privados nestas instituições. 

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  Uma das imagens mais chocantes foi aquela em que um miúdo, com o rosto propositadamente desfocado de modo a proteger a sua identidade, exibe no braço uma tatuagem com a frase em inglês Only god can judge me, o que se traduz por Só deus pode julgar-me, o que não deixa de ser irónico no antebraço de uma criança que cumpre pena de internamento num Centro Educativo por determinação de um juíz!

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    Enfim, vale bem a pena uma visita, aceitem o nosso conselho e desloquem-se ao antigo refeitório de Santa Cruz, na Sala da Cidade, até ao dia 19 de novembro, entre as 15:00 e as 19:00. Lembrem-se que a exposição está encerrada aos domingos e segundas-feiras.

 



publicado por CP às 17:47
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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