Segunda-feira, 01 de Maio de 2017

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   A sala de exposições temporárias do Museu Nacional Machado de Castro exibe, até ao próximo dia 6 de junho, no âmbito da atividade designada Tesouros Partilhados, que já nos levou a conhecer um pouco mais sobre os tapetes de Kashan, uma série de 26 esmaltes pertencentes ao Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, e que, outrora, pertenceram ao Mosteiro de Santa Cruz. Aceitem o nosso conselho: não percam esta oportunidade única de conhecer estas peças únicas.

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   O esamlte pintado sobre cobre é uma arte do fogo que obteve especial apuro no séc. XVI, na região de Limoges, em França. Aí se estabeleceram numerosas oficinas que adquiriram fama. É de uma dessas oficinas que provém esta série que representa cenas da Paixão de Cristo. O conjunto pertenceu ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, tendo passado para a posse do Estado em 1834, na sequência da extinção das ordens religiosas. Os esmaltes foram levados para o Porto, integrando a coleção do então Museu Portuense, cujo espólio passaria depois para o Soares dos Reis.

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   As peças não apresentam hoje qualquer estrutura de suporte, mas é provável que formassem uma espécie de retábulo, constituindo um conjunto único em Portugal. Aliás, mesmo a nível internacional, subsistem 24 placas esmaltadas na Wallace Collection de Londres, além de outras 27 avulsas que pertencem a coleções do Ermitage, do British Museum, do Metropolitan de Nova Iorque, e de outros museus em Los Angeles, Lyon ou Paris. Todas estas peças replicam cenas das 36 gravuras que constituem o ciclo da Pequena Paixão de Albrecht Durer, de 1511.

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   Esta série agora exposta é mencionada por um frade do Mosteiro, chamado D. José de São Bernardino, num manuscrito em que descreve o trono das relíquias, isto é, um monumento em que, no séc. XVIII, estavam colocados os muitos relicários que os frades possuíam.

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   As placas esmaltadas fixam com um detalha e um pormenor impressionantes os passos do martírio e morte de Cristo, iniciando-se com a Queda do Homem e a Expulsão do Paraíso. 

 

 

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Este texto foi adaptado a partir da folha de sala facultada aos visitantes à entrada da exposição, intitulada Pintar com Fogo / Cenas da Paixão de Cristo nos esmaltes de Santa Cruz.



publicado por CP às 19:26
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