Sábado, 29 de Outubro de 2016

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   O Cinema Quarteto era uma sala de cinema de Lisboa, em tempos muito apreciada por causa da sua programação de qualidade e também por, dispondo de quatro salas, oferecer sempre várias alternativas aos espetadores. Agora, no Colégio das Artes, em Coimbra, a curadora Alice Geirinhas lembrou-se de sugerir uma ligação entre o cinema e a arte contemporânea, evocando a memória dessa sala de espetáculos da capital. Quatro artistas expõem os seus trabalhos em quatro salas e daí o título dado à mostra: Cinema Quarteto, 4 salas, 4 artistas.

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    Os artistas são jovens designers e ilustradores, estudantes de Design e Multimedia. Na primeira sala, expõem-se os trabalhos de André da Loba, um autor multifacetado que trabalha como escultor, ilustrador, realizador de video, designer gráfico e artista digital.

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   Além de dois filmes produzidos digitalmente e projetados continuamente numa das paredes, concentrámo-nos particularmente na parede oposta onde, sob o título Salão dos Rejeitados, o artista produziu uma profusão de esboços e  desenhos, acompanhados de enigmáticas legendas, e que a curadora considera uma espécie de «mapa psico-mental» do autor.

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    O «Salão dos Rejeitados» ou dos Recusados, foi uma exposição organizada em Paris, em 1863, que adquiriu uma enorme importância na história da arte, e que foi organizada pelos pintores cujas obras foram rejeitadas pelos membros da Academia das Belas-Artes de Paris. A verdade é que essa mostra dos Recusados obteve um grande sucesso e, daí em diante, até como uma forma de afrontar o gosto oficial da Academia, foram-se organizando várias exposições independentes que lançaram os nomes mais importantes da pintura europeia das últimas décadas do séc. XIX.

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   André da Loba, a partir dessa referência, apresenta os seus cadernos de apontamentos onde desenha e anota as imensas ideias do seu quotidiano. Naturalmente, nem tudo é aproveitado no processo criativo, pois os artistas são obrigados a selecionar e a desenvolver apenas algumas das ideias, sendo que, assim, muitas outras produções da sua mente são simplesmente rejeitadas. Agora, algumas dessas imagens da sua inspiração são redesenhadas na parede, estando evidentemente condenadas a desaparecer quando a exposição for encerrada, o que sucede a todas as ideias rejeitadas, isto é, são esquecidas!

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    Nas bancas dispostas ao centro da sala, podemos apreciar a produção gráfica do artista, destacando-se um livro que, com o título Roturas e Ligamentos, apresenta uma particularidade interessante, pois está de tal forma concebido que oferece um conjunto de poemas e, num outro caderno articulado, uma série de ilustrações, tudo de tal forma organizado que o leitor pode escolher, através deste sistema engenhoso, a ilustração que mais lhe agrada para acompanhar a leitura de cada poema!

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   João Fazenda é o artista da segunda sala. É um criativo muito conhecido porque os seus desenhos ilustram os livros de Ricardo Araújo Pereira. Produz igualmente capas de discos, é autor de Banda Desenhada e recebeu recentemente o Prémio Nacional de Ilustração, atribuído ao seu livro, aqui exposto, Dança.

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   Aqui, os trabalhos expostos mostram o processo criativo do autor. Fazenda parte de um conjunto de manchas e traços feitos no papel quase espontaneamente e que depois digitaliza. Numa segunda fase, trabalha essas manchas, completando-as depois com o seu computador. É um mecanismo muito original e que combina os meios digitais com os processos tradicionais de desenho e composição.

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   Lord Mantraste é o pseudónimo artístico do designer cujos trabalhos ocupam a terceira sala. Mantraste estudou na Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha. Os trabalhos que aqui expõe, muito coloridos e apelativos, utilizam uma técnica designada risografia. Trata-se de um processo de impressão, relativamente recente, pois foi desenvolvido nos meados da década de 80 do século passado no Japão e que é um processo misto entre a impressão tipográfica em offset e a fotocópia normal.

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   Na última sala estão afixados cerca de 4000 desenhos! Sob a designação Pandora Complexa apresentam-se dois artistas, Júlio Dolbeth e Rui Vitorino Santos. O nome provém de um blogue que ambos mantiveram entre os anos de 2006 e 2013. Aí, nesse espaço virtual, foram publicando diariamente dois desenhos, alimentando um longo diálogo que foi obtendo muito sucesso e angariando muitos seguidores.

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   Agora, os dois autores aproveitaram esses desenhos e montaram esta instalação. As quatro paredes estão totalmente preenchidas com as folhas desse diálogo. O efeito geral produzido é muito curioso, pois sugere um amontoado de hieroglifos. No entanto, aproximando o olhar, vamos isolando cada um dos bonecos, reconhecendo-se perfeitamente o estilo de cada colaborador.

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  É verdade que os desenhos são muito enigmáticos, alguns até atrevidos, ilustrando diferentes estados de espírito e remetendo para situações distintas do longo diálogo mantido pelos autores no ciberespaço. Alguns são divertidos, outros assustadores, uns convidam a um olhar detalhado, outros merecem apenas uma passagem de olhos, mas todo o conjunto não deixa de ser surpreendente e muito original.

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publicado por CP às 00:15
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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