Sexta-feira, 07 de Novembro de 2014

CIMG5597.JPGEsta semana andámos à procura de obras de arte "escondidas" nas ruas da cidade. Ou melhor, estas obras de arte não estão exatamente escondidas, mas estão em locais públicos pouco visíveis, fora do olhar dos transeuntes, pelo que, apesar de terem sido produzidas por artistas consagrados, são pouco conhecidas, senão mesmo completamente desconhecidas, dos cidadãos de Coimbra. Por isso, partimos à descoberta e convidamos os nossos leitores a fazerem um desvio dos seus trajetos habituais para as conhecerem e apreciarem.

CIMG5602.JPGComeçámos o nosso itinerário pelo chamado Jardim dos Patos, embora não haja lá nenhum pato. Este espaço está muito bem cuidado e está próximo da entrada principal da Penitenciária, junto ao antigo Convento de Sant'Ana, em frente ao pórtico de entrada do Jardim Botânico que fica do outro lado da Alameda Júlio Henriques. No meio do pequeno lago, foi inaugurado em 1991, pela direção da Direção Geral da Associação Académica de Coimbra, com o apoio da Câmara Municipal, um monumento aos estudantes da autoria de um dos mais consagrados artistas portugueses contemporâneos, Pedro Cabrita Reis. Este artista plástico tem uma longa carreira, estando representado nas mais importantes coleções nacionais e estrangeiras, nomeadamente na Inglaterra e na Alemanha. Em Coimbra, no Pátio da Inquisição, existe uma instalação deste autor que nós já visitámos. Esta escultura intitula-se «Cogito» e representa uma mesa de mármore com livros esculpidos colocados sobre o tampo, aludindo assim ao conhecimento e ao estudo e homenageando os estudantes de Coimbra.

Almada.jpgDe seguida, fomos até ao átrio principal do edifício das Matemáticas para admirar os frescos de Almada Negreiros. Muita gente aqui passa e poucos aqui entram. Acreditem que vale a pena, pois Almada Negreiros é um dos mais importantes artistas portugueses do século XX. Já não é a primeira vez que nós aqui entramos, pois o ano passado recordámos os episódios da crise estudantil de 1969. Estes foram os últimos trabalhos deste artista pois ele morreria em 1970, o ano seguinte à inauguração deste espaço. Um dos frescos intitula-se Matemática portuguesa ao serviço da epopeia nacional, homenageando personagens como Pedro Nunes, o Infante D. Henrique ou Fernão de Magalhães, bem como o conhecimento científico necessário aos cálculos astronómicos, à cartografia e à arte de navegar no tempo dos Descobrimentos. O outro fresco, Matemática desde os Caldeus e Egípcios até aos nossos dias,  celebra alguns dos mais importantes vultos da Matemática desde a Antiguidade até ao tempo de Einstein. Num dos cantos inferiores está a célebre assinatura de Almada, que os concebeu seguindo as indicações temáticas do professor de Matemática da Universidade, Dr. Pacheco de Amorim. Dada a idade avançada do pintor, a execução dos frescos coube aos alunos da escola Avelar Brotero, ainda que sob a direção técnica e artística de Almada Negreiros.

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No pátio central do edifício principal da Faculdade de Ciências e Tecnologia, encontrámos uma estranha e ignorada obra de arte da autoria de Fernando Conduto. Este escultor nascido em Slves em 1937 é o autor desta estranha escultura abstrata, inaugurada em 1971. É um trabalho feito em ferro pintado de vermelho, sugerindo uma forma geométrica desfeita ou em busca de uma recomposição. Fizemos um exercício curioso, tentando advinhar, ou propor, um título para esta obra. Houve ideias engraçadas, mas as mais referidas foram Pássaro, Avião e Não Sei! Afinal, o título deste trabalho é bem mais simples: Sem Título!

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A nossa paragem seguinte foi no Largo da Sé Nova, para conhecermos os baixos-relevos de Numidico Bessone, escultor açoriano falecido em 1985 e que nós já conhecíamos por ter sido igualmente o responsável pelas esculturas que embelezam a fachada da igreja de S. José. Estes dois trabalhos "escondem-se" na parede interior do pórtico de entrada do Instituto de Medicina Legal da Faculdade de Medicina. São duas alegorias, uma à Vida, com um homem musculado segurando numa mão a árvore da vida e na outra a chama do conhecimento. Do outro lado, de expressão cavernosa, a Morte, segurando uma ampulheta com o tempo a esvair-se, simbolizando a fugacidade do tempo e a efemeridade da vida, enquando na outra mão a sinistra figura empunha a gadanha da morte, a foice que ceifa a vida e nos conduz, a todos, um dia, ao reino dos mortos.

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Para concluirmos o nosso passeio de uma forma mais animada, descemos até aos jardins da AAC, para conhecer um belo e grande painel de azulejos da autoria de João Abel Manta. Este artista nasceu em 1928, era filho de outro grande pintor, Abel Manta, e distinguiu-se em vários géneros artísticos, entre os quais a cerâmica. Este painel estava para ser colocado num local mais digno e visível, na fachada virada para as escadas monumentais, mas acabou por ser para aqui deixado, quase abandonado e mal tratado, no meio de um jardim que já foi bonito e que agora está cheio de lixo e copos vazios. Os azulejos representam as "Atividades culturais da Associação Académica" e as suas figuras dispostas num friso contínuo mostram estudantes empenhados em diversas ações culturais: o cinema, a rádio e a fotografia, o canto coral, a imprensa e leitura, as danças regionais e o teatro. 

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publicado por CP às 22:01
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