Sábado, 11 de Fevereiro de 2017

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   Alexandre Estrela nasceu em Lisboa em 1971. Desde meados da década de 90 que o trabalho deste artista se tem distinguido pelo modo original como sobrepõe diferentes domínios, técnicas e géneros na sua produção: desde estudos sobre o modo como percepcionamos a realidade, até à ficção científica, cinema ou diversas manifestações da cultura popular.

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    O Centro de Artes Visuais (CAV) exibe, até 12 de março, uma exposição de Alexandre Estrela, com a curadoria de Sérgio Mah. Nós fomos lá na sexta-feira, guiados pela Catarina, e recomendamos. O título é Baklite, aglutinação das palavras baquelite e backlight, e reune 7 obras produzidas em 2016. Em comum têm o facto de terem origem em fotografias, sempre manipuladas, por vezes conjugadas com sons e completamente comprometidas com as condições físicas e espaciais, como os materiais em que as imagens são projetadas ou os elementos arquitetónicos.

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    A primeira instalação do percurso intitula-se Self-standing shadow. Trata-se de uma escultura metálica executada a partir de uma sombra projetada de uns óculos 3D. isto é, o artista fez passar um foco de luz através de uns óculos usados para ver filmes em 3 dimensões e depois recortou numa chama metálica essa sombra que assim adquiriu tridimensionalidade, autonomia e durabilidade.

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   Rabidd Tuck é impossível de fotografar, pois é uma projeção video, sem som, de duas imagens em loop contínuo, isto é, alternando rapidamente a fotografia de um coelho e de um pássaro, e daí um nome. As duas formas projetadas em rápida sucessão produzem um efeito hipnótico, criando na mente do observador uma imagem mostruosa, porque híbrida, de um ser que não existe senão na nossa retina e na nossa mente.

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   Lazy Susan é o título da terceira obra da mostra, O título refere-se às bandejas giratórias colocadas nos centros das mesas de jantar, muito comuns por exemplo nos restaurantes chineses. A peça funciona como um motor perpétuo feito a partir de um video em  loop que ativa e ilude o modo como captamos a imagem. O trabalho é composto por uma imagem estática de um tijolo que é projetada sobre uma estrutura de madeira que contém dois relevos circulares. A imagem é animada por dois círculos giratórios sincronizados coms os discos pregados no ecrã.

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    Escondendo-se atrás de uma parede, dois olhos fixam-nos através de uma erva em movimento. O video desta instalação, intitulada Ikebana, que designa uma técnica japonesa de arranjo floral, é composto por uma sucessão de fotografias, produzindo uma ilusão de tridimensionalidade. No ecrã, os olhos coincidem com dois furos feitos na superfície de projeção e que sugerem um espaço através do plano em que a imagem é projetada. Dessa superfície sai um arranjo floral, uma erva semelhante à que é visível no video, mas agora real e tridimensional.

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   Balastro é o nome técnico dos arrancadores de certas lâmpadas elétricas e desta instalação. Um video manipulado pelo artista mostra várias tentativas de arranque de uma lâmpada fluorescente. uma imagem irrompe, desaparece e explode sempre sobre uma mancha permanente pintada na superfície de projecção.

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    Baquelite /Backlight é a peça mais marcante. É uma dupla projeção de video sobre um ecrã que divide dois espaços. Um dos lados recebe e materializa a imagem de uma superfície cortada e desgastada. Do outro lado é projetado um video onde se ouve o som ambiente de um concerto. Ao passar através das ranhuras abertas no ecrã, a luz forma um desenho na parede.

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   Traveling Light mostra um monitor de televisão com uma imagem parada de um espaço interno composto por um aglomerado de materiais. Este interior é intersetado por cabos elétricos de cor que realçam o potencial elétrico do aparelho.

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    Concluído o itinerário, a Catarina ainda nos conduziu ao piso superior do CAV, onde está patente uma segunda exposição. do designer Filipe Alarcão, intitulada A espessura do plano.

 

   Este texto foi redigido com transcrições da folha de sala da exposição, complementadas com informações recolhidas durante a visita orientada por Catarina Portelinha, a quem agradecemos.



publicado por CP às 18:47
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