Sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

CIMG5671.JPGCamilo Pessanha foi um poeta nascido em Coimbra em 1867, filho de uma aventura amorosa de um estudande universitário com a sua criada. Dessa relação nasceriam outras crianças e o jovem Camilo cresceu acompanhando o pai por diversas localidades, nomeadamente no interior beirão e transmontano, acabando por ser perfilhado quando tinha 15 anos. Poucos anos após, regressaria à cidade onde nasceu para cursar Direito, tal como o pai, concluindo os estudos em 1891.

Camilo Pessanha e Clepsidra.jpgAqui conheceu o também poeta e futuro professor da Faculdade de Letras Eugénio de Castro, o patrono da nossa escola, de quem se tornou amigo, podendo considerar-se que são dois dos mais importantes nomes da poesia simbolista de finais do séc. XIX e inícios do seguinte. O único livro de poemas de Camilo Pessanha intitula-se «Clepsidra» e foi editado em 1920. Na fotografia de baixo podemos ver a Bárbara a ler um poema retirado dessa obra.

CIMG5654.JPGTerminado o curso de Direito, o poeta exerceu a magistratura em Mirandela e em Óbidos, antes de embarcar para Macau, em 1894, onde foi colocado como professor liceal. Aí, conhece alguns vultos da cultura local, destacando-se o também escritor Wenceslau de Moraes, talvez a personalidade portuguesa que mais se envolveu na cultura oriental. Em Macau, por entre algumas viagens a Portugal, dedica-se à leitura dos autores nacionais e ao estudo da cultura, da língua, da literatura, da história e da arte chinesas. De tal maneira se interessa pelos assuntos chineses que quase vive como se fosse chinês, vestindo-se por vezes à maneira oriental e vivendo com concubinas de quem terá inclusivamente filhos.

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De saúde débil, adquire o vício de fumar ópio, droga que o torna dependente e impede de viver em Lisboa, cidade onde regressou por um curto período de tempo, dada a dificuldade de aqui se abastecer de ópiode que necessitava três a quatro vezes por dia. Por isso, regressou a Macau definitivamente, aí morrendo no dia 1 de março de 1926, estando sepultado num dos cemitérios locais.

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Durante os longos anos que aí viveu, Camilo Pessanha distinguiu-se como advogado, alcançando grande sucesso profissional e financeiro. Por influência de alguns amigos, começou a comprar obras de arte e a constituir uma coleção. Diga-se que o seu esforço foi pouco criterioso, pelo que é hoje complicado encontrar um fio condutor nas quase quatrocentas peças que acumulou. Na verdade, dos mais diversos períodos, o poeta juntou exemplares de pintura e caligrafia chinesa, têxteis, jóias e objetos religiosos, bronzes diversos e esculturas em madeira e marfim, embutidos e cerâmicas.

CIMG5665.JPGCerca de uma década antes de falecer, Camilo Pessanha doou a sua coleção ao Estado Português, oferecendo as peças ao Museu de Arte Antiga, em Lisboa, que, no entanto, nunca chegou a expô-las. Depois de algumas hesitações e polémicas, o nosso Museu Nacional Machado de Castro acabaria por acolher a coleção do escritor. É por isso que, apesar de não estar integralmente exposta, nem tal seria possível, ocupa duas salas do percurso expositivo.

CIMG5666.JPGNestas salas das coleções orientais, juntaram-se outras peças provenientes de outras doações, nomeadamente do antigo Presidente da República Manuel Teixeira Gomes (1860 - 1941), também ele um colecionador apaixonado pela cultura oriental. De entre os objetos selecionados para os expositores, destacamos um biombo, um tambor, duas estátuas de bronze e um sino. Na sala seguinte admirámos belos frascos de rapé e umas pequenas caixinhas lacadas que os japoneses usavam presas no cinto do quimono para transportar pequenos objetos, já que o seu vestuário não possuía bolsos. Essas caixinhas chamavam-se inro e enchem uma das vitrinas que mais curiosidade nos suscitou.

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Para a redação deste texto e para a orientação da visita, baseamo-nos no artigo de José Diogo Henriques Seco Ribeiro intitulado «A Colecção de Arte Chinesa do Poeta Camilo Pessanha»,publicado no «Arquivo Coimbrão. Boletim da Biblioteca Municipal», volume XXXV; 2002; páginas 115 - 283 



publicado por CP às 18:33
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