Sábado, 03 de Fevereiro de 2018

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   Hoje não fomos a lado nenhum, ficámos na escola onde recebemos a Inês, coordenadora do Grupo da Amnistia Internacional de Coimbra (GAIC). O nosso Clube tem como principal objetivo conhecer, divulgar e contribuir para a preservação do Património Cultural. Sejam museus, monumentos, sítios, peças e objetos moveis, bens materiais ou imateriais, tudo nos interessa e preocupa Ao longo destes anos em que existimos, temo-nos esforçado por cumprir esse objetivo, conhecendo monumentos e museus da cidade, visitando exposições e galerias, participando em eventos e conferências, observando esculturas e apreciando pinturas, aprendendo como se restauram livros antigos ou como se colecionam selos. Basta fazer uma pesquisa no nosso blogue e logo se verá que nos temos orientado em diversos sentidos. Tudo isso, e muito mais, é Património e mereceu a nossa atenção. No entanto, há que lembrar, o bem mais importante que temos que preservar é o Homem e os seus Direitos! É tudo muito bonito e muito importante, mas nada do que acima referimos e que constitui a nossa herança patrimonial é mais importante do que os Direitos e Dignidade dos Homens, de todos os homens. Por isso, e porque esse bem é muito ameaçado, em todos os cantos do Mundo, decidimos convidar a Inês para nos dar a Conhecer a Amnistia Internacional (AI) e para nos falar dos Direitos Humanos (DH).

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  A Amnistia Internacional foi fundada em 1961 por um advogado Inglês chamado Peter Benenson. Curiosamente, Portugal está associado à sua criação, pois nessa altura vivia-se sob a ditadura salazarista. Benenson leu num jornal que dois jovens estudantes portugueses tinham sido presos por terem feito um brinde à Liberdade! Isso hoje parece-nos incrível e nem conseguimos imaginar como é que no nosso país isso aconteceu há tão pouco tempo. Foi o mesmo pensamento que atravessou o espírito do fundador da AI e o levou a criar esta organização. Embora a AI tenha os seus escritórios centrais em Londres, está espalhada por todos os países do Mundo, exceto a Coreia do Norte. Foi por aqui que prosseguimos a nossa conversa, pois não só este país tem estado no centro das atenções e dos telejornais por causa do conflito com a Coreia do Sul e os EUA, como se trata de um país muito fechado, em que os cidadãos estão privados de quase todos os direitos. Nem sequer, recordou a Inês, podem cortar o cabelo como lhes apetece!

   De seguida, visonámos um filme que serviu de mote para a nossa conversa. Foi uma conversa animada, deve dizer-se, até falámos demais! A Inês, como é muito simpática e não podia limitar o nosso direito à liberdade de expressão, lá se encheu de paciência, ouvindo e moderando as nossas intervenções. Algumas foram assim um pouco para o disparatado, todos queriam falar e relatar as suas experiências, acabando por fugir ao tema. Mas também não é menos verdade que escutámos opiniões e comentários muito interessantes.

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   Abordámos seguidamente o tema dos Direitos Humanos. Embora a primeira declaração dos Direitos Humanos remonte ao século XVIII e aos tempos da Revolução Francesa, atualmente, quando se fala da Declaração Universal dos Direitos Humanos referimo-nos aos tempos que se seguiram à 2ª Guerra Mundial e ao texto aprovado em 1948 pelas Nações Unidas, compreendendo 30 artigos. Esse documento não tem força de lei, isto é - explicou-nos a Inês -, nenhum país pode ser castigado por o desrespeitar! Isto pode parecer disparatado, mas a verdade é que os países, mesmo os mais ditatoriais, temem que a sua imagem e o seu prestígio internacional sejam afetados por campanhas que denunciem violações. É com isto que a AI conta quando promove campanhas contra abusos dos DH.

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   É o que se passa  atualmente na Turquia, onde o presidente nacional da AI, Taner Kiliç, se encontra preso. Como não podia deixar de ser, a AI desenvolve uma campanha, apelando à libertação deste seu dirigente e ativista. É importante divulgar este caso, para tal podem os nossos leitores aceder a esta página eletrónica e assinar uma petição. Basta um clic e pode-se salvar uma vida! Por favor, divulguem esta iniciativa junto dos vossos pais, familiares e amigos. É assim que a AI trabalha e desenvolve as suas ações.

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   Além de abaixo-assinados e petições públicas, a AI promove muitas outras ações de denúncia e sensibilização, como manifestações, envio de cartas apelando à libertação de presos e condenados, sessões de esclarecimento como esta, ciclos de cinema e até festas. O Grupo de Coimbra da AI também tem lançado muitas ações, como a simulação de um campo de refugiados na Praça da República, reuniões onde se denunciaram violações dos DH em Angola com a presença do conhecido ativista Luaty Beirão, ou marchas contra qualquer forma de discriminação sexual. Afinal, a grande luta é pelo direito à diferença, pela Liberdade, e isso implica que não se aceite nenhum tratamento diferenciado com base na religião, na raça, na cultura, no sexo, na orientação sexual, ou o que quer que seja. O interessante é que os nossos jovens sócios têm mais facilidade em aceitar isto do que muitos adultos que, contra todas as evidências, têm por vezes dificuldade em aceitar o direito à diferença das minorias.

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(fotografias retiradas da página do facebook do GAIC)

   Uma das razões que nos levou a convidar a Inês para este encontro, foi a questão dos DH na China. Na verdade, dedicámo-nos nas últimas semanas a conhecer um pouco melhor a história e a cultura deste enorme país. Visitámos uma exposição no Museu Machado de Castro e tivémos um encontro no Instituto Confúcio. Achámos que era importante mostrar a outra face da China. Na verdade, trata-se de um  país ancestral, um dos maiores do mundo em área geográfica e o mais populoso do planeta. A China tem uma cultura muito sofisticada e uma história milenar. É fácil sentirmo-nos fascinados pela sua cultura e pelos seus costumes. Mas que isso não nos faça esquecer que é um país que desrespeita sistematicamente os DH. Todos os anos são aí executadas milhares de pessoas, e isto é inadmissível. A situação é preocupante em todo o Mundo, particularmente na Ásia, onde países como o Paquistão, o Irão, o Iraque, a Arábia Saudita ou a China apresentam números assustadores!

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   A situação no Tibete é um dos assuntos habitualmente apresentado pela AI. Nessa região, a violência repressiva tem-se vindo a intensificar, face ao alheamento internacional, pelo que as ações da AI adquirem uma importância ainda maior. O Tibete é um território nos Himalaias com uma cultura e uma identidade próprias. Nos meados do séc. XX, as tropas chinesas anexaram o Tibete, obrigando à fuga do Dalai Lama, o chefe político e religioso dos tibetanos. Desde então, as violações dos DH e a recusa da autodeterminação têm sido as orientações do governo chinês, que despreza qualquer negociação ou apelo da comunidade internacional. Para nos sensibilizar melhor para esta questão, a Inês passou-nos um filme que abaixo reproduzimos.

 

    Para concluir este nosso encontro, entregámo-nos a um curioso exercício. Imaginámos que vivíamos num planeta inteiramente novo. Demos-lhe um nome e criámos uma lista de Direitos, uma espécie de carta fundacional onde cada um teve oportunidade de apresentar um artigo. Foi muito interessante, pois sentimo-nos como uma espécie de pioneiros de um novo mundo imaginário, e pudemos verificar que muitas das nossas propostas correspondiam a direitos já consagrados, mesmo os incluídos na chamada 3ª geração, ou seja, os que se prendem com preocupações ambientais e que constituem direitos da comunidade, ou da sociedade, não sendo propriamente direitos individuais. Alguns exemplos da nossa Carta: art. 1º: Direito à não guerra; art. 2º: Direito a um só país no Planeta Património; art. 3º: Direito à Escola; art. 4º: Direito a um ambiente limpo e puro; art. 5º: Direito à Cultura,.... (e outros que eu não consegui registar, eram para aí uns 15!  )

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  Para acabar, a Inês deixou-nos os contactos do Grupo da Amnistia Internacional de Coimbra. O objetivo é que todos se envolvam, utilizando as redes sociais, que participem e divulguem, pois ninguém pode ficar indiferente! Aqui ficam então os contactos:

website: http://grupoaicoimbra.wixsite.com/gaic

facebook: https://www.facebook.com/grupoaicoimbra

twitter: https://twitter.com/AmnistiaCoimbra

instagram: https://www.instagram.com/amnistiacoimbra/

youtube: https://www.youtube.com/channel/UCAbVycGpgSrcdpxpctw9VEQ/videos

gmail: nucleoaicoimbra@gmail.com

telefone: 913988392

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(No final, cada um levou uma fitinha da Amnistia Internacional para colocar no pulso) 



publicado por CP às 17:24
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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