Sábado, 30 de Novembro de 2013

 

 

Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) é o único edifício teatral universitário do país. Foi projetado pelos arquitetos Alberto José Pessoa e João Abel Manta. Em 1993, o edifício foi remodelado sob a orientação do arq. André Santos. O TAGV pertence à Universidade de Coimbra e foi inaugurado em 1961. No entanto, não deixa de prestar serviço cultural a toda a comunidade. Aqui se exibem espetáculos de teatro, dança, música e cinema de forma regular e com grande qualidade artística. Os estudantes têm preços especiais, mas todos os espetáculos são abertos ao público em geral. Graças ao TAGV, a cidade de Coimbra dispõe de uma sala capaz de acolher espetáculos de grande qualidade, integrando-se assim nas redes e nos circuitos nacionais e internacionais de exibição.

 

 

Fomos amavelmente recebidos, e conduzidos pela Elisabete que, ainda no foyer do teatro, nos deu as boas-vindas. Foyer é uma palavra francesa que designa o salão de entrada das salas de espetáculos onde os visitantes aguardam o início das sessões e onde se encontram nos intervalos para esticarem as pernas e trocarem algumas palavras. Hoje, nos modernos centros comerciais, as sessões de cinema já não têm intervalo mas, antigamente, essa era uma oportunidade para os amigos se encontrarem e conversarem. O TAGV conserva esta tradição. Aqui não há pipocas e há intervalo!

 

 

Do foyer subimos até ao café-teatro. Este espaço, habitualmente frequentado por estudantes, é uma sala muito espaçosa, agradável e muito bem iluminada, com vistas sobre a Praça da República. Os estudantes aproveitam para se encontrarem e estudarem aqui, pois é um sítio muito convidativo e confortável. Habitualmente, aqui se servem refeições ligeiras e, em ocasiões especiais, servem-se também banquetes. Ainda na passada segunda-feira, aqui jantou o cineasta Manoel de Oliveira que, com 105 anos de idade, veio a Coimbra apresentar o seu filme sobre a vida do Padre António Vieira. «Palavra e Utopia», tal é o nome do filme, foi protagonizado pelo ator brasileiro Lima Duarte que aqui jantou igualmente. Além disso, realizam-se ainda neste local, frequentemente, conferências e palestras sobre assuntos culturais e artísticos, além de se apresentam livros ao público.

 

 

Passámos depois à sala de projeção que é, podemos dizer, o local mágico de qualquer cinema, ainda que na atualidade já pouco seja utilizada, pois a maior parte das exibições são feitas em formato digital, isto é, a partir de DVD. No entanto, nesta sala de acesso restrito, conserva-se ainda a máquina de projeção de 35 mm e, quando necessário, ainda é utilizada, pois encontra-se em perfeitas condições. Ficámos a saber que, antigamente, antes da revolução digital, os filmes eram exibidos em películas de celulóide que passavam diante de uma lâmpada que projetava as imagens no écran da sala. Todo o processo de preparação, projeção e de rebobinar a película, era acompanhado por um projecionista.

 

 

 

 

Do balcão, apercebemo-nos das verdadeiras dimensões da sala. É uma grande sala: no balcão superior, há lugar para 328 pessoas e na plateia cabem 444 espetadores. Talvez os números já não sejam exatamente estes, pois algumas alterações foram feitas. Inicialmente, a capacidade quase que chegava aos mil lugares, mas foram retiradas, na década de 90, algumas filas da 1ª plateia para ganhar mais espaço de circulação. Foram igualmente retiradas outras cadeiras para criar condições aos cidadãos com dificuldades de mobilidade e que vêm ao teatro em cadeiras de rodas. Outras cadeiras da plateia foram ainda retiradas para instalar dispositivos técnicos. Assim, na atualidade, a sala já não tem a lotação inicial, mas é ainda uma grande sala, capaz de acolher condignamente um espetáculo dos Black Mondays!

 

 

Regressados aos pisos inferiores, visitámos uma exposição de fotografia de Arnaldo Carvalho, um fotógrafo amador que apresenta aqui os seus trabalhos, homenageando todos os funcionários que mantêm diariamente o TAGV. Este espaço, como se vê, está também aberto a exposições e a outro tipo de eventos culturais. Daqui passámos aos bastidores e aos camarins.

 

 

 

Nos subterrâneos do teatro, visitámos a sala de aquecimento onde os cantores afinam a voz antes dos espetáculos musicais, ou os bailarinos fazem os aquecimentos preparatórios. Acedemos ainda ao local onde se armazenam todos os materias necessários à preparação dos espetáculos. Aqui trabalham os eletricistas, carpinteiros, aderecistas, figurinistas e todos aqueles que, nos bastidores, trabalham para o sucesso dos espetáculos. Este local é uma grande confusão, com cabos pelo chão, estrados, fios, lâmpadas, caixotes, colunas de som, holofotes, andaimes,...

 

Ainda nos bastidores subterrâneos, visitámos o fosso de orquestra que, habitualmente está coberto por um estrado de madeira mas que serve para alojar os músicos quando os espetáculos exigem acompanamento musical por uma orquestra, como por exemplo numa ópera. Vimos ainda o local onde, outrora, se sentava o ponto. Era um pequeno postigo com abertura para o palco onde se sentava um senhor que ia ditando as deixas e as falas para a cena, evitando que os atores se enganassem e ajudando-os no caso de qualquer eventual esquecimento. Atualmente, já não se utilizam pontos nos espetáculos teatrais, ou é muito raro, pois a tecnologia digital inventou monitores onde vão passando, quando necessário, as falas dos atores.

 

 

Já no palco do TAGV, ficámos a saber o que é um palco à italiana. Há diversos tipos de palco, sendo o mais comum este em que o estrado onde os atores representam está afastado da platéia e colocado num nível superior. É a este tipo que se cama palco à italiana. O do TAGV apresenta ainda uma caraterística pouco comum nos teatros em Portugal, é que dispõe de uma sáida direta para o exterior, o que facilita muito a montagem dos cenários e o transporte e colocação dos instrumentos, dos adereços e de outros objetos necessários aos espetáculos, muito especialmente quando são de grandes dimensões.

 

 



publicado por CP às 11:45
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