Sábado, 12 de Outubro de 2013

 

Na sexta-feira, o Museu Nacional Machado de Castro comemorou os 100 anos da abertura ao público. Foi exatamente no dia 11 de outubro de 1913 que, criado dois anos antes, abriu pela primeira vez as portas aos visitantes. Para assinalar esta data, o Museu promove uma série de atividades para as quais convida toda a comunidade: novas exposições, visitas especiais, recriações históricas, momentos musicais, entre outras iniciativas. Nestes dias 11 e 12 a entrada foi gratuita!



Claro que nós não podíamos faltar e fizemos questão de nos associarmos às comemorações do centenário, marcando a nossa presença e correspondendo ao convite da direção  e dos serviços pedagógicos que sempre nos recebem tão bem. Na sexta-feira, lá nos dirigimos então ao Machado de Castro, onde fomos recebidos pelo Pedro Ferrão, um técnico superior já nosso conhecido. Na verdade, é já um velho amigo do nosso Clube!



De entre essas atividades, destacamos as visitas guiadas, no dia 12 de outubro, por jovens das escolas de Coimbra. Os serviços pedagógicos convidaram os alunos da Escola Eugénio de Castro que frequentam o clube do Património a participar nesta atividade.  Para o efeito, na sexta-feira dia 11, véspera do evento, deslocámo-nos ao Museu para preparar a nossa participação.

 

 

O Pedro foi muito amável e guiou-nos por alguns dos espaços. Claro que não podemos visitar o Museu todo, pois é muito grande. Fica aqui uma recomendação: nestes museus é impossível visitar todas as secções a apreciar todas as peças. Por isso, recomenda-se que o visitante faça uma pré-seleção, escolhendo as salas e as peças que mais curiosidade e interesse lhe despertam. Depois, aconselha-se o regresso, fazendo assim destas visitas um hábito. O João Tiago até nos lembrou que em museus como o Louvre, por exemplo, se o visitante reservar 5 minutos para cada peça, demorará uma série de anos a visitar tudo! De tal maneira que quando concluisse o percurso, já estaria certtamente esquecido do início!

 

 

Por essa razão, o Pedro perguntou-nos quais eram as nossas coleções preferidas. Na verdade, já não somos uns novatos nestas andanças, pois desde que o Museu reabriu após as obras de remodelação já o visitámos em diversas ocasiões e, ainda assim, há salas que ainda conhecemos muito mal, o que só significa que teremos que voltar! Mesmo os membros recém-chegados, os caloiros admitidos este ano, confessaram, com algumas exceções, já conhecerem o Machado de Castro, principalmente o criptopórtico.

 

 

Foi exatamente o criptopórtico, bem como a coleção de escultura medieval, que os sócios do Clube escolheram para esta visita. É certo que alguns, como o David, manifestaram a sua predileção pela coleção de joalharia e ourivesaria, com destaque para as joias da Rainha Santa Isabel. Mas, na impossibilidade de visitarmos mais do que duas coleções, por falta de tempo, combinámos conhecer o criptopórtico e a coleção de escultura.

 

 

Não vamos neste texto entrar em muitos detalhes sobre as informações que o Pedro nos forneceu, pois o intuito desta visita era, como já foi referido, preparar os membros do Clube para o evento do dia seguinte em que lhes foi solicitado que, por um dia, fossem guias e conduzissem os visitantes adultos. Para tal, o Pedro preparou os nossos voluntários, inteirando-os de alguns aspetos importantes acerca da história do Museu e da sua implantação na malha urbana da cidade, desde os tempos romanos até à atualidade. 

 

 

Percorremos as galerias do criptopórtico e destacámos os retratos de Trajano, Vespasiano, Lívia e Agripina. Decifrámos inscrições, com destaque para aquela que continha uma referência aos habitantes da cidade de Aeminium e que permitiu aos arqueólogos identificar a cidade de Coimbra com a Aeminium romana. O altar, ou ara, em que os habitantes romanos faziam os sacrifícos de animais que ofereciam aos deuses mereceu também a ossa atenção, tal como o marco miliário que em tempos estava colocado na zona da atual Adémia informando da distância, em milhas, até à cidade. Tudo muito interessante!

 

 

 

 Quanto à escultura, nunca é demais lembrar que a nossa cidade foi o mais importante centro produtor da Idade Média. Desde tempos muito antigos, aqui se fixaram muitos artistas, aproveitando a excelência da matéria-prima das redondezas, o célebre calcário que contrasta com o granito do norte do país, conforme observámos naquele anjo de  granito proveniente da Sé do Porto. Por outro lado, a posição geográfica da cidade, a acessibilidade e a sua importância política, criavam as condições para o trabalho dos escultores.

 

 

No entanto, apesar de toda esta tradição, foi com Mestre Pêro, um escultor de origem estrangeira que no século XIV chegou a Coimbra acompanhando a Rainha Isabel de Aragão e com o encargo de lhe esculpir o túmulo, que a escultura da cidade adquiriu uma outra dimensão, podendo considerar-se este artista como o fundador da escola coimbricense que dominaria o panorama escultórico nacional durante centenas de anos.

 

 

Na próxima semana, por coincidência, temos já agendada uma visita ao túmulo de pedra da rainha Isabel de Aragão, no mosteiro de Santa-Clara-a-Nova. Para já, destacámos, deste escultor, as designadas Nossa Senhora do Ó, por representarem a Virgem em adiantado estado de gravidez, o que, em dada altura, foi considerado indecente pelos inquisidores, o que determinou a destruição de muitas destas representações. Detivemo-nos igualmente na escultura do cavaleiro Domingos Joanes, proveniente de Oliveira do Hospital e que é uma das peças mais emblemáticas do Museu.

 

 

De seguida, comovemo-nos com o Cristo Negro, proveniente de Santa Cruz e com as obras da Renascença, destacando, naturalmente, o grande escultor João de Ruão, artista de origem francesa que, no século XVI, se instalou em Coimbra e marcou decisivamente a arte portuguesa desse período. O Museu possui uma vasta coleção de peças de João de Ruão, oriundas de igrejas e conventos da cidade e das redondezas, e que constituem um dos principais fatores de atração.

 

 

Admirando os magníficos retábulos de João de Ruão e dos seus colaboradores, não podíamos deixar de notar a imponente capela do Tesoureiro, aqui remontada depois de trazida, peça a peça, do convento de S. Domingos, situado na rua da Sofia. Atualmente é um centro comercial, mas foi em tempos uma importantíssimo convento. Nos anos 60 do século passado, esta capela, patrocinada pelo tesoureiro da Sé, foi para aqui transportada. O arquiteto Gonçalo Byrne, responsável pelo projeto arquitetónico de remodelação e ampliação do Museu, teve a feliz ideia de recriar neste local, que foi em tempos um pátio interior descoberto, uma nave destinada a acolher os vários retábulos. Está magnífico!

 

 

Antes de nos despedirmos, que o tempo já escasseava, tivemos ainda tempo para nos impressionarmos com uma representação de S. Bartolomeu a ser esfolado vido. É verdadeiramente impressionante, e não é nada fácil de explicar como é que um motivo tão repugnante suscita sempre tanta curiosidade. Ficámos a saber quem foi S. Bartolomeu, o modo como foi martirizado e o destino desta representação, origiariamente concebida para a igreja de S. Bartolomeu, na Baixa da cidade. O Pedro contou-nos que esta escultura causava tanta impressão aos fiéis que acabaram por pedir ao pároco que a retirasse da vista dos crentes e a escondesse na sacristia, local de onde veio para aqui. Os nossos sócios, que não se deixam impressionar com a facilidade dos paroquianos da Baixa, ficaram ainda a saber a razão pela qual Bartolomeu é ainda hoje o padroeiro dos dermatologistas!



Despedimo-nos agora com a Deposição  no túmulo, esta obra-prima de João de Ruão, convidando os pais, familiares e amigos dos membros do Clube do Património a visitarem o Museu Machado de Castro, associando-se à comemoração do centenário.

Entretanto, cabe dizer que, no dia 12 de outubro, pelas 10:00, a Filipa saiu-se muito bem a guiar as visitas! Foram muitos os elogios! Ficam para breve as fotografias desse momento.



publicado por CP às 21:28
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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