Domingo, 29 de Setembro de 2013

 

Na passada sexta-feira, dia 26, iniciámos um novo ciclo. Enquanto aguardamos a chegada dos novos membros, visitámos o Museu Nacional Machado de Castro. É verdade que já somos uns «velhos» conhecidos do museu, mas desta vez fomos conhecer uma exposição temporária, a coleção de pintura do Millenium - BCP. As grandes empresas, como as companhias financeiras ou os bancos, normalmente são possuidoras de boas coleções de arte. Não apenas porque a arte, nomeadamente a pintura, pode ser um bom investimento, mas também porque, colecionando e exibindo as suas coleções, estas grandes empresas exercem um mecenato cultural que é importantíssimo para a promoção dos artistas, ao mesmo tempo que publicitam a sua imagem junto do público.

 

 

O Banco Millenium - BCP é uma das mais importantes empresas bancárias do nosso país e detém uma grande coleção de pintura contemporânea, desde os pintores naturalistas da segunda metade do século XIX, até aos finais do século passado, cobrindo aproximadamente 100 anos e os mais importantes pintores portugueses desse período. Como o Museu Nacional Machado de Castro cumpre este ano o centenário da sua abertura ao público, o banco decidiu associar-se a esta efeméride exibindo parte da sua coleção de pintura nas salas de exposições temporárias. A exposição é da responsabilidade do curador Rui Paiva, com a coordenação científica de Raquel Henriques da Silva, professora universitária de História da Arte especializada no período em questão.

 

 

Não podendo dispensar muita atenção a todos os quadros, aproximadamente uma centena, selecionámos alguns para centrarmos o nosso olhar. Os primeiros artistas onde nos detivemos foram os mestres do naturalismo Silva Porto e José Malhoa. Esta corrente pictórica desenvolve-se em Portugal na segunda metade do séc. XIX. Os pintores naturalistas abandonam os estúdios e pintam as paisagens ao ar livre, em contacto direto com a Natureza, tentando captar as cenas do quotidiano rural, bem com a luz e as cores nas suas variações ao longo dos dias e nas diversas estações e condições atmosféricas. Fixam as cores quentes e a luminosidade intensa das paisagens, definindo-se assim a principal característica desta corrente. Silva Porto foi o responsável pela introdução da pintura de paisagem na Escola de Belas-Artes de Lisboa, enquanto José Malhoa, que teve uma longa carreira, foi o mais reconhecido e bem sucedido pintor da sua geração. Dele, admirámos um óleo intitulado «A volta da feira (chegada do Zé Pereira à romaria)», de 1905, onde se observa a temática ruralista e o colorido luminoso muito típico deste pintor naturalista.

 

 

Nesta primeira sala, ainda nos concentrámos em mais alguns importantes nomes, como Sousa Pinto (1856 - 1939), outro grande nome do naturalismo, até Nadir Afonso, pintor e arquiteto de formação, nascido em 1920 e ainda em atividade, que se distingue por desenvolver importantes reflexões teóricas acerca da arte e da pintura. É dele a tela que observamos na imagem de cima, atrás do David. 

Dórdio Gomes, Carlos Botelho, Manuel Amado ou Cargaleiro foram outros nomes que mereceram a nossa atenção, nesta primeira sala.

De seguida, atravéssámos o pátio interior do Museu e dirigimo-nos ao segundo núcleo desta exposição, abrindo com um «Retrato de um jovem fumando cachimbo», de Columbano Bordalo Pinheiro.

 

 

Aqui, alongámo-nos em duas telas em particular. Por um lado, um óleo de grande dimensão de Eduardo Luiz chamado «Mort de Rembrandt», estabelecendo um paralelismo com uma famosa obra de um grande pintor francês do século XVIII, Jacques-Louis David, a «Morte de Marat». Para bem apreciarmos as obras de arte, é necessário termos algum conhecimento de História da Arte, pois muitos artistas inspiram-se em obras de outros artistas, e é sempre muito interessante verificar essas citações. Para nos inteirarmos dessas subtilezas é fundamental uma leitura atenta dos catálogos que são editados para enquadrar estas exposições mais importantes.

 

 

Outra tela que justificou alguma demora, foi um acrílico da pintura Menez, intitulado «Duas figura femininas», de 1988. Menez é o nome artístico da pintora Maria Inês Fonseca, falecida em 1995 e que foi uma das mais importantes da sua geração, tendo recebido inúmeros prémios e condecorações. Esta tela exibe duas personagens femininas em atitudes  enigmáticas, como se o tempo estivesse suspenso. A mulher mais velha apresenta-se melancólica, o que se conclui não apenas do olhar e da pose, mas também pelas semelhanças evidentes com uma célebre gravura do grande pintor quinhentista, Albrecht Durer.

 

 

António Dacosta, Amadeo de Souza-Cardoso, Maria Helena Vieira da Silva, Júlio Pomar, João Hogan, Graça Morais, Almada Negreiros, Paula Rego, Costa Pinheiro, entre muitos outros, são alguns dos mais importantes nomes da pintura portuguesa dos últimos cem anos que estão representados nesta coleção. Infelizmente, se não visitaram esta mostra, já não a poderão ver, pelo menos aqui neste Museu, uma vez que encerrou neste fim de semana. Resta esperar que seja novamente exibida e aproveitar. Até lá, consolem-se com a amostra que vos deixamos nas imagens selecionadas.

 

 

 

 

 

 

Este texto foi baseado no catálogo publicado para acompanhar esta exposição, com textos da professora Raquel Henriques da Silva.



publicado por CP às 19:44
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