Sábado, 18 de Maio de 2013

 

 

Desta vez, o nosso passeio semanal tinha um duplo objetivo. Por um lado desejávamos conhecer a pequena capela de Santa Comba, praticamente ignorada pelos conimbricenses e desprezada pelas autoridades. Por outro lado, pretendíamos conhecer os modernos edifícios do Polo III da Universidade, na sequência da visita recente que fizemos ao polo II, da Faculdade de Ciências e Tecnologia.

 

 

 

Quando visitámos o Museu Machado de Castro, certamente que os mais atentos se recordam de uma lápide do último quartel do século XIII, colocada no início do circuito expositivo da coleção de escultura e que representa uma cena do Calvário com Cristo crucificado a ser coroado por dois anjos enquanto, a seus pés, Nossa Senhora e S. João Evangelista permanecem em oração. Ao lado, na outra cena, surge a Virgem com o Menino, tendo à sua frente Santo Ildefonso, bispo de Toledo do séc. VII que foi o primeiro a defender a virgindade da mãe de Cristo. Pois bem, esta lápide é proveniente da capela de Santa Comba de Coimbra.

 

   

 

Esta capela é muito antiga e localiza-se em pleno Polo III, junto aos Hospitais da Universidade. A memória da sua fundação perde-se nos tempos, havendo notícias desde meados do século XV, sendo certo que aqui já se prestava culto a Santa Comba desde tempos muito anteriores. No século XVII, fizeram-se obras de reconstrução, posteriormente muito adulteradas, acrescentadas e danificadas até se chegar ao abandono a que atualmente a capela está votada.

 

 

 

Trata-se de um edifício pequeno e muito simples com um portal de arco de volta inteira, ostentando a inscrição «VIRGINIS ET MARTI», isto é «Virgem e Mártir», referindo-se a Santa Comba. No mundo cristão da Alta Idade Média existem muitas lendas relativas a Santa Comba, ou Santa Colomba, que significa pomba, todas elas fazendo o elogio da castidade e da virgindade desta mártir, cuja existência histórica é incerta. Esta lenda de Santa Comba de Celas tem em comum com todas as outras lendas de Santa Comba uma donzela, lindíssima, nascida no seio de uma rica e nobre família, que recusa casar com um noivo de boa condição social que lhe é prometido, argumentando estar destinada a Deus, não podendo macular-se na vida conjugal. A virgindade era um valor tão alto que preferia sacrificar a vida a casar-se.

 

 

 A lenda conta que, para evitar o casamento, a jovem fugiu do pai e da cidade, escondendo-se no meio de uma mata, onde depois foi construída esta capela. O noivo despeitado, ao saber que a jovem estava escondida na floresta, mandou atear fogo ao mato, prendendo a  rapariga, matando-a depois de a castigar severamente. Assim morreu Santa Comba, segundo a tradição, nos inícios do séc. X, nascendo aí um culto que chegou à atualidade, pois que quando visitámos a capelinha, apesar de abandonada, ainda ostentava uma coroa de flores na porta. Recordemos que é nesta altura primaveril que a população comemora a festa das Maias, sempre relacionadas com o culto da Virgem e a celebração dos valores da virgindade e castidade.

 

No Museu Machado de Castro existe uma escultura desta Santa Comba de Coimbra, proveniente da oficina de Mestre Pero, e ao que parece oriunda desra capela.

 

Não conseguimos visitar o interior, pois a porta está fechada a cadeado e desconhecemos quem seja o responsável à guarda de quem está depositada a chave. Visitámos a sala contígua, completamente abandonada e arruinada, testemunhando o desprezo a que está condenada esta ermida. Uma pesquisa na internet, no entanto, permitiu encontrar o video que acima se reproduz que exibe algumas fotografias do interior da capela.

 

 

 

O Polo III, ou polo das Ciências da Saúde, inclui as Faculdades de Farmácia e Medicina, além de outras Unidades de Investigação como o IBILI (Instituto Biomédico de Investigação de Luz e Imagem), ou o ICNAS (Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde). Este polo universitário inclui igualmente uma biblioteca, uma cantina e uma residência universitária. 

 
Faculdade de Farmácia

O projeto do Polo III foi lançado pela Universidade de Coimbra nos finais da década de 80 do século passado e é da responsabilidade do arquiteto Rebello de Andrade. Os planos iniciais foram adaptados posteriormente, sendo lançados concursos públicos para a conceção dos edifícios, o que deu oportunidade a que jovens arquitetos pudessem concretizar as suas ideias, contrariamente ao que sucedeu no Polo II, onde os edifícios foram planeados por arquitetos já consagrados, convidados para elaborarem os projetos. Após esta fase, os primeiros edifícios são construídos em 2001, prosseguindo ainda os trabalhos de construção.
 
Biblioteca das Ciências da Saúde (esquerda) e edifício do ICNAS (Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde)


publicado por CP às 12:11
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