Sábado, 04 de Maio de 2013

 

 

Nos finais do século passado, o ensino e investigação universitários na área das ciências e tecnologias obrigou a Universidade de Coimbra a conceber um plano de expansão das suas instalações, criando um novo polo dedicado aos diversos ramos da engenharia. Para esse efeito, foi adquirido um vasto terreno junto ao rio Mondego, numa zona da cidade conhecida como Pinhal de Marrocos. O espaço é amplo, com boa exposição solar e com acessibilidades fáceis. Este Polo II foi construído para alojar os departamentos de engenharia informática, eletrotécnica, mecânica, química e civil, além de duas residências de estudantes e uma cantina.

 

 

 

O plano geral de urbanização é da autoria dos arquitetos Camilo Cortesão e Mercês Vieira, tendo sido selecionado, em 2000, pela Fundação Mies Van der Rohe, para o Prémio da Arquitetura Contemporânea da União Europeia.  Os trabalhos de construção começaram na década de 90, tendo sido convidados para a conceção dos vários edifícios alguns dos nomes mais importantes da arquitetura portuguesa contemporânea. As obras ainda não estão concluídas, estando previstos outros edifícios. Para já, este espaço ainda não tem vida própria, pois falta-lhe a vivência que só uma ocupação habitacional confere ao espaço urbano, apesar de, nas proximidades, se terem construído algumas habitações familiares, além, claro está, das residências universitárias.

 

Residência de Estudantes [Aires Mateus; 1999]

 

 

 

 

 

Esta residência, uma das duas instaladas neste polo, foi projetada pelo gabinete de arquitetura de Aires Mateus. A obra foi concluída em agosto de 1999 e aloja mais de uma centena de estudantes. Este projeto tem sido muito elogiado e obteve vários prémios de arquitetura. O mesmo arquiteto projetou igualmente a cantina que foi inaugurada alguns anos antes da residência, em 1996 e que podemos ver na foto publicada abaixo.

 

 

 

 



Serviços Centrais [Aires Mateus; 2004]

 

 

 

Neste edifício funcionam os serviços administrativos do Polo II, num conjunto arquitetónico formado por três cubos brancos virados para sul, assentes num corpo alongado e rematado, a norte, por um corpo pintado a negro que assenta diretamente sobre o terreno. Os volumes brancos são ocupados pelas salas de aula, laboratórios e gabinetes e o volume negro corresponde ao auditório principal.

 

 

 

 

 

 

Departamento de Engenharia Informática [Gonçalo Byrne; 1994]

 

 

 

 

Gonçalo Byrne é um dos mais renomados arquitetos portugueses, com trabalhos espalhados por todo o país e no estrangeiro. Nós já conhecemos este arquiteto, pois o novo e brilhante edifício do Museu Machado de Castro é da sua autoria. Conhecemos igualmente o edifício novo do hotel da Quinta das Lágrimas, que já visitámos o ano passado, e que tem igualmente a sua assinatura.

 

 

 

 

 

Byrne é igualmente responsável pelo projeto do edifício do departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, em parceria com Manuel Mateus. Este é o maior de todos os edifícios do Polo II. O edifício tem uma longa frente, estando erguido num declive muito acentuado, dividindo-se em dois módulos, abrindo-se ao meio uma escadaria muito grande que permite descer para o nível inferior, virado para o rio. Os dois blocos são todos brancos com janelas muito grandes encimadas por palas que produzem um interessante jogo de sombras sobre a fachada. Os interiores são amplos, espaçosos e muito bem iluminados.

 

 

 

 

O Departamento de Química foi projetado pelo arquiteto conimbricense Vasco Cunha, em 1998 e foi um dos primeiros a ser concluído. Uma grande faixa azul distingue o edifício dos restantes, marcando a paisagem visual de toda a urbanização. Vimo-lo apenas ao longe, pois não realizámos o circuito por todos os arruamentos da urbanização.

 

 

 

Departamento de Engenharia Civil [Fernando Távora; 1999]

 

 

 

O importante departamento de engenharia civil é da autoria de um dos nomes mais importantes da arquitetura portuguesa do século XX, Fernando Távora. Este autor, falecido em 2005, distinguiu-se como professor na Faculdade de Belas-Artes do Porto, bem como no lançamento do curso de Arquitetura em Coimbra. Na nossa cidade, distinguiu-se pelo trabalho de reordenamento da Praça 8 de maio, frente ao mosteiro de Santa Cruz, na sequência do trabalho de recuperação do centro histórico de Guimarães. Foi ainda no seu ateliê que estagiou o famoso arquiteto Siza Vieira.

 

 

 

 

Departamento de Engenharia Mecânica [Manuel Tainha; 1994-95]

 

 

 

Manuel Tainha é outra figura incontornável da arquitetura portuguesa contemporânea. Falecido em 2012, deixou uma vasta obra, sendo a Pousada de Santa Bárbara, em Oliveira do Hospital, uma das primeiras e mais reconhecidas. Este departamento, o primeiro a ser inaugurado neste polo, é uma das obras mais relevantes deste autor que, no entanto, tem sido objeto de acesas polémicas dado o seu estado de degradação, consequência de uma construção deficiente que compromete o projeto original de Tainha, de grande modernidade e depuração de formas.

 

 

 

 

 

Para a redação deste texto servi-me da informação facultado no seguinte sítio eletrónico: http://arquiteturaportuguesa.blogspot.pt

 



publicado por CP às 07:45
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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