Sábado, 20 de Abril de 2013

 

 

Esta semana retomámos o passeio pelas ruas da Baixa que iniciáramos no último dia de aulas do 2º período. Fomos, mais uma vez, guiados pela Paula Moura Relvas e partimos exatamente do local onde suspendêramos o passeio, no Largo da Freiria. Aqui existiu em tempos uma capela chamada de S. João da Freiria que começou a ser demolida em 1765. Seguimos depois pela Rua Eduardo Coelho, antiga Rua dos Sapateiros, onde ainda sobrevivem alguns estabelecimentos comerciais, nomeadamente sapatarias, o que mostra como ainda subsiste a tradição medieval do arruamento dos ofícios.


   

 

Desembocámos depois no Largo do Poço, antigamente designado Terreiro do Pocinho. Aqui existem hoje uns repuxos colocados no centro da praça. Sobre este local conta José Pinto Loureiro, importante autor para quem gosta de conhecer a toponímia de Coimbra (a Paula explicou-nos o que significa esta palavra, espero que se lembrem), uma história muito curiosa. Diz ele que, em certo jornal do último quartel do séc. XIX, este Largo do Poço aparecia várias vezes referido como Chão da Égua Pintada. Tão estranho topónimo causou grande estranheza aos estudiosos, até que uma leitura mais cuidada revelou que um documento de 1493 mencionava este local, dizendo existir aqui uma casa com o chão dadegua pymtada. Ora, reanalisando o documento, verificou-se que afinal não existia aqui nenhuma égua pintada, mas simplesmente uma casa, pertencente ao mosteiro de Santa Cruz, onde existia uma adega pintada

 


Do Largo do Poço virámos para a Rua do Corvo. Em tempos esta artéria chamou-se Rua dos Pintores e só nos finais do séc. XVIII aparece com este nome. Ainda hoje existe aqui um estabelecimento comercial que exibe na fachada um corvo. Alguém consegue descobrir onde está este corvo?

 


Pela Rua do Corvo chegámos à Praça Oito de Maio, o centro da antiga cidade. Este local, arranjado na década de 90 por um projeto de reabilitação da autoria do arquiteto Fernando Távora, foi conhecido durante séculos como Largo de Sansão, pois, ao centro do terreiro fronteiro à igreja do Mosteiro de Santa Cruz, existia um chafariz com uma estátua de Sansão que viria a ser demolido no séc. XIX. Depois, em 1874, a Câmara aprovou uma nova designação para este terreiro, consagrando a data de 8 de maio, em homenagem às tropas liberais que nesse dia, em 1834, entraram na cidade, poucos dias antes do fim da guerra civil que opôs constitucionalistas e absolutistas.


   


Da Praça 8 de maio, prosseguimos a nossa visita pela Rua da Sofia, uma das mais emblemáticas e desprezadas ruas da nossa cidade. Já tivemos oportunidade de, anteriormente, percorrer esta rua, visitando o que resta dos antigos colégios. Ainda recentemente, visitámos o claustro da igreja do Carmo, pelo que não vamos repetir o que então dissemos. No entanto, é sempre bom lembrar que esta rua, cuja construção no reinado de D. João III se relaciona com a transferência definitiva da Universidade para Coimbra em 1537, foi idealizada por Frei Brás de Braga, prior de Santa Cruz, e financiada pelo próprio rei.


 

A Rua da Sofia foi concebida para ser uma rua escolar, isto é, para alojar os estudantes e mestres que estudavam e ensinavam nos vários colégios aqui edificados. Quem olhar hoje para esta rua não imagina o brilho e importância que possuiu outrora, tamanho é o desmazelo, a degradação dos prédios, a adulteração das fachadas e o movimento de veículos. Quanto aos antigos colégios, muitos foram destruídos, outros sofreram profundas alterações e outros ameaçam ruína. Sirva de exemplo o Claustro do Colégio do Espírito Santo, ao qual se acede pela Azinhaga do Carmo ou por uma escadaria interior que parte da Rua da Sofia:

 

 

 

Este claustro data dos meados do séc. XVI, tendo pertencido à Ordem de Cister, pelo que o colégio também era concido como Colégio de S. Bernardo. Em 1834, quando da extinção das ordens religiosas, o colégio foi vendido em hasta pública e transformado em palacete, tendo sido a fachada profundamente alterada. Hoje, o prédio está desabitado, estando apenas ocupadas as lojas do rés-do-chão que dão para a Rua da Sofia. Quanto ao claustro, foi sendo ocupado clandestinamente, tendo as arcadas sido ocupadas por residências particulares e o recinto interior completamente transformado e irremediavelmente danificado!

 

 

 

Prosseguimos depois para o antigo colégio de S. Domingos, passando pelo colégio de S. Boaventura, hoje ocupado por uma retrosaria. Quanto ao Colégio de S. Domingos (fotos superior e inferior) é hoje um centro comercial, depois de já ter sido uma central de camionagem!

 

 

Como já conhecemos o claustro do Colégio do Carmo, visitámos desta vez o do Colégio da Graça, deixando a igreja anexa com o mesmo nome para outra ocasião. Este claustro foi construído na década de 40 do século XVI e está atualmente ocupado pela Liga dos Antigos Combatentes. O claustro tem uma planta quadrada e é constituído por dois pisos, encontrando-se relativamente bem conservado.

 

 

 

A obra deve-se ao arquiteto Diogo de Castilho. O piso térreo é coberto por uma abóbada de berço, enquanto o segundo piso foi alterado, sendo fechado com a construção de uma parede e varandas de sacada.

 

  

 

Como a hora já ia adiantada, suspendemos aqui a nossa visita, mesmo sabendo que a Rua da Sofia ainda tem outros importantes monumentos para conhecer, como o Colégio de S. Pedro dos Terceiros, ou o antigo Colégio de S. Tomás, atual Palácio da Justiça, que nós já conhecemos. Fica ainda prometida uma visita à Igreja de Santa Justa. 

Desta vez, concluímos aqui o nosso passeio, despedindo-nos da Paula, deixando os nossos agradecimentos e aguardando por uma próxima oportunidade para passearmos consigo pelas ruas da nossa cidade.



publicado por CP às 11:43
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