Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2013

 

Quando entramos no Paço das Escolas através da Porta Férrea, deparamo-nos, à nossa direita, com a Via Latina, o mais emblemático edifício da nossa cidade, juntamente com a torre da Universidade, com a qual aliás se articula.

 

 

Trata-se de uma galeria, à qual se acede através de uma monumental escadaria, e de um conjunto de três arcos muito altos encimados por um frontão triangular que contém o Escudo Nacional. No vértice superior, está uma estátua alegórica, simbolizando a Universidade, ou a Sapiência, ladeada por um par de fogaréus em cada um dos lados.

 

 

 

Na parede ao fundo do arco central, encontramos um magnífico trabalho escultórico do artista francês Claude Laprade (1682-1738). Este escultor, natural de Avinhão, fixou-se muito jovem em Portugal, tendo sido o responsável pelos trabalhos escultóricos das sobreportas das salas dos Gerais, bem como as esculturas das salas de aula. Por volta de 1701, esculpiu este grupo de esculturas que só seria aqui colocado na sequência da reforma pombalina da Universidade, iniciada em 1772, sete décadas após a sua execução, durante o reitorado de D. Francisco de Lemos.

 

 

Por essa razão, não se sabe muito bem se a figura central será a do rei D. Pedro II. O mais provável é que o rei representado seja D. José I, ainda que possa ter sido adaptado a partir de um busto anterior. A imagem do rei está inserida numa moldura oval colocada ao centro de dois atlantes que suportam o frontão curvo. Em baixo, sobressaem duas figuras femininas, representando a Fortaleza e a Justiça, segurando os seus atributos: uma coluna e uma balança com uma espada.

 

 

A Torre da Universidade situa-se junto à entrada para os Gerais. A sua construção iniciou-se em 1728, demorando cinco anos a concluir. É provável que aqui existisse uma outra, traçada por João de Ruão. Destaca-se um conjunto de sinos e o relógio. Os sinos são três: a nascente, fica o maior, o balão, de 1561; a poente, está a cabra, refundido em 1900; para norte, o cabrão, datado de 1824.

 

 

O projeto da torre deve-se ao arquiteto italiano Antonio Canevari (1681 - 1784), ao serviço do rei D. João V. Os trabalhos de construção foram dirigidos pelo mestre da Universidade, Gaspar Ferreira, tendo custado 14 contos de réis, além dos honorários pagos ao arquiteto.

 

 

No Pátio dos Gerais, funciona a Faculdade de Direito. Inicialmente, situavam-se aqui os aposentos da rainha, no tempo em que aqui ficava o Paço Régio. A construção toma a forma de um claustro. No piso térreo, os pilares são quadrados, enquanto no piso superior encontramos colunas dóricas montadas sobre pedestais. O terceiro piso, data já do séc. XVIII, durante o reitorado do já referido D. Francisco de Lemos.

 

 

As obras de adaptação iniciaram-se nos finaos do séc. XVII, tendo sido mestre da obra José Cardoso, sendo já uma obra típica da arquitetura clássica. No tempo pombalino, as obras foram dirigidas pelos mestres Manuel Alves Macamboa e José Carvalho.

 

 

 

Concluída a nossa visita, saímos pelas Escadas de Minerva. Esta escadaria, situada junto à Biblioteca Joanina, foi concluída em 1725 e deve o seu nome à figura da Sapiência, representada por Minerva, deusa romana do Saber, colocada sobre o portal e da autoria de Frei Cipriano da Cruz, cuja obra já conhecemos do Museu Nacional Machado de Castro. 




Nota: para a redação deste texto, foram usados os seguintes trabalhos do professor Pedro Dias: O Património Artístico da Universidade de Coimbra; Coimbra; Gráfica de Coimbra; 2ª edição; 2004; pp. 26 - 51 ( em co-autoria com António Nogueira Gonçalves) e 100 Obras de Arte de Coimbra; Coimbra; Fundação Bissaya Barreto; 2008; pp. 132 e 160-163



publicado por CP às 16:37
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