Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2013

 

 

O programa pedagógico do Museu Municipal de Coimbra para este primeiro trimestre de 2013 sugere uma série de atividades que nós decidimos aproveitar. Os técnicos do museu propuseram-nos uma viagem pelos  núcleos de mobiliário indo-português e cerâmica oriental, sob o tema geral A Expansão, novas vivências

 

 

Antes do século XVI, o mobiliário era praticamente inexistente nas casas mais pobres. As habitações eram muito modestas, com teto de colmo, paredes de madeira com poucas aberturas e chão de terra batida. Tinham uma só divisão com uma lareira ao canto. Não havia mesas, nem camas, nem cadeiras. Os membros da família sentavam-se em redor da lareira, comendo à mão ou bebendo de umas malgas, sem necessidade de se sentarem à mesa. Para dormir, colocavam umas esteiras no chão, sobre as quais lançavam umas braçadas de palha. Mesmo nas casas nobres, o mobiliário era escasso. Resumia-se a uma mesa, bancos e um baú, onde se guardavam as roupas e algum objeto mais valioso. A alcova era uma pequena câmara interior, nos aposentos íntimos do paço, onde se dormia. Só mais tarde surgiram as camas.


 


Com o enorme desenvolvimento comercial do séc. XVI, assistimos à importação de peças de mobiliário, sobretudo arcas embutidas, vindas de Castela e de Itália, ao mesmo tempo que, graças às grandes viagens marítimas, chegavam as arcas do oriente, bem como os escritórios, as escrivaninhas e os contadores. Todas estas peças, fabricadas nos territórios ultramarinos, sobretudo na Índia, caracterizam-se pelo exotismo dos motivos decorativos, bem como pela riqueza dos materiais usados. Outras vezes, o mobiliário era produzido em Portugal, mas sob influência dos modelos e motivos orientais. É a esta arte que mistura técnicas, motivos e formas das culturas europeia e oriental que chamamos arte indo-portuguesa.


   


Esta arte indo-portuguesa expressa-se em diversos campos artísticos, como a escultura em madeira ou marfim, a joalharia e ourivesaria, a porcelana, os têxteis ou o mobiliário. O mobiliário era produzido para uso religioso ou civil nos territórios do oriente para consumo local e para exportar para a Europa. Face ao enorme aumento das encomendas, os artífices orientais, especialmente de Goa, adaptaram as suas produções às exigências dos clientes, surgindo assim uma arte híbrida, isto é, fundindo os gostos ocidental e oriental.



A beleza dos motivos decorativos impressionava os compradores europeus que disputavam estas peças feitas em madeiras exóticas como o ébano ou a teca e com embutidos em marfim ou madrepérola, como o tampo do contador que podemos apreciar na figura acima.


   

 

A mistura de culturas é claramente visível em duas magníficas peças de arte indo-portuguesa. Do lado esquerdo, podemos admirar uma imagem de Jesus Cristo crucificado lavrada em marfim, enquanto à direita vemos uma bela imagem da Virgem com o Menino ao colo, moldada em finíssima porcelana chinesa. Em ambos os trabalhos comprovamos como os anónimos artífices respeitaram os modelos ocidentais mas com a fisionomia dos rostos do oriente. 

 


A China foi sempre famosa pelas suas porcelanas. Logo quando Vasco da Gama aportou em Calecute, em 1498, recebeu do samorim local, como presente, um conjunto de porcelanas chinesas. Depois, quando os navegadores portugueses chegaram ao extremo oriente, começámos a importar, desde Macau, enormes quantidades de porcelana. Inicialmente, os comerciantes limitavam-se a adquirir a produção local mas, não tardou, começaram a fazer as suas encomendas, surgindo então novos modelos e peças chinesas decoradas com motivos europeus.



 


Chegados ao Japão, as exportações para Portugal, dominadas pelos jesuítas, são principalmente produtos de laca, uma espécie de verniz resinoso extraído de algumas plantas do oriente, com que se revestiam os mais diversos materiais. Estas peças japonesas, produzidas entre os finais do séc. XVI e os inícios do século seguinte, designam-se por arte namban, sendo muito comuns as pequenas arcas como a que vemos na imagem, com aplicações de madrepérola e que serviam para guardar jóias e valiosas relíquias.








publicado por CP às 21:15
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