Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2013


A fundação do Mosteiro de Santa Cruz remonta aos tempos anteriores à nacionalidade, tendo desempenhado um papel decisivo no processo de independência do reino. O mosteiro pertencia aos frades da ordem de Santo Agostinho e foi o mais importante dos tempos iniciais da nacionalidade. Conhecido pelo seu scriptorium e pela sua vasta biblioteca, foi um dos mais importantes centros culturais da Idade Média, acabando por acolher os restos mortais dos dois primeiros reis. Na nossa visita fomos amavelmente recebidos pelo senhor padre Anselmo Gaspar, atual pároco da igreja de Santa Cruz.


 


Já não é a primeira vez que visitamos este monumento que é atualmente considerado Panteão Nacional, mas ainda nos faltava muito para ver. Desta vez, iniciámos a nossa visita pela sacristia, traçada ao estilo maneirista no tempo da dinastia filipina pelo arquiteto Pedro Nunes Tinoco. O João Tiago orientou-nos esta parte da visita, lendo um guião que nos foi facultado na portaria.


  


Na sala anexa à sacristia estão expostos alguns paramentos religiosos, bem como uns relicários muito antigos. O culto das relíquias era muito importante na Idade Média, ao ponto de as diversas igrejas e santuários exporem as mais macabras relíquias, disputando assim prestígio e peregrinos. Era frequente exibirem pedaços de ossos de santos, vestígios da coroa de espinhos de Cristo ou do Manto da Virgem, o Santo Lenho, etc. Claro que a maior parte destas relíquias eram falsas. Aqui, no relicário de Santa Cruz, destacam-se as relíquias de S. Teotónio e dos mártires de Marrocos, cuja história já conhecemos.


  

O João Tiago a "pregar" aos colegas na Sala do Capítulo

 

O Claustro do Mosteiro de Santa Cruz, também conhecido como Claustro do Silêncio, foi construído entre 1517 e 1522, provavelmente sobre um outro anterior, dos tempos românicos. As obras de construção foram dirigidas pelo mestre Marcos Pires.




 

Nos inícios do séc. XVI, o rei D. Manuel I encarregou o arquiteto Diogo Boitaca (ou apenas Boytac) de proceder a profundas obras no mosteiro, um local simbolicamente muito importante por estar associado à fundação da nacionalidade e por albergar os túmulos dos primeiros reis. Marcos Pires, arquiteto natural da nossa cidade, trabalhara com Boitaca nas obras do Mosteiro da Batalha, tendo depois assumido a responsabilidade de conduzir os trabalhos neste claustro.

 

 

Os nossos especialistas estudam a fonte de Paio Gueterres à procura de ....


 

Este claustro tem forma quadrangular, com cinco tramos em cada lado. Os arcos estão subdivididos em dois por uma pequena coluna central e separados por contrafortes de onde ressaltam as gárgulas. O andar superior tem apenas uma cobertura de telha assente numa estrutura de madeira, onde, até há poucos anos, funcionou a biblioteca municipal de Coimbra. No centro, há um chafariz datado de 1639.

 

 

 

Os corredores do claustro foram enriquecidos com 4 retábulos colocados nos topos, da autoria de Nicolau Chanterenne, bem como pequenas capelas construídas por João de Ruão. Dos quatro retábulos originais, restam três: o Ecce Homo, o Caminho do  Calvário e a Descida da Cruz.

 

  

 

Percorridos os corredores do claustro entrámos na sala mais importante do percurso, aquela onde se guardam algumas pinturas e esculturas de enorme valor artístico, avultando entre todas o Pentecostes, famosíssimo quadro do grande pintor do séc. XVI, Grão Vasco, executado para este mosteiro de Coimbra. Como não é permitido tirar fotografias nesta sala, só nos resta convidar os leitores a visitar o Museu. Prometemos que não se vão arrepender!

 

 

Esta pintura data de 1535 e fazia parte de um conjunto mais vasto de uma encomenda feita ao pintor de Viseu. Infelizmente, só nos resta esta pintura feita a óleo sobre madeira. É a primeira vez que um pintor português assina a sua obra. Na verdade, na parte inferior direita do quadro, vemos um pequeno papel no chão com o nome Velascus, forma latinizada do nome do artista. O Pentecostes celebra-se 50 dias após a Páscoa e recorda a descida do Espírito sobre os Apóstolos na forma de línguas de fogo. Destacámos a simetria da composição, o cenário arquitetónico à maneira do Renascimento, o excelente desenho das figuras, bem como o tratamento da luz e da cor. 

 

Além desta, apreciámos ainda outras obras de pintura e escultura, destacando as estátuas originais que Nicolau Chanterrenne esculpiu para a fachada do convento e que agora se exibem nesta sala, bem como um anjo heráldico igual a um outro que já vimos no Museu Machado de Castro, da autoria do escultor Diogo Pires-o-Moço.

 

Antes de regressarmos à escola, ainda passámos pelo altar-mor para apreciar de novo os magníficos túmulos reais de D. Afonso Henriques e D. Sancho I. Para a semana regressamos ao museu Machado de Castro, agora para visitar a coleção de pintura. Até lá!

 



publicado por CP às 21:12
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