Domingo, 13 de Janeiro de 2013

 

 

No reinado de D. Manuel (1495-1521), a cidade de Coimbra foi alvo de muitas obras devidas ao patrocínio régio, mantendo-se como um importante centro produtor e consumidor de escultura. Na figura de cima, ao fundo, podemos ver o célebre Padrão da Ponte. Trata-se de uma lápide que assinala a reconstrução, em 1513, da travessia sobre o Mondego, representando a Virgem com o Menino ao colo entre dois escudos. Em frente, na direção do olhar do João Tiago, está colocada a imagem de um enorme anjo heráldico, abaixo reproduzido, sustentando nas mãos o brasão do reino, tendo a esfera armilar aos pés. Este trabalho, que esteve na fachada do mosteiro de Santa Cruz, deve-se a Diogo Pires-o-Moço, escultor que marca a transição do gótico para o gosto manuelino e que trabalhou diretamente com o grande Nicolau Chanterenne.

 

 

 

De seguida, passámos à maior sala do museu, justamente aquela onde foi montada a famosa Capela do Tesoureiro. Esta obra de arquitetura, devida ao grande João de Ruão, data já da segunda metade do séc. XVI e foi edificada sob encomenda de Francisco Monteiro (também temos um no clube), tesoureiro da Sé de Coimbra. A capela foi construída para o antigo convento de S. Domingos, na rua da Sofia, que nós já visitámos. No entanto, em 1967, foi desmontada do seu local de origem e remontada num pátio do Museu. Agora, esta obra-prima do escultor francês readquiriu a sua monumentalidade. Ao centro, podemos admirar uma cena representando a Assunção da Virgem aos céus.

 

 

No grande salão, expõem-se ainda uma série de retábulos da autoria de João de Ruão e dos seus discípulos que foram recolhidos de diversas igrejas e conventos da cidade de Coimbra e dos seus arredores. A nossa atenção prendeu-se num que representava a cena de Tobias a extrair as entranhas de um peixe.

 

 

  

 

Concluímos o nosso percurso com a Deposição no Túmulo, depois de nos termos embevecido com uma lindíssima Santa Inês, que mais parecia uma dama da sociedade conimbricense do séc. XVI, e de nos termos arrepiado com a representação do suplício de S. Bartolomeu, apóstolo que foi esfolado vivo. 

 

 

 

Esta obra-prima de João de Ruão é um conjunto escultórico, praticamente à escala natural, constituído por 8 imagens, incluindo o cadáver de Jesus Cristo que é colocado no túmulo. Em cada um dos topos, duas figuras masculinas, José de Arimateia e Nicodemus, com as suas frondosas barbas, seguram o sudário em que repousa o filho de Deus. O que é curioso é que estas figuras estão luxuosamente vestidas, à maneira do séc. XVI, exibindo as suas jóias e roupas valiosas. S. João consola a Virgem que sofre amargamente, mas uma dor contida num rosto sereno. Completam a cena um grupo de três mulheres, entre elas Maria Madalena. 

 

 

 

O virtuosismo técnico do escultor é inexcedível, os pormenores são deliciosos, só possíveis com esta pedra de Ançã. Esta obra de arte pertenceu ao Mosteiro de Santa Cruz e constitui uma das mais magníficas obras da escultura do séc. XVI, tendo causado grande impacto no seu tempo.

E assim nos despedimos, com a promessa de voltar ao Museu, já daqui a duas semanas, para visitar outra das coleções.



publicado por CP às 11:37
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