Sábado, 12 de Janeiro de 2013

 

 

O Museu Nacional Machado de Castro reabriu finalmente no mês de dezembro de 2012, após longos anos encerrado para obras de ampliação das instalações e restauro das coleções. Foi uma longa espera, quase tão longa como a nossa ainda curta vida, pois que o museu fechou em 2003! Mas valeu a pena, o nosso museu está FAN-TÁS-TI-CO! Podemos dizer orgulhosamente que Coimbra tem agora um dos melhores museus portugueses. O edifício é lindíssimo e as coleções são muitas e de excelente qualidade.

 

 

 

A pior coisa que se pode fazer quando se visita um museu como este é querer ver tudo! É impossível! Quem quer ver tudo acaba por não ver nada, pois com a ânsia de percorrer todas as salas, anda sempre a correr numa azáfama enorme, incapaz de se concentrar e apreciar devidamente as coleções. Temos pois que organizar várias visitas. Como a nossa escola fica perto do museu e como pretendemos ser visitantes frequentes, planeámos, para já, três idas ao museu. Nesta primeira ocasião, optámos por conhecer a coleção de escultura.

 

 

 

Coimbra foi o principal centro da escultura portuguesa desde o Gótico ao Renascimento. A cidade tinha uma tradição que remontava ao tempo dos romanos. Por outro lado, dispunha, nas redondezas, de matéria prima de excelente qualidade, o famoso calcário de Ançã. Esta pedra é muito macia, branca e sem veios, pelo que os artistas desde sempre a escolheram para os seus trabalhos. Por último, havia em Coimbra muitos e bons encomendantes: a Sé, muitos mosteiros e igrejas e, a partir de 1537, os vários colégios universitários, além de importantes figuras da nobreza e da família real como Rainha D. Isabel ou o Infante D. Pedro.  A cidade reunia pois todas as condições para atrair os melhores artistas e assim se tornar, durante séculos, a capital da escultura em Portugal.

 

 

  

Na imagem da esquerda podemos apreciar um capitel islâmico proveniente de Montemor-o-Velho (séc. XI). À direita, um capitel românico da igreja de S. Pedro de Almedina, já desaparecida.



O claustro de S. João de Almedina (na imagem abaixo: à esquerda com Raúl e à direita sem Raúl) data do séc. XI, portanto ainda do período condal, isto é, anterior à independência do reino. Da igreja original, profundamente remodelada no séc. XVII, já pouco resta, a não ser as bases dos pilares, lançados sobre o antigo  forum romano.



 



A arca-relicário dos Santos Mártires de Marrocos foi executada para o mosteiro do Lorvão para acolher os restos mortais dos frades franciscanos que, no séc. XIII, a pedido de S. Francisco de Assis, se deveriam dirigir a Marrocos para combater o miramolim, tentando convertê-lo ao Cristanismo usando somente a palavra e a pregação. Acabaram supliciados e os seus restos mortais, depois de resgatados, regressaram a Coimbra onde impressionaram o jovem frade agostiniano Fernando de Bulhões, que professaria na Ordem Franciscana, adotando o nome de António, o futuro Santo António.


 



A escultura do cavaleiro Domingos Joanes, oriunda de Oliveira do Hospital, é uma das peças mais conhecidas do Museu. A obra deve-se ao grande escultor conhecido por Mestre Pero que, no séc. XIV, acompanhou a rainha Isabel de Aragão, fixando-se em Coimbra onde esculpiu o seu túmulo. O cavaleiro, casado com Domingas Sabanchais (hehe!), contratou o escultor da rainha para se fazer representar em pedra ostentando os símbolos da sua condição nobre: o elmo, a cota de malha, o brasão, a espada e as esporas picando o dorso do cavalo.


  



Mestre Pero celebrizou-se igualmente pela produção de representações da Virgem com características bem identificáveis: os corpos bem modelados pronunciando um S e com as cabeças demasiado grandes e as mãos afiladas, os panos bem lançados, destacando a fivela prendendo as abas do manto no peito da imagem. Os rostos são quase sempre iguais, com os olhos amendoados e o queixo ligeiramente levantado.




O Cristo Negro é uma das peças mais impressionantes da exposição de escultura. Estava originalmente na igreja de S. João das Donas, anexo ao mosteiro de Santa Cruz, onde hoje se situa o café. A imagem foi alvo de grande devoção das populações locais que, nos momentos de grandes dificuldades se identificavam com o ar sofredor desta representação de Jesus Cristo. Na verdade, não se trata de um Deus castigador, mas um Deus humano e sofredor, com o corpo cadavérico e moribundo, exibindo no rosto uma expressão de enorme dor, a carne dilacerada e o sangue gotejando dos braços. Nos tempos difíceis do séc. XIV, as populações atormentadas pela fome, pelas doenças, pela pobreza e pela guerra, identificaram-se com esta imagem à qual dedicaram enorme devoção.



 

O escultor Gil Eanes representa uma nova fase da escultura coimbrã. Trabalhou nas obras do mosteiro da Batalha, onde aprendeu com os artistas estrangeiros e internacionalizou o gosto nacional, tendo sob suas ordens João Afonso que regressaria a Coimbra. Em baixo,  temos uma representação do arcanjo S. Miguel, da autoria de Gil Eanes, derrotando as forças do mal. Destaquem-se as ricas vestes e a fisionomia do rosto, bem como os gestos, delicados e quase femininos. 

 

 

O retábulo do Corpo de Deus, que outrora estava na capela situada na judiaria de Coimbra, deve-se ao mestre João Afonso. Podemos ver dois anjos tenentes ajoelhados elevando o cálice contendo a hóstia sagrada.

 

 




publicado por CP às 12:23
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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