Sábado, 10 de Novembro de 2012

 

 

O Gabinete de Física da Universidade de Coimbra é um núcleo do Museu da Ciência e está instalado no edifício do Museu de História Natural. Foi criado na sequência da Reforma Pombalina dos Estudos de 1772 e integra-se no movimento Iluminista que, ao longo do séc. XVIII, percorreu a Europa, pretendendo explicar os fenómenos da Natureza à luz da Razão. 

A nossa visita começou no anfiteatro onde, em tempos, os alunos escutavam atentamente as lições dos mestres estrangeiros que o Marquês de Pombal contratou para a Universidade. Nós fomos recebidos pelo Miguel que nos fez uma breve introdução sobre a história do edifício e as coleções que acolhe.

 

 

 

João António Dalla Bella (1730 - 1823) era um professor italiano de Física que foi convidado pelo Marquês de Pombal para vir para Portugal ensinar no Colégio dos Nobres, em Lisboa. Como este projeto não alcançou sucesso, o professor Dalla Bella acabaria, mais tarde, por ser convidado para a Universidade de Coimbra. Os instrumentos que fazem parte desta coleção estavam pois destinados ao Colégio dos Nobres e constituíam, à época, uma das melhores e mais completas coleções europeias do género. Os instrumentos eram para ser usados nas aulas de Física Experimental e foram, na sua maior parte, importados da Inglaterra ou construídos no nosso país por artesãos selecionados e sob as orientações diretas do professor italiano.



As salas onde se exibem atualmente os instrumentos foram construídas para este fim. Existe uma sala para as coleções do século XVIII e uma outra que guarda os aparelhos e equipamentos adquiridos na sequência das reformas ocorridas no século XIX, em 1836 e 1884. Já no século XX, a recuperação de grande parte das máquinas, bem como a organização museológica do espaço, ficou a dever-se aos professores Mário Silva e Rómulo de Carvalho.


  


O Miguel pediu-nos para não tirarmos fotografias com flash, pois o disparo consecutivo de relâmpagos de luz muito intensa danifica as peças. Por isso, as fotografias ficaram um bocado tremidas, mas dá bem para ter uma ideia do espaço. Nos finais do século XVIII, o Gabinete de Física possuía 592 instrumentos, a maior parte dos quais ainda se conserva, estando expostos na primeira sala. De entre as peças que mais nos chamaram a atenção, destaquemos uns anjos dourados que sustinham umas bandejas perfuradas. Sem descuidar o aspeto artístico, já que os estudantes pertenciam aos grupos mais favorecidos da sociedade, estes anjos destinavam-se a demonstrar a porosidade e descontinuidade da matéria. Vimos também um equilibrista que segurava nas mãos uns pesos com o objetivo de demonstrar a localização do centro de gravidade de um corpo. Gostámos ainda do autómato-centauro que disparava setas. Todos estes instrumentos, além de constituirem autênticas obras de arte e de se poderem usar como magníficos brinquedos, destinavam-se a demonstrar experimentalmente princípios básicos da Física.


  


Impressionante é o magnete chinês, inicialmente incluído na coleção do rei D. João V e que o seu filho D. José I ofereceu ao Gabinete de Física do Colégio dos Nobres. Trata-se de uma pedra magnética de grandes dimensões, montada numa armação especial com a coroa do rei. Defronte, estava um compressor blindado que continha água e para onde se injetava ar, comprimindo de tal maneira o interior que a água acabava por ser expelida com uma pressão enorme, lançando um jato a cerca de 10 metros de altura! Se em vez de água se usasse aguardente e se no momento da expulsão se lhe chegasse o fogo, obtinha-se um efeito ainda mais espetacular! A Física, como se vê, servia também para divertir a aristocracia barroca.


  


Na sala do século XIX, o instrumento mais engraçado foi um aparelhómetro que, uma vez carregado com eletricidade, fazia com que dois voluntários, empoleirados sobre um banquinho isolado do chão com pernas de vidro, recebessem uma corrente elétrica, fechando o circuito através de um beijo. No exato momento em que os lábios se tocavam, a corrente que percorria o corpo de ambos produzia um faiscar que soltava um estampido e um breve relampejar! Assim se estudava a Física e os princípios da eletricidade no século XVIII! Convenhamos que era muito mais engraçado do que na atualidade!


 

O Miguel a explicar o funcionamento da «máquina dos beijos», em primeiro plano


A hora ia já adiantada, estava a chegar o momento de partir. Ainda escutámos o Miguel a contar a história de alguns instrumentos como aquela lâmpada de raio-X e a moda que, no século XIX, envolvia todas estas maravilhas da técnica. A ânsia de progresso e o otimismo que resultava da crença nas potencialidades da ciência e da técnica era tanto que até nas sapatarias havia instrumentos de raios-X para verificar se o pé se acomodava confortavelmente no interior do sapato! Claro que ainda se desconheciam os efeitos nocivos das radiações. Vimos ainda umas máquinas fotográficas e alguns instrumentos para o estudo da ótica, que é o ramo da Física que estuda a luz, mas não tivemos tempo para mais, estava mesmo na hora do regresso.


 


Faltava ainda uma «pequena» e desagradável surpresa: enquanto esperávamos na paragem do autocarro, e após longos minutos, disseram-nos que houvera um acidente na avenida dos Combatentes e que o trânsito estava cortado, pelo que fomos obrigados a regressar à escola a pé! Claro que ninguém se queixou e felizmente não choveu!



publicado por CP às 20:59
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