Sábado, 03 de Novembro de 2012

 

 

Ontem foi um dia especial, pois foi a primeira visita com os novos sócios do Clube do Património: a Carolina, a Laura, o Eduardo, o Francisco, a Filipa e o António. Sejam bem-vindos! 

O nosso objetivo era visitar uma exposição de fotografia de Daniel Malhão e Eduardo Guerra, patente no Centro de Artes Visuais (CAV). No entanto, não podíamos deixar de apreciar a instalação de Pedro Cabrita Reis, intitulada Longer Journey, concebida para a bienal de Artes de Veneza em 2003, e que foi depois aqui colocada para assinalar o encerramento do ano em que Coimbra foi a capital da cultura.


 

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No Pátio da Inquisição, onde se situa o CAV,  funcionou, desde o séc. XVI até à sua extinção em 1821, o Tribunal do Santo Ofício. Muitas vítimas deste tribunal religioso aqui estiveram presas e aqui foram executadas. Antes, funcionara aqui o Colégio das Artes que seria depois transferido para a Alta da cidade, local que visitaremos proximamente. O traçado dste pátio, com as suas imponentes colunas jónicas, deve-se a Diogo de Castilho, arquiteto natural do País Basco, no norte de Espanha, nascido nos finais do séc. XV e que veio depois para Portugal, tendo marcado profundamente a nossa cidade com as suas obras.


 


No piso inferior do CAV, tivemos então oportunidade de conhecer os trabalhos do fotógrafo Daniel Malhão. Este artista, nascido em 1971, apresenta uma seleção de trabalhos realizados entre 2002 e 2011, constituída por 22 fotografias cujos temas se desenvolvem em torno dos conceitos de construção/ruína, arquitetura/paisagem, ação humana/natureza. Na verdade, um dos aspetos que assoma em toda a mostra é a relação do olhar do fotógrafo com os edifícios de arquitetos como Mies van der Rohe, Siza Vieira, Souto Moura ou Nuno Teotónio Pereira, além de João Mendes Ribeiro, o arquiteto responsável pelo edifício do Centro de Artes Visuais.


 

O João e o Vítor conversam defronte de uma fotografia do edifício «Franjinhas», de Nuno Teotónio Pereira (1971), que foi prémio Valmor.


Um dos momentos mais interessantes do nosso percurso foi quando nos confrontámos com um trabalho intitulado Centro de Artes Visuais. Imaginemos que um grupo de excursionistas, durante uma visita a uma galeria de arte, se detém defronte de uma parede completamente branca, sem nada exposto! Que diríamos nós? Certamente que teriam entontecido, pois que uma parede branca e despida não merece atenção nem demora. No entanto, Daniel Malhão fotografou a parede branca e expôs a fotografia na parede que fotografou! Confusos? Reparem na fotografia que eu tirei à fotografia que o Daniel Malhão tirou à parede branca do CAV:

 

 

A Xana e a Eva preparam-se para fotografar a fotografia da parede em que está afixada a própria fotografia


Tudo isto pode parecer uma brincadeira, um trocadilho de palavras ou um jogo de espelhos labirintuoso e inútil, mas não é. Na verdade, o olhar do fotógrafo conferiu um sentido e uma profundidade de leitura a um espaço que inicialmente não era mais do que uma parede em branco de tal maneira desinteressante que se acaso um grupo de visitantes fosse surpreendido a contemplar uma parede branca nós seríamos capazes de desconfiar da sua sanidade. Mas, agora, eis-nos a observar entusiasmados uma fotografia dessa parede afixada na própria parede fotografada! Tudo adquire um novo sentido, parece que surgiu uma nova dimensão e uma profundidade espacial que só se revela por força da intervenção artística, ao ponto de alguns de nós terem admirado demoradamente este trabalho sem que alguém ouse pôr em causa o nosso perfeito juízo!

 


A exposição de Eduardo Guerra, intitulada O Amor de Alcibíades, inclui um conjunto de fotografias de paisagens santomenses, um par de tigelas moldadas em barro vermelho e a projeção de um filme.

O tema central ocupa-se da relação do filósofo ateniense do séc. V a. C., Sócrates, com o seu discípulo favorito, Alcibíades. Este era um jovem aristocrata famoso pela sua beleza e inteligência, militar e político promissor, que cativou a preferência e intimidade do grande filósofo ateniense, conforme refere Platão. 

 

 

Não nos detivemos muito na visualização do filme, pois ainda era muito complexo para a nossa idade. Porém, sempre ficámos a perceber a essência das relações entre o grande filósofo ateniense e os seus discípulos, bem como o método usado para que o mestre conduzisse, através do diálogo, o discípulo ao conhecimento de si próprio. Gera-se assim, entre ambos, uma relação complementar, sendo interessante adivinhar até que ponto um reproduz o outro, isto é, até onde é que o mestre se revê no discípulo ou este reproduz o exemplo do mestre.

 

 

Eduardo Guerra: «Tigelas»; 2011



Cansados de tanta reflexão filosófica, foi com alívio e muita satisfação que nos encaminhámos para a Praça 8 de Maio, na expetativa de encontrar uma banca de venda de castanhas. Foi assim que, mais uma vez cumprindo uma tradição do nosso Clube nestes dias outonais, «atacámos» a  vendedeira, esquecendo por momentos a exposição do Centro de Artes Visuais.

 



publicado por CP às 11:11
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