Domingo, 21 de Outubro de 2012

(continuação)

 

 

Concluída a visita ao piso térreo do quartel, passámos ao piso superior, tendo o 1º sargento Albuquerque aproveitado, antes de prosseguir com a história do convento, para nos explicar o culto que os militares prestam à bandeira nacional. No patamar intermédio de acesso ao andar superior do claustro, conservam-se ordenadas todas as bandeiras de Portugal, desde a fundação até à atual bandeira adotada com a revolução republicana de 1910. 

 

 

Nas paredes dos corredores estão penduradas algumas armas antigas que serviram de pretexto para alguns apontamentos sobre a história dos armamentos e das táticas de guerra. Quanto à história do convento, o ano de 1810, dois séculos após a fundação, foi marcado pela ocupação do edifício pelos soldados franceses que, logo após o confronto do Buçaco, marchando sobre Coimbra, aqui se instalaram, saqueando todos os prédios onde suspeitavam existir riquezas. Conta-se que as freiras enterraram todos os objetos de valor. Em 1834, Joaquim António de Aguiar, o ministro liberal conhecido por Mata Frades que tem uma estátua no Largo da Portagem, decretou a extinção das ordens religiosas, nacionalizando os seus bens, consentindo no entanto que os conventos permanecessem ocupados pelas religiosas até que falecesse a última das freiras.

 

 

 

No dia 6 de junho de 1885, a irmã Maria José de Carvalho, antiga madre superiora e última freira do Mosteiro de Santa Ana, abandonou o convento, instalando-se na vila de Pereira, nos arredores da cidade, dado que a sua saúde e idade avançada já não lhe permitiam viver só. Chegou ao fim o convento e uma nova era se abria. Alguns dias após, o Ministério dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça declarou suprimido o Mosteiro que ficou abandonado por uns anos até ser adaptado a quartel  do regimento de infantaria 12, já nos primeiros anos do século XX.


 

Desde então, o edifício é um quartel. Neste momento, alberga a Brigada de Intervenção, criada em 2006. Esta unidade militar está vocacionada para, no âmbito da NATO ou da ONU, participar em missões internacionais de paz. Até ao momento, os soldados desta Brigada já participaram em missões na Bósnia-Herzegovina, Kosovo, Timor, Líbano, Iraque e Afeganistão. Claro que as explicações do 1º sargento Albuquerque e as demonstrações sobre o equipamento usado pelos soldados fascinaram os nossos visitantes. 

 

 

 

Na sala contígua, conhecemos a galeria dos diversos comandantes militares desta zona territorial desde o século XIX, bem como tivémos oportunidade de apreciar os muitos troféus e condecorações com que esta unidade militar já foi agraciada. De assinalar igualmente o facto de o Clube do Património ter recebido a sua primeira condecoração oficial, pois o nosso guia fez questão de oferecer um galhardete da unidade ao nosso Clube, que a Dr.ª Fernanda recebeu com satisfação em nome de todos! Obrigado!

 

 

 

Já a caminhar para o fim da visita, passámos pela biblioteca do quartel, onde se destacam obras especializadas em história militar. A título de exemplo, a D. Teresa mostrou-nos  um exemplar  de 1794, do Conde Lippe, um nobre alemão que, no séc. XVIII, foi o responsável pela modernização do exército português. O livro intitula-se Regulamento para o exercicio, e disciplina dos Regimentos de Infantaria dos Exercitos de Sua Magestade Fidelissima, feito por ordem do mesmo senhor por Sua Alteza o Conde reinante de Schaumbourg Lippe, Marechal General. Mas o que nós gostámos mais foram os rebuçados que a D. Teresa nos ofereceu com o pretexto de lembrar as tradições da doçaria conventual que as freiras  elevaram ao ponto de ainda hoje se conservarem muitas receitas.

 

 

 

Antes de nos despedirmos, tivemos ainda oportunidade de prestar homenagem aos soldados mortos das unidades militares que, ao longo dos últimos séculos, aqui têm estado instaladas. Os seus camaradas de armas conservam um pequeno memorial, num dos cantos do quartel, onde assinalam, em lápides de pedra, o respeito devido aos companheiros caídos em combate. Desde a 1ª guerra mundial até à guerra colonial, assim se mantém viva a memória dos que cairam no cumprimento das suas obrigações militares. E foi com esta simbólica referência que nos despedimos dos nossos anfitriões e do antigo convento de Sant'Ana, atual quartel da Brigada de Intervenção. Obrigado a todos e até à próxima!

 

 

 



publicado por CP às 19:47
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