Sexta-feira, 19 de Outubro de 2012

 

 

Hoje visitámos o Quartel General da Brigada de Intervenção, na Rua de Infantaria, junto aos Arcos do Jardim. O objetivo era conhecer a história e o que resta do valioso património do antigo convento de Sant'Ana, bem como aprender algo sobre esta Brigada de Intervenção que atualmente ali está sediada,  a instituição militar e o papel das Forças Armadas na sociedade portuguesa.


 


À chegada, fomos recebidos pela D. Maria Teresa Martins que, juntamente com o 1º sargento Albuquerque, nos guiariam pelas instalações do quartel, dando-nos a conhecer os aspetos relacionados com o passado religioso do edifício, bem como com as suas atuais funções militares.  Ainda no pátio do Quartel General, começámos por nos entusiasmar com as guaritas das sentinelas e com as armas de artilharia que, apesar de já estarem obsoletas, serviram para despertar a nossa curiosidade.


 


A fachada exterior do antigo convento foi profundamente alterada com a reconversão do convento às funções militares. O pórtico lateral ocidental da fachada principal foi, outrora, a porta de acesso à capela de Santa Ana. Hoje, a capela deu lugar ao refeitório.

 

      


Na imagem da esquerda, além de meia cara da Bárbara, podemos ver o estado atual do pórtico que dava acesso à capela e que foi deslocado, como vemos na fotografia da direita, para a fachada da igreja de S. João de Almedina, já desafetada do culto religioso e anexa ao Museu Nacional Machado de Castro.




Já no interior do monumento, nos claustros que atualmente servem de parada aos militares, o 1º sargento Albuquerque explicou-nos a importância que este recinto tem para os militares. É aqui que se assiste à formatura das tropas, onde os oficiais superiores passam revista aos soldados, onde decorrem todas as solenidades, onde são transmitidas as ordens e onde, antigamente, eram sepultados os mortos. O claustro do antigo convento foi pois muito transformado, já que foi afetado a funções completamente diferentes daquelas para que foi concebido. No entanto, ainda é possível admirar a sua grande dimensão e boa parte do seu traçado arquitetónico, bem como a qualidade do trabalho da pedra, visível nos arcos e colunas.


 


Escutámos atentamente as explicações do 1º sargento, após o que nos dirigimos para a cantina, não para tomarmos uma refeição, mas para conhecermos o interior da antiga capela que já tínhamos referenciado do exterior. Na parede principal da cantina, os militares conservam a reprodução ampliada de uma antiga estampa da cidade de Coimbra muito interessante. Trata-se de uma vista dos finais séc. XVIII tirada a partir do antigo convento e atual quartel. O Largo era conhecido com Eira das Patas, junto à cerca de S. Bento (Jardim Botânico). Foi este o sítio escolhido para construir o convento.

 

 

O primitivo convento das eremitas de Santo Agostinho de Santa Ana, conhecido por Celas da Ponte, foi fundado no séc. XII na margem esquerda do Mondego, junto do atual mosteiro de Santa Clara-a-Velha. No entanto, as cheias do rio obrigaram ao abandono e à mudança das freiras para uma quinta situada em São Martinho. As freiras permaneceram aí enquanto decorreram os trabalhos de edificação do novo mosteiro, cuja  primeira pedra foi lançada em 1600. 10 anos após,  as freiras instalam-se no novo edifício. Estava previsto que as irmãs do mosteiro de Santa Maria de Semide partilhassem o novo mosteiro, chegando mesmo a deslocar-se de lá. Porém, a experiência não teve sucesso e, ainda no mesmo ano de 1610, as freiras de Semide regressaram à origem!

 

   

 

Numa das alas do edifício foi inaugurada, em 2008, por D. Januário Torgal, bispo das Forças Armadas, uma nova capela consagrada a Santa Ana, avó de Jesus Cristo e padroeira de todas as avós.

(continua)

 



publicado por CP às 21:43
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