Domingo, 14 de Outubro de 2012

 

 

O Instituto Geofísico da Universidade de Coimbra localiza-se na Avenida Dr. Dias da Silva, no alto de uma colina sobranceira  à cidade de onde se desfrutam umas vistas magníficas. O Instituto, fundado em 1864, começou por se chamar Observatório Meteorológico e Magnético e só em 1925 adotou a atual designação.

 

 

A decisão de criar este observatório foi tomada em 1861 pelo Conselho da Faculdade de Filosofia Natural da Universidade, antecedente da Faculdade de Ciências. Este local, conhecido outrora por Cumeada, foi o escolhido pelo professor Jacinto António de Sousa (181880), depois de excluída a possibilidade da zona da Alta onde, no século XVIII já se tinham lançado, e deixado inconcluídas, umas instalações para um observatório astronómico.


 


Jacinto de Sousa era professor de Física e viajou pelos principais institutos europeus congéneres, tendo equipado o Observatório de Coimbra com todos os instrumentos de observação e medição meteorológica, magnética e sísmica.  Graças a estes aparelhos, em 1864 iniciaram-se as primeiras observações meteorologicas diárias na cidade e, dois anos após, os primeiros registos de magnetismo terrestre. Quanto aos sismogramas, só em 1904 se iniciaram os registos. O Instituto possui séries de dados quase ininterruptas até à atualidade, o que constitui um espólio científico de enorme valor. Finalmente, no ano de 2002 iniciaram-se os registos de qualidade do ar. Para breve, anuncia-se a fusão deste Instituto com o Observatório Astronómico da Universidade, inaugurando-se uma nova etapa na história destas instituições científicas.



 

O objetivo da nossa visita incidiu preferencialmente no Laboratório de Sismologia, onde fomos recebidos pela Drª. Vânia Lima que, muito amavelmente, nos explicou o que era um sismo, quais as suas causas, a história breve dos registos sísmicos, bem como os cuidados a ter quando ocorre um sismo. A grande ambição dos cientistas é conseguir prever a ocorrência de um sismo, minimizando assim os enormes danos causados, principalmente em vidas humanas. Para isso, é muito importante registar em séries longas todas as ocorrências sísmicas, estabelecer relações entre os registos, medir os seus efeitos e, sempre em cooperação com outros cientistas de todo o mundo, aprofundar o conhecimento sobre estes fenómenos naturais. Tudo isto nós escutámos com muita atenção, conforme se comprova pela fotografia:




O sismógrafo foi adquirido em 1891 e  foi o primeiro a funcionar no nosso país, iniciando a gravação continua dos movimentos do solo em 1903, durante o período em que o Observatório foi dirigido pelo professor António dos Santos Viegas. Este primeiro aparelho era um Angot B, fabricado em Paris, e trabalhou até 1915. Em 1904, foi instalado um pêndulo horizontal de Milne que podemos observar na imagem:

 

 

 

O sismógrafo de Milne regista apenas a componente horizontal do movimento do solo  (Este/Oeste) e amplifica o movimento do solo 10 vezes. Este foi o único aparelho em  funcionamento em 1909, quando ocorreu o violento tremor de terra de Benavente. Após este sismo, foi instalada uma rede permanente de observação e registo, com estações em Lisboa, Porto e aqui, em Coimbra, tendo sido adquiridos dois sismógrafos Wiechert. Um dos instrumentos foi instalado em 1914 e gravou o movimento do solo na componente horizontal (Este/Oeste e Norte/Sul) e o outro foi instalado em 1926 e gravou o movimento do  solo na componente vertical. Este dois sismógrafos amplificavam o movimento do solo em 200 e 80 vezes, respetivamente. 

 

Seguidamente, passámos a uma outra sala onde estão instalados os modernos sismógrafos, ainda que já não sejam utilizados, pois em 2007, o Observatório adquiriu um moderníssimo aparelho que nós não pudemos visitar pois é muito sensível e está protegido de qualquer interferência. Além do mais, a agitação dos alunos do Clube é tanta que é bem capaz de provocar sismos de alta intensidade, como ficou provado com o salto que o João Aveiro deu e que foi registado pelos sismógrafos eletrónicos.

 

O João a provocar um terramoto


Aqui se conservam os aparelhos eletrónicos que registam os fenómenos sísmicos e não só, pois a Vanda disse-nos que já sucedeu que explosões em pedreiras dos arredores da cidade fiquem registadas pelas agulhas destes sismógrafos Geotech, adquiridos em 1968, de cor alaranjada e que podemos ver na fotografia. Os aparelhos stão ligados a computadores e a monitores que permitem visualizar o impacto causado e registar a amplitude das ondas num sismograma. Quanto maior for a amplitude da linha desenhada no sismograma, maior foi a magnitude do sismo.


 


A amplitude das ondas no sismograma é proporcional à magnitude do sismo, que é uma medida da energia libertada. Há várias escalas de magnitude, das quais a mais conhecida é a de Richter. 

 

 

A intensidade sísmica é uma medida dos estragos produzidos pelo sismo e mede-se geralmente na escala de Mercalli, que vai de 1 - não sentido - até 12 - destruição totalA intensidade de um sismo diminui à medida que nos afastamos do seu epicentro.



 

Os sismógrafos do Observatório devem ter descansado quando, por fim, nos despedimos da Vânia e regressámos, a pé, à nossa escola, terminando mais uma visita do nosso Clube. Para a semana vamos ao antigo convento de Sant'Ana. Quem sabe onde fica?

 


 



Para a redação deste texto foram usadas informações e transcrições das seguintes páginas eletrónicas:


- J. Narciso (e outros): A História da Sismologia no Instituto Geofísico da Universidade de Coimbra; in http://e-terra.geopor.pt; ISSN 1645-0388; Volume 15 – nº 5; 2010; consultado em: http://metododirecto.pt/CNG2010/index.php/vol/article/viewFile/288/304

http://www1.ci.uc.pt/iguc/benvindo.htm; página oficial do Instituto de Geofísica, consultada em 13 de outubro de 2012.

- O Instituto e a Sismologia em Portugal; texto publicado no blogue oficial da revista O Instituto (http://institutodecoimbra.blogspot.pt/), a 13 de novembro de 2011 e consultada em 13 de outubro de 2012.



publicado por CP às 10:09
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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