Sábado, 21 de Abril de 2012

 

 

O antigo Real Colégio das Artes, onde atualmente funciona o curso de Arquitetura da Universidade de Coimbra, foi edificado pelos jesuítas, tendo permanecido ligado ao Colégio da Companhia de Jesus, no lado oposto da rua, até ao século XVIII, quando os corpos de ligação foram destruídos.

Após a expulsão dos jesuítas, em 1759, o Marquês de Pombal encarregou o engenheiro Guilherme Elsden de elaborar o projeto de adaptação, tal como aconteceu com os restantes prédios que, na Alta coimbrã, foram alvo da reforma pombalina.

 

 

Durante o período do governo do rei absolutista D. Miguel, entre 1832 e 1834, os jesuítas regressaram ao Colégio. No entanto, e após a derrota dos absolutistas e a vitória liberal, foi aqui sediado o Liceu de Coimbra, em 1836, na sequência da reforma do ensino secundário promovida por Passos Manuel.

Em 1853, enquanto os alunos estudavam no piso térreo, no andar superior foi instalado o Hospital Universitário da Conceição, até que em 1870, os professores e alunos foram transferidos para outro local e o colégio foi integrado nos Hospitais da Universidade, conjuntamente com o Colégio de S. Jerónimo. Finalmente, na década de 80 do século passado, com a construção dos modernos edifícios dos HUC em Celas, o Colégio das Artes foi reconvertido às atuais funções.

 

 

 

Da fachada exterior do edifíco já pouco se conserva do original. Porém, o pátio interior exibe ainda as colunatas, ainda que mutiladas, dispondo-se em forma de claustro. As colunas são de ordem toscana, assentando em altos pedestais. Em baixo, conservam-se as salas antigas onde funcionavam as aulas, enquanto o piso superior foi construído nos inícios do século XX. No lado nascente, encontra-se a capela que nós, infelizmente, não pudemos visitar, pois encontrava-se encerrada ao público.

 

 

 

Depois de percorrermos as alas do Colégio, dirigimo-nos a uma dependência num dos cantos do piso inferior, onde estava patente uma exposição de Fernando Calhau, intitulada «O Mapa do Mar», comissariada por Delfim Sardo e Ana Anacleto. Esta mostra assinala 10 anos sobre o falecimento deste importante artista contemporâneo.

 

 

Fernando Calhau nasceu em Lisboa em 1948, tendo concluído os seus estudos na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Prosseguiu a sua formação em Londres, regressando a Portugal em 1974, na sequência da revolução de 25 de abril. Assumiu então responsabilidades políticas na Secretaria de Estado da Cultura. Na década de 90, viria a desempenhar novamente um importante papel enquanto diretor do Instituto de Arte Contemporânea.

 

 

 

Iniciando-se na pintura, Calhau explorou outros géneros artísticos, numa atitude experimentalista e de vanguarda que caracterizou toda a sua produção. Foi assim que se interessou pelo desenho, pela fotografia, pelo filme e pelo video, bem como integrou nos seus trabalhos o aço e o árgon, um gás utilizado no enchimento de lâmpadas que, segundo dizia o artista, transmite uma cor e um brilho que sugerem o luar.

 

  

 

Apreciámos uns Quadros Verdes, pintados entre 1972 e 1975, que testemunham o início da pesquisa de Fernando Calhau, inserindo-se numa linha abstrata e minimalista. A monocromia declara-se já nestas obras, marcando uma evolução, experimental e meticulosa, no sentido dos Quadros Negros, quase monocromáticos, vaporizados por ligeiras nebulosidades que vimos mais adiante na exposição. O quadrado é o módulo básico destes trabalhos de Calhau, dado que este formato representava para si o equilíbrio.

 

 

 

As suas obras mais conhecidas incorporam o aço, que se vai lentamente oxidando como se o tempo participasse no processo criativo, e tomam como base modular o retângulo e já não o quadrado. Secções retangulares de aço associam-se em grupos de 2, 3 ou quatro módulos, articulando-se de forma diversa séries de pendor mais escultórico e sempre interagindo com o espaço arquitetónico.

 

 

 

Os trabalhos mais famosos de Fernando Calhau correspondem ao seu último período criativo, na década de 90 e até à sua morte em 2002, como este Timeless pertencente à coleção da Fundação Calouste Gulbenkian, onde a chapa metálica serve de fundo à palavra inglesa que justifica o título, escrita em lâmpada de árgon.

 

 

De todos os trabalhos que apreciámos, o que causou mais impacto, pelo menos no Dany, foi uma dupla projeção de video e diapositivos na esquina de uma das salas, intitulada Mar III. Ficámos quase hipnotizados com as suaves ondulações de um mar muito azul que produziu em nós poderosas sugestões. Foi com estas imagens que nos despedimos da exposição, justamente intitulada, O Mapa do Mar.

 

 

 

 

Para a redação deste texto, consultei os seguintes livros, além  da folha de sala da exposição: Pedro Dias e António Nogueira Gonçalves: O Património Artístico da Universidade de Coimbra; Coimbra; Gráfica de Coimbra; 2ª edição; 2004; p. 115. Rui Mário Gonçalves: A Arte Portuguesa do Século XX; Lisboa; Temas e Debates; 1998.



publicado por CP às 16:56
UMA VERDADEIRA INSPIRACÃO! PARA QUALQUER ALUNO DE ARTES É DE FACTO INTERESSANTE OLHAR PARA PAREDES COM TELAS VERDES. QUERO DESDE JÁ AGRADECER A INSPIRAÇÃO PARA A MINHA VIDA! SENTI TAMBEM O EFEITO DAS PODEROSAS ONDULAÇÕES NO MEU SER DANI! PARABENS Á CHAPA PELO ÓTIMO TRABALHO,
ATENTAMENTE O VOSSO MAIOR FÂ
O/A VOSSO/A MAIOR FÃ a 13 de Outubro de 2016 às 15:13

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