Sábado, 03 de Março de 2012

 

 

O Museu Botânico da Universidade de Coimbra está instalado nos espaços do antigo colégio de S. Bento, junto aos Arcos do Jardim, estando hoje incluído no Museu da Ciência. Este edifício, que acolhe ainda na outra ala o Museu de Antropologia, começou a ser construído no último quartel do séc. XVI. Com a extinção das ordens religiosas em 1834, aqui passou a funcionar um Liceu masculino e, posteriormente, o Liceu feminino. Existia uma bela igreja, anexa ao antigo colégio religioso, que, no entanto, foi demolida já no séc. XX.

 

 

 

Este museu é o complemento natural do Jardim Botânico. A sua fundação remonta, tal como os outros museus da Universidade, aos tempos da reforma pombalina de 1772. Os estudos científicos levaram à criação de um museu dedicado ao ensino da Botânica, objetivo que se concretizou em 1863. A iniciativa coube aos professores Júlio Henriques e António Vidal. Inicialmente, o Museu não estava aqui instalado, o que só aconteceu em 1911. Nos anos 40 do séc. XX, as instalações foram remodeladas e o museu passou a dispor da enorme sala que hoje abriga as coleções botânicas que nós visitámos.

 

 

 

Fomos recebidos pela Alexandra, uma jovem e simpática estudante de Biologia, que nos guiou pelas diversas secções e mostruários que constituem a atual exposição permanente intitulada «As plantas e nós». O objetivo deste percurso é «despertar nos visitantes o gosto pelas plantas, bem como chamar a atenção para a importância que elas têm na nossa vida.» Assim, ficámos a saber mais sobre as plantas e a biodiversidade, bem como os usos que fazemos das plantas nos mais variados domínios, desde a alimentação e saúde à indústria e atividades transformadoras.

 


 

Começámos por destacar, naturalmente, a importância das plantas na nossa alimentação. A Alexandra lembrou mesmo que a nossa dieta deveria incluir muitos vegetais, o que não agradou lá muito aos nossos sócios. Falámos dos cereais, das leguminosas, dos tubérculos, frutos e outras plantas comestíveis. Lembrámos ainda que muitos dos frutos e vegetais que hoje constituem a base da nossa alimentação quotidiana não eram conhecidos na Europa antes da descoberta das Américas, como é o caso da batata.

 

 

 

Falámos depois das plantas estimulantes como o café ou o chá, bem como as especiarias. Vimos amostras das mais variadas especiarias como o açafrão, a canela, a pimenta ou o cravinho. A Alexandra mostrou-nos uma amostra de cravinho, salientando as suas capacidades desinfetantes.

 

 

 

Debruçámo-nos seguidamente sobre os usos das plantas na atividade transformadora. Desde o linho ao algodão, da madeira, à cortiça e às resinas, são inúmeras as aplicações industriais das matérias-primas fornecidas pelas plantas. A nossa atenção centrou-se na borracha e, principalmente, na cortiça, dado que é um recurso abundante em Portugal. 

 

 

 

Os usos medicinais das plantas são muito antigos. As plantas possuem capacidades curativas para as mais diversas doenças e maleitas que, desde sempre, têm afetado o Homem. São imensas as suas aplicações. A Alexandra falou-nos do ópio, sintetizado a partir da papoila e que tem aplicações medicinais muito diversas, bem como da quinina, utilizada principalmente no combate à malária.

 

 

A coleção integra ainda modelos de plantas de diversas origens, elaborados para fins didáticos e que têm grande valor museológico. Ficámos particularmente fascinados com os modelos das plantas carnívoras, bem como uma pinha que pesava sensivelmente 5 quilogramas!

 

 

 

De entre as peças mais exóticas, a nossa atenção centrou-se na raiz de uma welwitschia mirabilis, uma enorme planta do deserto de Moçâmedes e da Namíbia, no sul de Angola. Vimos ainda uma secção de enorme tronco onde são visíveis os diversos anéis de crescimento de uma árvore com mais de 200 anos de vida. É possível, a partir da análise dos anéis, proceder a estudos de datação e até climatológicos. Esta ciência chama-se a dendrocronologia.

 

 

No entanto, a curiosidade mais interessante foi o rabo que a Alexandra nos mostrou. Bom, quer dizer, a nossa monitora mostrou-nos foi um exemplar do chamado coco-do-mar ou coco das Maldivas. Trata-se do fruto de um coqueiro que cresce nas ilhas do oceano Índico e que aparenta a forma de umas nádegas pelo que é vulgarmente designado coco-das-nadegas. Parece que os marinheiros portugueses se divertiam muito quando encontravam estes cocos a flutuar nas águas oceânicas e Luís de Camões cita mesmo o fruto no canto X d' Os Lusíadas. Despeço-me então com o rabo do coco. Até para a semana!

 

 

 

 



publicado por CP às 08:23
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