Sábado, 17 de Dezembro de 2011

 

Na sexta-feira, aproveitámos o último dia de aulas do 1º período e as vésperas natalícias para dar um passeio pela Baixa. É verdade que a ideia inicial era visitarmos o presépio dos bombeiros sapadores de Coimbra. No entanto, mais uma vez, enganámo-nos no autocarro e fomos ter à Baixa de Coimbra. Ninguém deu por nada, e a professora Conceição improvisou logo um itinerário: conhecer os presépios da Baixa, visitar o comércio tradicional e dar um saltinho ao Panteão de Santa Cruz, onde tirámos esta fotografia, tendo por fundo o túmulo de D. Afonso Henriques. A Joana não aparece na foto porque estava com dores de cabeça. :(

 

Já que um dos objetivos improvisados do passeio era conhecer o comércio tradicional, começámos a visita pelo mercado D. Pedro V. Na primeira metade do séc. XIX, o mercado de Coimbra funcionava no Largo de Sansão, atual Praça 8 de Maio, sendo por isso conhecido como mercado de Sansão. Em 1857, o mercado instalou-se na antiga horta do Mosteiro de Santa Cruz, onde as condições de higiene não eram as melhores.

 

 

No dia 17 de novembro de 1867, foi inaugurado o mercado, homenageando-se a memória do rei D. Pedro V que várias vezes visitara a cidade, durante a sua curta vida. No entanto, só em 1907 foi concluída a cobertura em ferro e em vidro do mercado do peixe. O projeto é da autoria do arquiteto Silva Pinto e é um bom exemplar deste tipo de arquitetura na nossa cidade.

 

 

Percorremos as diversas secções do mercado e saímos em direção ao edifício da Câmara Municipal de Coimbra, junto à igreja de Santa Cruz, para visitarmos o presépio instalado no átrio. Este presépio costumava ser construído no exterior, na Praça 8 de Maio, e é da autoria do mestre escultor Cabral Antunes, autor de várias obras na nossa cidade, com destaque para a estátua do papa João Paulo II. O presépio tem várias décadas e a sua montagem é já uma tradição natalícia de Coimbra.

 

 

Depois de umas castanhas, demos um passeio pelas ruas da Baixa Velha, onde reparámos nas lojas tradicionais. Outrora, nesta altura do ano, o movimento nestas ruas era tão intenso que mal se podia circular! Andava uma multidão atarefada aos encontrões, toda a gente carregada com sacos de compras. Agora, as ruas estão quase desertas, os consumidores preferem os grandes centros comerciais e a crise faz com que as pessoas comprem cada vez menos. No entanto, algumas lojas tradicionais continuam de portas abertas.

 

 

 

 

Andámos às voltas pelas ruelas da Baixa Velha e, chegados à Praça do Comércio, defronte da igreja de S. Tiago, deparámos com uma banca de venda de figuras do Presépio! Foi um entusiasmo! A professora Conceição andava à procura de uns "Reis Magos de joelhos", pois já os tem "a camelo" mas, no dia de Natal, gosta de os "desmontar", colocando-os a adorar o Menino. Infelizmente, não encontrou os Reis Magos em genuflexão (ver no dicionário), embora não faltassem peças por onde escolher:

 

 

Regressámos à rua Visconde da Luz onde verificámos que alguns comerciantes ainda conservam a tradição de enfeitar as montras com presépios. Fotografámos alguns:

 

 

A tradição do presépio de Natal foi introduzida por S. Francisco de Assis, em 1223, na localidade de Greccio, um pouco a norte da cidade de Rieti, em Itália. A adesão popular foi enorme e a tradição foi-se espalhando por todo o mundo católico. Na igreja de Santa Cruz, por onde andou Santo António antes de ingressar na ordem franciscana onde se destacaria, vimos um presépio montado numa das capelas laterais:

 

 

Apreciámos depois uma das mais belas obras de arte existentes no nosso país, o púlpito esculpido pelo grande escultor francês Nicolau Chanterenne, datado de 1521. «É um trabalho de grande minúcia, de um lavor finíssimo», escreve o professor Pedro Dias, da Universidade de Coimbra. Representa os Doutores da Igreja - Stº. Ambrósio, S. Jerónimo, S. Gregório Magno e St.º Agostinho - além dos profetas Isaías e Jeremias e de Abraão, Josué e David. Na parte superior representam-se as forças do Bem, calcando o Mal, na parte inferior.

 

 

Depois, dirigimo-nos ao altar mor, onde estão frente a frente os túmulos de Afonso Henriques e D. Sancho I. A construção deveu-se ao rei D. Manuel I, no séc. XVI, tendo colaborado nos trabalhos um conjunto notável de artistas, entre arquitetos e escultores. Nicolau Chanterenne executou os jacentes (procurar no dicionário), coordenando outros escultores na conceção e nos trabalhos de escultura.

 

 

Saímos depois para a rua, deambulando pela Baixa, observando as montras e a pensar já no Natal e nas férias que acabaram de começar. O Clube do Património deseja a todos os sócios, familiares e amigos umas boas férias, um feliz Natal e um bom ano de 2012! Até para o ano!

 

 



publicado por CP às 14:08
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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