Sábado, 10 de Dezembro de 2011

 

Na sequência da visita à exposição "Cem Anos da Tração Eléctrica em Coimbra - 1911-2011", patente ao público no Edifício Chiado e que visitámos há duas semanas, fomos ontem à antiga remise dos Serviços Municipalizados de Coimbra, na rua da Alegria. A remise era a central de recolha dos carros elétricos, uma espécie de garagem e oficina dos elétricos. Este espaço foi, em 1980, transformado no Museu dos Transportes. Depois de encerrado, foi utilizado como sala para espetáculos teatrais, aguardando agora a reabertura como um núcleo do Museu da Cidade, dedicado aos tempos mais recentes de expansão urbana e tendo como principal atração os carros elétricos.

 

 

Fomos recebidos pela Ágata, uma "velha" amiga do clube que nos guiou no percurso pelos vários carros elétricos. Alguns destes veículos estão ainda em bom estado de conservação, outros aguardam restauro, pois os mais antigos acusam a degradação causada pelo tempo. O mais antigo de todos os veículos aqui presentes é o célebre "americano", que era puxado a mulas. Está muito estragado, mas certamente que um dia, depois de recuperado, será uma das peças mais importantes do futuro museu.

 

 

No dia 9 de janeiro de 1980, os elétricos recolheram pela última vez à remise dos Serviços Municipalizados de Coimbra (SMC, hoje SMTUC) da rua da Alegria. Chegava ao fim um período de 7 décadas ao serviço da cidade de Coimbra pelos velhos carros elétricos e iniciava-se logo o projeto de criação de um núcleo museológico.

 

 

Este veículo foi o primeiro elétrico encomendado pelos SMC e esteve ao serviço até 1972. Apresenta agora a cor original, depois de ter sido restaurado, pois era amarelo como todos os outros. Fazia a linha número 1 até à Universidade (via Museu). Este percurso  era muito sinuoso o que tornava muito perigosa a circulação. Como Coimbra é uma cidade cheia de subidas e descidas, os elétricos tinham que circular com muita cautela, principalmente quando o tempo estava chuvoso e os carris molhados, pois o carro patinava e podia mesmo descarrilar.

 

 

Nestas situações, havia um dispositivo de segurança para as travagens de emergência. Sob um dos bancos, existia uma caixa de areia que se abria quando o mecanismo de emergência era acionado, descargando areia nos carris, assim provocando um atrito que diminuía a marcha do elétrico, forçando-o mesmo a parar.

 

 

Havia linhas que faziam um circuito completo, mas outras faziam o percurso num itinerário que as obrigava, uma vez chegados os elétrcios ao fim da linha, a inverter o sentido. Nestes casos, os guarda-freios, assim se chamavam os condutores, tinham que mudar a vara do eléctrico e passar para o outro lado, levando os retrovisores e virando os bancos dos passageiros.

 

 

A tripulação dos carros elétricos composta pelo cobrador e pelo guarda-freio. O guarda-freio era quem conduzia o carro eléctrico, ligando-o à corrente e dirigindo-o pelos carris, enquanto o cobrador se encarregava de vender os bilhetes e impedir os "penduras". Estes eram normalmente crianças e estudantes que se penduravam no exterior do elétrico, desafiando o perigo, para pouparem o dinheiro do bilhete. Alguns cobradores mostravam alguma tolerância para com estes "penduras". Por razões de segurança, era proibido conversar com o guarda-freio e havia mesmo um letreiro a avisar, para que os passageiros não distraíssem o condutor.

 



publicado por CP às 13:04
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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