Sábado, 19 de Novembro de 2011

 

A 1 de janeiro de 1911, os primeiros carros elétricos percorrem as ruas da nossa cidade pela primeira vez. Para comemorar o centenário, o museu da cidade organizou no edifício do Chiado uma exposição que nós visitámos na passada sexta-feira. A caminho do museu, já na Baixa, os nossos atentos membros do clube descobriram uma placa evocativa na fachada de um prédio, lembrando ter aí nascido o poeta Eugénio de Castro, o patrono da nossa escola, cujo jazigo também já visitámos no cemitério da Conchada:

 

 

Fomos recebidos pela Ágata, uma "velha" conhecida do nosso clube, pois já não é a primeira vez que nos acolhe e orienta as nossas visitas ao edifício do Chiado. Contou-nos que o comboio chegou à cidade em 1864 e a necessidade de transportar os passageiros  da estação para o centro levou à criação do primeiro meio de transporte público urbano. O carro americano era uma carruagem de transporte de passageiros e mercadorias, circulando sobre carris e puxada por muares. Teremos oportunidade de ver um exemplar quando, brevemente, visitarmos o Museu dos Transportes.
Em 1911, acompanhando o progresso tecnológico e o crescimento da cidade, a rede de transportes urbanos conhece então a grande novidade dos carros movidos a eletricidade. Em 1913, a frota de carros elétricos conta já com 7 unidades e chega ao Calhabé, na periferia da  cidade, onde hoje se localiza o Estádio Municipal, já próximo da nossa escola. Ou seja, o carro elétrico acompanha o crescimento de Coimbra e é um importante elemento de modernização ao facilitar os transportes das periferias para o centro.
No período a seguir à primeira guerra mundial, assiste-se a um grande desenvolvimento da cidade de Coimbra que obrigou a nova expansão da rede de transportes elétricos. Abriram-se novas linhas e adquiriram-se oito novos carros elétricos.
As décadas de 40 e 50 marcaram uma enorme revolução urbanística na nossa cidade, em grande parte decorrente das obras de renovação da Alta que obrigaram à construção de novos bairros nos arredores para alojar os habitantes das zonas destuídas para dar lugar à nova cidade universitária. Foi então que se construiram os bairros Marcehal Carmona (atual bairro Norton de Matos), bem como os bairros da Arregaça, Celas e Conchada. Ora, como a cidade se alargou, foi necessário levar os transportes elétricos a essas novas zonas. residenciais O número de carros aumenta de novo, atingindo as 20 unidades.
Os habitantes da margem esquerda, de Santa Clara, reclamam, desde cedo e justamente, o direito de verem a zona servida por transportes elétricos. No entanto, os engenheiros argumentam que a ponte não suporta a instalação de carris. É então que, em 1947, um novo tipo de veículo chega a Coimbra, o trolley. Mais confortável, silencioso e económico, uma vez que não anda sobre carris, tendo rodas pneumáticas, este veículo tornou-se um símbolo de Coimbra, já que foi a primeira cidade portuguesa a contar com este tipo de transportes urbanos.
No entanto, este novo avanço ditará o fim do carro elétrico que, se em 1911 fora uma novidade tecnológica, nos anos 60 e 70 revelar-se-á ultrapassado. É assim a história da ciência e da técnica. As populações queixam-se agora do ruído, as avarias são frequentes, a comodidade dos passageiros não é tão boa como nos trolleys, as manobras com os carros elétricos são mais difíceis, pondo em causa a segurança já que a capacidade de travagem é reduzida e os "penduras", irritando os guarda-freios, arriscam-se em posições muito perigosas. É assim que, em janeiro de 1980, os carros elétricos deixam definitivamente de circular em Coimbra.
Em volta de um motor elétrico

Uma máquina de fazer bilhetes

No final, a Ágata tinha uma surpresa reservada. O senhor António foi-nos explicar como funciona um motor elétrico. Levou um pequeno modelo e ensinou-nos os princípios básicos de funcionamento dos motores a eletricidade:
O senhor António explica os princípios dos campos magnéticos

A Joana e o Dani olham espantados para a geringonça do senhor António

Antes de nos despedirmos, ainda tivémos tempo para um jogo final animado pela Ágata. Lemos um texto e preenchemos uma caderneta de cromos autocolantes sobre a história dos carros elétricos em Coimbra, desde os americanos aos trolleys.
Claro que, cumprindo uma "velha" tradição do clube nesta altura do ano, não podíamos deixar de ir à Praça 8 de Maio comer umas castanhas, quentes e boas. Desta vez não mandámos as cascas para o chão!


publicado por CP às 07:22
Foram bons tempos no clube do património :Dr73
Barbara a 19 de Novembro de 2011 às 20:24

Beijinho Bárbara. Saudades
AS a 20 de Novembro de 2011 às 17:45

Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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