Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2017

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    Hoje, tínhamos agendada uma visita a umas escavações arqueológicas. No entanto, por razões que não controlamos, não foi possível realizar esse passeio. Fica prometido para o 3º período. Como estava um lindo dia de sol, decidimos pôr em prática o nosso plano B  e seguimos para o Parque Verde do Mondego. Além do mais, como estamos nas véspera do Carnaval, foi uma boa oportunidade para nos divertirmos. Ora vejam lá a Constança e a Inês disfarçadas:

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   O Parque Verde do Mondego é um projeto do arquiteto Camilo Cortesão, situado na margem direita do rio, ocupando uma área enorme, de mais de 400 mil metros2. Foi inaugurado em 2004 e foi uma tentativa de recuperar as margens do Mondego, até então desprezadas, convidando as pessoas a frequentarem uma frente ribeirinha preenchida com bares, restaurantes e esplanadas, bem como um parque infantil e extensos relvados, dando continuidade ao Parque Dr. Manuel Braga, mais conhecido como Parque da Cidade.

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   Pouco mais de uma dezena de anos passada sobre a inauguração, é desolador passear por esta zona. O projeto foi um fracasso total! Gastou-se muito dinheiro para nada! As esplanadas estão ao abandono e a destruição tomou conta dos espaços. Tudo porque as infraestruturas foram edificadas no leito de cheia pelo que, regularmente, o Mondego transborda e os prejuízos são enormes. Ao fundo, um conjunto de prédios abandonados contribuem para o ambiente desolador. Tudo se degrada lentamente, mesmo o urso, que em tempos já foi de relva natural, apresenta sinais de deterioração, ainda que aguente pacientemente as brincadeiras dos visitantes.

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   Depois de umas brincadeiras e correrias, prosseguimos o nosso passeio pela beira rio. Claro que a ponte pedonal nos chamou a atenção, apesar de muito grafitada e com muitos dos seus vidros coloridos estilhaçados, é uma obra que marcou a cidade, unindo as duas margens e permitindo longos passeios, bem como vistas agradáveis sobre as margens do rio e a colina da universidade. A ponte foi projetada pelo engenheiro António Adão da Fonseca e pelo arquiteto Cecil Balmond. Tem uma extensão de quase 275 metros, possuindo ao meio uma esécie de uma praceta central que lembra a memória da célebre Ponte do Ó que, no reinado de D. Manuel I, uniu as duas margens do rio.

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   Cheios de sede, por causa das correrias e deste estranho inverno tão solarengo, fizemos uma pausa num bebedouro para matar a sede. 

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   O Pavilhão Centro de Portugal foi projetado pelos arquitetos Souto Moura e Siza Vieira para a Expo 2000, realizada em Hannover, na Alemanha. Depois foi remontado aqui no Parque Verde do Mondego para acolher exposições, concertos e outros eventos culturais. Recentemente, o Pavilhão foi cedido pela Câmara Municipal à Orquestra Clássica do Centro, sendo atualmente a sua sede, aqui realizando os seus ensaios e concertos.

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   Os arquitetos utilizaram para a construção do pavilhão os materiais tradicionais do nosso país: a cortiça, o mármore rosado de Estremoz e os azulejos. No entanto, uma vez que a manutenção do edifício tem sido pouca ou nenhuma, esta obra destes dois arquitetos - os mais famosos arquitetos portugueses, ambos agraciados com o famoso Pémio Pritzker, considerado assim como uma espécie de Prémio Nobel da Arquitetura - está muito mal tratada, apresentando sinais de degradação e desprezo: a cortiça está cheia de manchas , o mármore grafitado, os azulejos caídos, os canteiros por cultivar e o lixo acumulado em todos os recantos!

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   Como a porta estava aberta, entrámos para ver o interior, o espaço de ensaio da Orquestra Clássica do Centro. A sala é ampla e luminosa, mas tudo tem o mesmo ar de desprezo, parece que o tempo parou. Os expositores estão cheios com as mesmas memórias já gastas e repisadas: o fado de Coimbra, as vistas do Mondego, a Torre da Universidade, um painel do pintor Mário Silva e outro de Pedro Olayo, tudo já visto e revisto, com estudantes e tricanas.

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publicado por CP às 17:46
Domingo, 19 de Fevereiro de 2017

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    Esta semana tínhamos agendada uma visita ao Museu Municipal. Porém, por razões imprevistas, tivemos que adiar o passeio e improvisar outro. Como estava um lindo dia de sol, e porque eram poucos os que conheciam o Penedo da Saudade, decidimos rumar a este lindo miradouro da nossa cidade, que até fica relativamente próximo da nossa escola.

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    Este parque foi construído em 1849 e está ligado à cultura e às tradições coimbrãs, pois é aqui, por entre uma bela e diversificada vegetação, que encontramos inúmeras placas comemorativas dos cursos, com versos de fraca qualidade poética, assinalando os aniversários da conclusão das licenciaturas. Na verdade, alguns estudantes instituiram o costume de, anos após a sua passagem por Coimbra, marcarem reencontros na cidade onde passaram a juventude, assinalando essas reuniões com a colocação de lápides neste local. A mais antiga data de 1855, podendo ler-se outras de há dois ou três anos.

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   A Sala dos Cursos e a Sala dos Poetas são os dois espaços mais largos onde se concentram as lápides com os poemas lavrados:

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    O local é tão mitificado que vale a pena transcrever o texto publicado numa obra editada nos anos 40 do século passado, o Guia de Portugal. Trata-se de um roteiro que foi idealizado escrito pelo escritor Raúl Proença que, no entanto, não o conclui por ter falecido precocemente. A obra, que dedicava um volume a cada uma das províncias do país, foi terminada graças à iniciativa de um grupo de escritores amigos, destacando-se Sant'Anna Dionísio que tomou a seu cargo a tarefa da redação. O 3º volume é dedicado à Beira Litoral, destacando-se naturalmente a região de Coimbra e dos seus arredores. Transcrevemos, a acompanhar as fotos captadas durante o nosso passeio, o excerto dedicado ao Penedo:

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   «[Vindo da Rua dos Combatentes] Seguindo para os Olivais, em breve os olhos se perdem e embevecem na contemplação do panorama que se abre do lado sul e do nascente. É a encantadora vista do Penedo da Saudade que principia a desdobrar-se, na sua placidez e amplidão de cenário romântico. Enquanto, ao longe, se desenham os vastos horizontes das montanhas, emerge a dois passos, entre um tufo de arvoredo, a cabeça de António Nobre.» Infelizmente, não tirámos uma fotografia ao busto do poeta, por isso, mostramos uma vista da panorâmica que daí se desfruta.

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   Continuado como o Guia de Portugal: «Em baixo, é uma formosa e vasta concha de olivais. E como o Poeta do Só, quantos adolescentes não penaram, à hora do crepúsculo, as suas indefinidas e surdas ansiedades diante deste cenário! E quantos, nas suas noites de aturdimento (...) não vieram para aqui, no desalinho da sua alegria angustiada, esperar o nascer do sol!»

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   «O flanco do maravilhoso miradouro, excessivamente aformoseado - e irreconhecível mesmo para os que o visitavam há um quarto de século - é cortado de veredas e escadinhas artificiais, ladeadas de sofás de cimento e globos de iluminação, tufos de canas da Índia, numerosas lápides de maus versos e outras inscrições ainda piores, com triviais lembranças de reuniões de cursos.»

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    «Mas, abstraindo de todas essas expressões de menos bom gosto, em que poderemos incluir algumas vivendas invasoras do seu recolhimento, o sítio será sempre grato pela beleza e harmonia dos seus horizontes.»

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publicado por CP às 15:40
Sábado, 11 de Fevereiro de 2017

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   Alexandre Estrela nasceu em Lisboa em 1971. Desde meados da década de 90 que o trabalho deste artista se tem distinguido pelo modo original como sobrepõe diferentes domínios, técnicas e géneros na sua produção: desde estudos sobre o modo como percepcionamos a realidade, até à ficção científica, cinema ou diversas manifestações da cultura popular.

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    O Centro de Artes Visuais (CAV) exibe, até 12 de março, uma exposição de Alexandre Estrela, com a curadoria de Sérgio Mah. Nós fomos lá na sexta-feira, guiados pela Catarina, e recomendamos. O título é Baklite, aglutinação das palavras baquelite e backlight, e reune 7 obras produzidas em 2016. Em comum têm o facto de terem origem em fotografias, sempre manipuladas, por vezes conjugadas com sons e completamente comprometidas com as condições físicas e espaciais, como os materiais em que as imagens são projetadas ou os elementos arquitetónicos.

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    A primeira instalação do percurso intitula-se Self-standing shadow. Trata-se de uma escultura metálica executada a partir de uma sombra projetada de uns óculos 3D. isto é, o artista fez passar um foco de luz através de uns óculos usados para ver filmes em 3 dimensões e depois recortou numa chama metálica essa sombra que assim adquiriu tridimensionalidade, autonomia e durabilidade.

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   Rabidd Tuck é impossível de fotografar, pois é uma projeção video, sem som, de duas imagens em loop contínuo, isto é, alternando rapidamente a fotografia de um coelho e de um pássaro, e daí um nome. As duas formas projetadas em rápida sucessão produzem um efeito hipnótico, criando na mente do observador uma imagem mostruosa, porque híbrida, de um ser que não existe senão na nossa retina e na nossa mente.

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   Lazy Susan é o título da terceira obra da mostra, O título refere-se às bandejas giratórias colocadas nos centros das mesas de jantar, muito comuns por exemplo nos restaurantes chineses. A peça funciona como um motor perpétuo feito a partir de um video em  loop que ativa e ilude o modo como captamos a imagem. O trabalho é composto por uma imagem estática de um tijolo que é projetada sobre uma estrutura de madeira que contém dois relevos circulares. A imagem é animada por dois círculos giratórios sincronizados coms os discos pregados no ecrã.

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    Escondendo-se atrás de uma parede, dois olhos fixam-nos através de uma erva em movimento. O video desta instalação, intitulada Ikebana, que designa uma técnica japonesa de arranjo floral, é composto por uma sucessão de fotografias, produzindo uma ilusão de tridimensionalidade. No ecrã, os olhos coincidem com dois furos feitos na superfície de projeção e que sugerem um espaço através do plano em que a imagem é projetada. Dessa superfície sai um arranjo floral, uma erva semelhante à que é visível no video, mas agora real e tridimensional.

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   Balastro é o nome técnico dos arrancadores de certas lâmpadas elétricas e desta instalação. Um video manipulado pelo artista mostra várias tentativas de arranque de uma lâmpada fluorescente. uma imagem irrompe, desaparece e explode sempre sobre uma mancha permanente pintada na superfície de projecção.

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    Baquelite /Backlight é a peça mais marcante. É uma dupla projeção de video sobre um ecrã que divide dois espaços. Um dos lados recebe e materializa a imagem de uma superfície cortada e desgastada. Do outro lado é projetado um video onde se ouve o som ambiente de um concerto. Ao passar através das ranhuras abertas no ecrã, a luz forma um desenho na parede.

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   Traveling Light mostra um monitor de televisão com uma imagem parada de um espaço interno composto por um aglomerado de materiais. Este interior é intersetado por cabos elétricos de cor que realçam o potencial elétrico do aparelho.

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    Concluído o itinerário, a Catarina ainda nos conduziu ao piso superior do CAV, onde está patente uma segunda exposição. do designer Filipe Alarcão, intitulada A espessura do plano.

 

   Este texto foi redigido com transcrições da folha de sala da exposição, complementadas com informações recolhidas durante a visita orientada por Catarina Portelinha, a quem agradecemos.



publicado por CP às 18:47
Quarta-feira, 01 de Fevereiro de 2017

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  Este relato da nossa visita da passada sexta-feira já vai um bocado tarde, mas ainda a tempo de recomendar os nossos leitores, particularmente os que se interessam pela história e pela memória desaparecida da nossa cidade, a não perderem esta mostra de fotografias patente na Sala da Cidade, o antigo refeitório de Santa Cruz, na rua Olímpio Nicolau Fernandes, até ao dia 27 de fevereiro. Vale a pena!

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   «David de Almeida Carvalho (1911-1991) nasceu em São Julião, Figueira da Foz, mas foi em Coimbra que passou a sua vida, tendo-se estabelecido na Praça do Comércio com atividade de relojoaria e ótica. Cedo revelou grande apetência e curiosidade pela fotografia, tendo acompanhado de perto o trabalho de outros fotógrafos da cidade e integrado o famoso Grupo Câmara

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Máquina fotográfica de David Carvalho

«O seu trabalho como fotógrafo manifesta elevada sensibilidade artística. Procurava estar presente nos principais salões e concursos de fotografia, nacionais e internacionais, tendo sido distinguido com vários prémios.»

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    «A exposição resulta de uma seleção feita a partir dos cerca de dez mil registos fotográficos doados pela família do fotógrafo figueirense ao Município de Coimbra. Trata-se de um legado que documenta as transformações urbanísticas da cidade e do seu quotidiano, onde aparecem registadas algumas figuras carismáticas, quase sempre captadas em momentos de forte espontaneidade e que, seguramente, serão um precioso contributo para a preservação da memória imagética da cidade de Coimbra, nas décadas de 40 a 60 do séc. XX.»

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   A fotografia acima reproduzida mostra precisamente uma das figuras mais típicas de Coimbra. Os nossos leitores mais velhos recordam seguramente esta personagem, o Teixeira, um vendedor de jornais, adotado por várias gerações de estudantes, que deambulava pelas ruas da cidade, cravando sempre um cigarro e ralhando, com a sua voz grossa muito característica, aos que o recusavam.

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Deixamos algumas imagens curiosas, como esta que ilustra a antiga igreja de S. José, já demolida, na década de 50 do séc. XX, podendo ver-se ao lado o atual templo ainda em fase de construção. Em baixo, mostramos outro instantâneo de David Carvalho, onde se pode observar a Escola Secundária Avelar Brotero, também em construção, na zona do Calhabé, bem perto da nossa escola, que, poucas décadas mais tarde, viria a ocupar uns terrenos próximos dos que aparecem no canto superior esquerdo. Reparem ainda no velhinho estádio do Calhabé!

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    São muitas as fotografia, cerca de quatro dezenas. Interessantes são igualmente as que captam edifícios já desaparecidos, como os que foram demolidos na Alta de Coimbra para a construção da cidade universitária. Outras mostram as lavadeiras do Mondego ou as margens do rio alagadas pelas cheias, antes das obras de regularização do leito. Cenas da Queima das Fitas de há 70 anos permitem ainda verificar como evoluiram as tradições académicas. Enfim, é possível encontrar muitas razões para visitar esta exposição. O melhor é ir!

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publicado por CP às 00:41
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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