Sábado, 12 de Março de 2016

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    Esta semana fomos ao mosteiro de Santa Clara-a-Nova visitar o túmulo de Isabel de Aragão, a Rainha Santa, padroeira da nossa cidade. Em anos anteriores, ainda a maioria dos nossos atuais sócios não sonhava sequer andar nestas andanças do património, fizemos várias tentativas para o visitar. No entanto, sempre insucedidas! Ou porque decorria uma qualquer cerimónia religiosa, ou porque era necessária uma autorização especial, ou porque estava a ser restaurado o coro baixo, local onde se encontra colocado o túmulo, a verdade é que só agora o conseguimos visitar e, finalmente, conhecer uma das mais importantes obras da história da arte portuguesa. Estava um bonito dia de sol, o que tornou a subida até ao alto de Santa Clara ainda mais agradável, apesar de cansativa, pois do cimo desfrutam-se umas vistas deslumbrantes.

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    Temos pena de não poder mostrar fotografias tiradas por nós, mas a captura de imagens é proibida e, por isso, as fotografias do túmulo que apresentamos são retiradas da internet e de um livro sobre a história da arte portuguesa. Para conhecer o túmulo é necessário então visitar o mosteiro. Vale a pena, embora seja um bocado caro. O bilhete dá acesso à igreja, ao claustro, a uma exposição de objetos pessoais da rainha e, claro está, ao túmulo. A fotografia que abre este post foi tirada no claustro e dá para ter uma ideia da sua grande dimensão. Os canteiros do jardim estão muito bem cuidados e todos ficámos muito impressionados com a beleza das tulipas. 

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   Começámos a nossa visita pela igreja que, tal como todo o convento, data da segunda metade séc. XVII e foi edificado para acolher as freiras desalojadas pelas sucessivas cheias que tornaram impossível a vida em Santa Clara-a-Velha.  Foi aí que originalmente foi colocado o túmulo da Rainha Santa, sendo depois para aqui trasladado, sendo colocado no coro baixo, separado da nave da igreja por uma grade e por uma cortina. De cada um dos lados deste gradeamento, que lembra a vida de clausura das freiras clarissas, estão dois túmulos. Destaca-se o da Infanta D. Isabel, sua neta morta em criança. Este túmulo foi mandado fazer pela própria Isabel de Aragão e parece uma miniatura do seu, sendo da autoria do mesmo escultor e igualmente proveniente de Santa Clara-a-Velha. Como na igreja as fotografias só se podem tirar sem flash, e as nossas ficaram muito tremidas, apresentamos uma retirada do sítio eletrónico da Direção-Geral do Património Cultural.

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    A igreja é formada por uma só nave, tendo em redor uma série de catorze retábulos de talha dourada. No altar-mor, destaca-se a imagem de Santa Isabel de Aragão, merecedora de culto nos altares, depois de canonizada. Ao fundo e no centro do altar dourado está o túmulo de prata que acolhe na atualidade os restos mortais da rainha que é padroeira da cidade.

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    Depois de admirada e fotografa a igreja, passámos pelo claustro para acedermos ao coro baixo onde pudemos então apreciar o túmulo de pedra. É da autoria de Mestre Pêro e data da década de 30 do séc. XIV. A rainha está esculpida numa estátua jacente, vestida com o hábito das freiras clarissas embora nunca tenha professado. Tem na cabeça a coroa que a distingue como rainha, posta sobre um véu. Toda a cabeceira é protegida por um baldaquino. Repare-se na concha de vieira que tem à cintura, sinal de que peregrinou a Santiago de Compostela. O bordão é outro símbolo dos peregrinos. Na pequena exposição no átrio anexo ao coro está o relicário que serve para guardar o cajado usado pela rainha. No entanto, o bordão foi emprestado para uma exposição que decorre em Lisboa, pelo que não o vimos. A estátua está ladeada por dois anjos que conduzem a alma da falecida e por uns cães que guardam o seu sono.

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   As paredes exteriores da arca tumular são decoradas por uma sucessão de nichos, chamadaos edículas, que acolhem onze freiras da ordem de Santa Clara, representadas em oração. Do outro lado, estão os apóstolos com Cristo ao centro. Na face do túmulo junto aos pés, vemos três santas: Santa Clara, companheira de S. Francisco de Assis e fundadora da ordem das clarissas; Isabel da Hungria, tia de Isabel de Aragão e igualmente venerada como santa e Santa Catarina. No topo da cabeceira está uma cena do Calvário.  Todo o conjunto está pintado, dando ao túmulo um colorido pouco comum.

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   Mestre Pêro foi o mais ilustre escultor que trabalhou em Portugal no séc. XIV. Além destes dois túmulos, é o responsável por um outro na Sé Velha, bem como outros na Sé de Braga e em Oliveira do Hospital, entre outros. Distinguiu-se por ter introduzido esta moda da escultura funerária tumular. Era estrangeiro e veio para o nosso país contratado exatamente pela Rainha Isabel de Aragão com o objetivo de esculpir o seu túmulo. Por isso, ganhou grande fama e aceitação entre a elite portuguesa. Além destes trabalhos, distinguiu-se igualmente pela produção de outras esculturas. Algumas podem ser admiradas na coleção do Museu Machado de Castro, como o Cavaleiro Medieval, justamente proveniente de Oliveira do Hospital, ou a célebre Virgem do Ó. 

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    Saímos depois para o claustro para aproveitar o dia muito agradável e gozar o ambiente muito recatado que aqui se vive. É um claustro de grandes dimensões e um dos mais belos do país, segundo os especialistas. Depois da extinção das ordens religiosas, aqui funcionou um quartel que acabou por ser desativado não há muitos anos. Atualmente, a responsabilidade pela manutenção destes espaços compete à Confraria da Rainha Santa Isabel.



publicado por CP às 21:51
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