Sábado, 30 de Novembro de 2013

 

 

Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) é o único edifício teatral universitário do país. Foi projetado pelos arquitetos Alberto José Pessoa e João Abel Manta. Em 1993, o edifício foi remodelado sob a orientação do arq. André Santos. O TAGV pertence à Universidade de Coimbra e foi inaugurado em 1961. No entanto, não deixa de prestar serviço cultural a toda a comunidade. Aqui se exibem espetáculos de teatro, dança, música e cinema de forma regular e com grande qualidade artística. Os estudantes têm preços especiais, mas todos os espetáculos são abertos ao público em geral. Graças ao TAGV, a cidade de Coimbra dispõe de uma sala capaz de acolher espetáculos de grande qualidade, integrando-se assim nas redes e nos circuitos nacionais e internacionais de exibição.

 

 

Fomos amavelmente recebidos, e conduzidos pela Elisabete que, ainda no foyer do teatro, nos deu as boas-vindas. Foyer é uma palavra francesa que designa o salão de entrada das salas de espetáculos onde os visitantes aguardam o início das sessões e onde se encontram nos intervalos para esticarem as pernas e trocarem algumas palavras. Hoje, nos modernos centros comerciais, as sessões de cinema já não têm intervalo mas, antigamente, essa era uma oportunidade para os amigos se encontrarem e conversarem. O TAGV conserva esta tradição. Aqui não há pipocas e há intervalo!

 

 

Do foyer subimos até ao café-teatro. Este espaço, habitualmente frequentado por estudantes, é uma sala muito espaçosa, agradável e muito bem iluminada, com vistas sobre a Praça da República. Os estudantes aproveitam para se encontrarem e estudarem aqui, pois é um sítio muito convidativo e confortável. Habitualmente, aqui se servem refeições ligeiras e, em ocasiões especiais, servem-se também banquetes. Ainda na passada segunda-feira, aqui jantou o cineasta Manoel de Oliveira que, com 105 anos de idade, veio a Coimbra apresentar o seu filme sobre a vida do Padre António Vieira. «Palavra e Utopia», tal é o nome do filme, foi protagonizado pelo ator brasileiro Lima Duarte que aqui jantou igualmente. Além disso, realizam-se ainda neste local, frequentemente, conferências e palestras sobre assuntos culturais e artísticos, além de se apresentam livros ao público.

 

 

Passámos depois à sala de projeção que é, podemos dizer, o local mágico de qualquer cinema, ainda que na atualidade já pouco seja utilizada, pois a maior parte das exibições são feitas em formato digital, isto é, a partir de DVD. No entanto, nesta sala de acesso restrito, conserva-se ainda a máquina de projeção de 35 mm e, quando necessário, ainda é utilizada, pois encontra-se em perfeitas condições. Ficámos a saber que, antigamente, antes da revolução digital, os filmes eram exibidos em películas de celulóide que passavam diante de uma lâmpada que projetava as imagens no écran da sala. Todo o processo de preparação, projeção e de rebobinar a película, era acompanhado por um projecionista.

 

 

 

 

Do balcão, apercebemo-nos das verdadeiras dimensões da sala. É uma grande sala: no balcão superior, há lugar para 328 pessoas e na plateia cabem 444 espetadores. Talvez os números já não sejam exatamente estes, pois algumas alterações foram feitas. Inicialmente, a capacidade quase que chegava aos mil lugares, mas foram retiradas, na década de 90, algumas filas da 1ª plateia para ganhar mais espaço de circulação. Foram igualmente retiradas outras cadeiras para criar condições aos cidadãos com dificuldades de mobilidade e que vêm ao teatro em cadeiras de rodas. Outras cadeiras da plateia foram ainda retiradas para instalar dispositivos técnicos. Assim, na atualidade, a sala já não tem a lotação inicial, mas é ainda uma grande sala, capaz de acolher condignamente um espetáculo dos Black Mondays!

 

 

Regressados aos pisos inferiores, visitámos uma exposição de fotografia de Arnaldo Carvalho, um fotógrafo amador que apresenta aqui os seus trabalhos, homenageando todos os funcionários que mantêm diariamente o TAGV. Este espaço, como se vê, está também aberto a exposições e a outro tipo de eventos culturais. Daqui passámos aos bastidores e aos camarins.

 

 

 

Nos subterrâneos do teatro, visitámos a sala de aquecimento onde os cantores afinam a voz antes dos espetáculos musicais, ou os bailarinos fazem os aquecimentos preparatórios. Acedemos ainda ao local onde se armazenam todos os materias necessários à preparação dos espetáculos. Aqui trabalham os eletricistas, carpinteiros, aderecistas, figurinistas e todos aqueles que, nos bastidores, trabalham para o sucesso dos espetáculos. Este local é uma grande confusão, com cabos pelo chão, estrados, fios, lâmpadas, caixotes, colunas de som, holofotes, andaimes,...

 

Ainda nos bastidores subterrâneos, visitámos o fosso de orquestra que, habitualmente está coberto por um estrado de madeira mas que serve para alojar os músicos quando os espetáculos exigem acompanamento musical por uma orquestra, como por exemplo numa ópera. Vimos ainda o local onde, outrora, se sentava o ponto. Era um pequeno postigo com abertura para o palco onde se sentava um senhor que ia ditando as deixas e as falas para a cena, evitando que os atores se enganassem e ajudando-os no caso de qualquer eventual esquecimento. Atualmente, já não se utilizam pontos nos espetáculos teatrais, ou é muito raro, pois a tecnologia digital inventou monitores onde vão passando, quando necessário, as falas dos atores.

 

 

Já no palco do TAGV, ficámos a saber o que é um palco à italiana. Há diversos tipos de palco, sendo o mais comum este em que o estrado onde os atores representam está afastado da platéia e colocado num nível superior. É a este tipo que se cama palco à italiana. O do TAGV apresenta ainda uma caraterística pouco comum nos teatros em Portugal, é que dispõe de uma sáida direta para o exterior, o que facilita muito a montagem dos cenários e o transporte e colocação dos instrumentos, dos adereços e de outros objetos necessários aos espetáculos, muito especialmente quando são de grandes dimensões.

 

 



publicado por CP às 11:45
Sábado, 23 de Novembro de 2013

 

Provavelmente, nenhum dos nossos leitores entende o título deste texto, o que é estranho, pois trata-se do nome da nossa cidade em hebraico. Tanto mais estranho é o desconhecimento quanto a presença documentada de judeus em Coimbra remonta ao séc. X, pelo que o normal seria que todos identificássemos o nome da nossa cidade nesta língua tão antiga. Por outras palavras, os judeus não nos deviam ser estranhos, a nós, conimbricenses. Mas são, porque, ao longo dos séculos, os perseguimos, matámos e expulsámos do nosso convívio.

 

 

Claro que este desconhecimento é explicável com o pior dos argumentos: a intolerância! Não a de agora, pois que na atualidade a comunidade judaica já não existe, mas a de outrora, desde o séc. XIV até ao seu desparecimento da vida coimbrã, nos finais do séc. XVIII. É certo que não vamos nós hoje assumir a culpa dos nossos ancestrais. Mas temos um dever de memória, isto é, a obrigação de resgatar das profundezas do esquecimento a importância que a comunidade judaica teve na história da nossa cidade e, desta forma, fazer alguma justiça à memória dos judeus desaparecidos. Há ainda vestígios documentais, urbanísticos e imateriais, que comprovam largamente a antiguidade e importância deste povo em Coimbra.

 

 

Foi esta a tarefa a que nos propusemos: conhecer a Coimbra Judaica. Tal é o título deste texto, acima escrito em hebraico. Para isso, servimo-nos da publicação das atas de um colóquio que, em 2008, o Departamento de Cultura da Câmara Municipal promoveu sob a orientação científica do professor Saul Gomes. Nesse evento, vários académicos proferiram intervenções sobre a presença e a atividade dos judeus em Coimbra e na Península Ibérica. Os participantes nesse encontro científico realizaram um percurso pedonal, visitando os locais mais importantes da cidade onde é possível assinalar a antiga ocupação judaica. Foi esse percurso que retomámos na nossa visita.

 

 

 

Iniciámos o trajeto na rua do Corpo de Deus, pois era aqui que se localizava a Judiaria velha. Este bairro judeu, implantado fora das muralhas, tinha uma sinagoga (nome dado ao templo dos judeus) e um cemitério próprio, na extremidade oriental e completamente desaparecido. A sinagoga ficava onde na atualidade está instalada uma casa de fados e que antigamente era a ermida do Corpo de Deus, de onde provém o célebre retábulo exibido atualmente no Museu Machado de Castro, datado do séc. XV e da autoria do mestre escultor João Afonso. Nos finais do séc. XVII e inícios do seguinte, este templo também foi conhecido como Capela de Nossa Senhora da Vitória.

 

 

 

 

Os judeus viviam em bairros isolados da restante comunidade urbana, com jurisdição própria e sujeitos a obrigações especiais, como por exemplo impostos especiais e o uso de sinais distintivos. Algumas judiarias estavam cercadas por muros altos e portas que, à noite, se fechavam para impedir o contacto com os restantes habitantes. Esta minoria vivia apartada e submetida a regras próprias. Há até um exemplo ilustrativo desta realidade quando, em 1357, o prior da igreja de Santiago entrou na Judiaria a pedir o pagamento de alguns tributos. O rabi (nome dado ao sacerdote judaico), chamado Salomão Catalão, e o procurador Isaac Passacom recusaram o pagamento, argumentando que viviam fora das muralhas, não pertenciam à freguesia da igreja e tinham a aprovação do rei.

 

 

A comunidade judaica era muito diversificada, pois os seus membros dedicavam-se quer aos ofícios mecânicos (sapateiros, ferreiros, alfaiates, tintureiros), quer ao comércio e a atividades financeiras. Muitos judeus eram médicos, advogados e letrados, frequentemente abastados e prestigiados. Mas havia famílias que se dedicavam à agricultura, presumivelmente na encosta de Montarroio, no local onde hoje está situada a Escola Jaime Cortesão. Essa encosta foi em tempos conhecida como Lapa Grande dos Judeus, tendo uma fonte que se designava dos Judeus, no local aproximado onde, em 1986, foi recolocado o atual fontanário.

 

 

Em 1372, no reinado de D. Fernando, os castelhanos atacaram a cidade e o bairro, porque desprotegido no exterior, foi severamente danificado. O rei, sentindo a necessidade de reforçar a muralha, aproveitou para expulsar os judeus deste local, facto que reflete a animosidade crescente que a população cristã sentia nestes tempos contra a minoria israelita, que alguns responsabilizavam pelos tempos difíceis que se viviam, nomeadamente as pestes e as guerras.

 

 

 

Os judeus, talvez não na totalidade, abandonaram este local e transferiram-se para a zona baixa da cidade, no cruzamento da Rua Nova com a Rua Direita. Aqui existiu também uma sinagoga.

 

Este local passou a ser conhecido como a Judiaria Nova (ou Judiaria de Sansão, nome antigo da atual Praça 8 de Maio), por oposição à anterior, da rua Corpo de Deus, que era a Judiaria Velha, havendo ainda uma outra judiaria, da Pedreira, na Alta da cidade, cuja localização não se conhece com exatidão. Na zona dos Olivais, é provável que tenha existido igualmente outro núcleo judaico.

 

 

 

Em 1503, depois de em 1496 ter dado ordem geral de expulsão de todos os judeus do Reino de Portugal, o rei D. Manuel I mandou destruir o cemitério e autorizou a venda de todas as pedras a dois irmãos, provavelmente cristãos-novos. Foi a época das grandes perseguições que culminaram em 1506 com a Matança dos Judeus em Lisboa. Nesse ano, por alturas da Páscoa, de 19 a 21 de abril, milhares de judeus foram chacinados, incluindo mulheres e crianças, acusados de serem responsáveis pela fome e pela peste que assolava o Reino.

 

 

 

Para fugirem destas perseguições, os judeus mais abastados exilaram-se noutros países mais tolerantes, principalmente no norte da Europa e na Holanda. Outros foram obrigados à conversão, mesmo que continuassem a praticar a sua fé às escondidas, sendo muito frequentemente descobertos, acusados, torturados e condenados à morte. Outros ainda, procuraram ambientes menos hostis nas aldeias do interior beirão e alentejano, praticando secretamente a sua fé durante várias gerações. Estes ficaram conhecidos como Marranos.

Muitas crianças judaicas foram retiradas à família e batizadas à força. Estes eram os cristãos-novos, que foram um dos alvos preferidos da Inquisição.

 

 

À custa das perseguições, foram-se apagando as tradições judaicas da memória da cidade. Curiosamente, durante muitos anos, persistiu ainda uma curiosa tradição de origem judaica. A procissão do Corpo de Deus era a mais importante festividade cívica e religiosa do séc. XVI e era costume desfilar pelas ruas da cidade, com a assistência de toda a população que desfilava pelas ruas enfeitadas. Destacavam-se os representantes das confrarias e dos ofícios, com os seus estandartes, as imagens dos seus santos protetores e os membros em trajes de gala. O desfile era aberto  pela chamada "Judenga com sua toura" que era, nada mais, do que uma representação de uma cabeça de uma bezerra posta sobre o corpo de um homem, a toura, forma de ridicularizar a Torah, o livro sagrado dos judeus. Assim os cristãos-velhos celebravam a subjugação da crença israelita à sua fé. Parece que esta tradição se iniciou em Guimarães, difundidndo-se depois por outras regiões, tendo sido praticada em Coimbra.

 

 

 

Com o batismo forçado, muitos judeus adotaram nomes cristãos, apesar de persistirem na prática dos seus rituais, casando uns com os outros e evitando diluir a sua fé e a sua cultura na religião e nos costumes maioritários. Por isso, a Inquisição elegeu-os com um dos seus alvos preferenciais, movendo-lhes uma feroz perseguição, que se prolongou durante século, no que constituiu uma das páginas mais tristes da nossa história.

Visitámos o Pátio da Inquisição onde, em tempos, se sediou o dito Tribunal. Aqui se realizaram muitas execuções, bem como em outros locais da cidade. Os cárceres inquisitoriais aproveitaram as instalações do Colégio das Artes, quando este foi deslocado para a Alta da cidade. Hoje, está aqui instalado o CAV (Centro de Artes Visuais), preservando-se uma das celas, que nós visitámos.

 

 

Conluimos o nosso percurso na Praça do Comércio, também conhecida como Praça Velha, pois foi aqui que se realizaram muitos autos-de-fé, mais exatamente 208, entre 1567 e o dia 2 de outubro de 1762, quando se realizou aqui a última dessas horríveis cerimónias. Ao todo, aqui foram mortas, queimadas vivas na fogueira, mais de quatro centenas de vítimas, a maior parte acusadas de serem cristãos-novos, isto é, judeus obrigados à conversão que eram acusados de persistir na prática da sua fé e dos seus rituais. Foi, sem dúvida, uma das páginas mais tristes e vergonhosas da nossa história, pelo que aqui deixamos, no final da nossa visita, a nossa homenagem a todas essas vítimas injustiçadas.

 



publicado por CP às 09:43
Sábado, 16 de Novembro de 2013

 

Alguém sabia que Coimbra possui a maior algoteca do Mundo? Alguém sabe o que é uma algoteca? Nós sabemos e explicamos: uma algoteca é uma coleção de algas e quem não sabia fica a saber que o Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra possui a maior coleção de microalgas de água doce do Mundo. A algoteca promove visitas guiadas para escolas e para o público em geral e nós, na sexta-feira, fomos lá, pois decidimos dar alguma atenção ao património natural. Agora, damos a conhecer o relato da nossa visita, recomendando a todos que não deixem de visitar este local.

 

 

  

 

Na Algoteca de Coimbra mantém-se a maior coleção de microalgas de água doce a nível mundial - cerca de 4000 estirpes diferentes, constituindo um recurso científico único de biodiversidade.Trata-se de uma matéria-prima cujas potencialidades em áreas tão diversas como saúde e farmacologia, energias alternativas, alimentação saudável ou biorremediação são impossíveis de estimar no presente. Por isso, as microalgas conservam-se para proteger a biodiversidade e para salvaguardar aplicações futuras que vão desde a produção de medicamentos e cosméticos até à produção de combustíveis! Já imaginaram conduzir um automóvel movido a microalgas?


 


Fomos recebidos pela Raquel, que começou por nos explicar o que é uma microalga. É fácil: contrariamente às macroalgas, que se veem a olho nu, as microalgas só se podem observar ao microscópio e são muito bonitas, com formas, cores e padrões muito diversificados, como pudemos observar nas imagens ampliadas no computador. As microalgas crescem em ambientes extremos, desde os climas rigorosos do Ártico até às zonas tropicais, desenvolvem-se em ambientes de água doce ou salgada, crescem nas paredes e em outras superfícies húmidas, e até se alojam nos pelos dos animais. Nós vimos umas fotografias muito curiosas de um urso polar com o pelo completamente esverdeado por causa das microalgas que se alojaram no interior dos pelos.




Depois de prestados estes esclarecimentos e de satisfeitas as muitas dúvidas e perguntas que os nossos curiosos membros sempre suscitam, passámos ao laboratório, onde conhecemos a Dr.ª Lilia Santos, a professora e investigadora responsável pela Algoteca. Aqui, estavam alguns microscópios preparados para observarmos algumas espécies de microalgas, pertencentes aos géneros Volvox, Chlorella, Crysocapsa, Arthrospira, Micrasterias Spirogyra. Hehe, lá nomes esquisitos têm estas microalgas!


  


Após as espreitadelas ao microscópio, entrámos na Algoteca propriamente dita. Ficámos impressionados. São duas salas com controlo de temperatura, humidade e luminosidade, onde se guardam milhares de tubos de ensaio, dispostos em prateleiras metálicas, tudo organizado, catalogado, etiquetado e numerado. Os preparados líquidos dos tubos de ensaio - uns maiores e outros mais pequenos - estão tapados (e não é para as microalgas não fugiram, como alguns disseram), sendo necessário, ciclicamente, renovar esses líquidos.

 

 

Esse trabalho compete a uma investigadora que, diariamente, procede a essa tarefa. Quando completa a manutenção de toda a coleção, e dada a quantidade de espécies aqui conservadas, é outra vez o momento de se empenhar nas primeiras espécies que cuidou!

A esmagadora maioria destas microalgas foram colhidas em Portugal. mas também há algumas espécies recolhidas por investigadores da Universidade de Coimbra em outros territórios, nomeadamente em África. Quando aí se deslocam em missões científicas, aproveitam para colher amostras de água com microalgas.

 

 

 

Depois de recebidas as colheitas, no laboratório, os técnicos encarregam-se de isolar as microalgas, identificá-las, catalogá-las e colocá-las na Algoteca. Para além do interesse científico, a Algoteca vende para as empresas amostras de exemplares para que estas desenvolvam os seus produtos. Quando se recebe um desses pedidos, é necessário reproduzir a microalga desejada a partir da amostra. Para esse efeito, há uma outra sala onde, em tubos de ensaio bem maiores, num preparado oxigenado, se reproduz a espécie desejada, conforme observamos nas imagens que se seguem.

 

 


Nota: para a redação deste texto foram utilizadas informações e transcritos excertos da página do facebook da Algoteca (http://www.facebook.com/AlgotecadeCoimbraACOI/info), bem como do endereço eletrónico gerido pelo Departamento de Ciências da Vida (http://acoi.ci.uc.pt/) 



publicado por CP às 11:09
Sábado, 02 de Novembro de 2013

 

Álvaro Cunhal nasceu no dia 10 de novembro de 1913, em Coimbra. Se fosse vivo estaria quase a completar 100 anos. Para assinalar a efeméride, o Museu Municipal acolheu uma exposição comemorativa promovida pelo Partido Comunista Português que lançou um vasto programa comemorativo que inclui mostras documentais, exposições, um congresso, publicações diversas e uma série de eventos que podem ser consultados na página da internet dedicada ao centenário do nascimento do seu antigo secretário-geral: alvarocunhal.pcp.pt Nós associámo-nos a esta homenagem e decidimos visitar a exposição.

 

 

A família de Álvaro Cunhal era originária de Seia. O pai, Avelino Cunhal, era advogado, liberal e republicano, e a mãe, Mercedes Barreirinhas Cunhal, era muito católica. Álvaro teve dois irmãos mais velhos que faleceram ainda jovens, e uma irmã 14 anos mais nova, Maria Eugénia Cunhal. Nasceu em Coimbra, na freguesia da Sé Nova, numa casa que ainda hoje se pode ver na junção da ladeira das Alpenduradas com a rua do Brasil. No regresso à escola, através do vidro do autocarro, captámos uma fotografia que mostra a casa onde, há exatamente 100 anos, nasceu esta figura incontornável da política portuguesa do séc. XX.

 

 

Depois de ter passado os primeiros anos da infância em Seia, quando tinha 11 anos a família mudou-se para Lisboa. Aí frequentou o Liceu Pedro Nunes e, mais tarde, o Liceu Camões. Concluídos os estudos secundários, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Foi aí que se empenhou na vida política, ainda muito jovem, com cerca de 17 anos, militando no Partido Comunista.  Foi eleito representante dos estudantes no Senado da Universidade. Na figura de baixo, podemos observar os rascunhos da intervenção do jovem estudante numa reunião do Senado.

 

Em 1935 é escolhido para secretário-geral da Federação das Juventudes Comunistas e, no ano seguinte, visita a URSS. Ao longo destes anos, colabora em jornais e revistas como a Seara Nova e o O Diabo, bem como nas publicações clandestinas do PCP, como o Avante e O Militante. A exposição mostra alguns exemplares desses orgãos clandestinos.

 

 

 

Concluiu os estudos em 1940, com notas brilhantes, passando a dedicar todos os seus esforços à militância partidária e à vida política, naqueles tempos marcados pela guerra e pela ditadura do Estado Novo. Foi preso em 1949, permanecendo 11 anos nas cadeias como preso político, sendo 8 desses anos em completo isolamento. Detido inicialmente na Penitenciária de Lisboa, foi transferido para o forte de Peniche, de onde se evadiria em 3 de janeiro de 1960, com um grupo de camaradas, numa fuga recheada de coragem e peripécias. Em baixo, podemos ver uma fotografia dos objetos usados por Cunhal na prisão de Peniche, com a curiosidade de os socos de madeira terem sido fabricados pelo próprio.

 

 

Álvaro Cunhal mostrou nesse período de longo sofrimento, em que foi submetido a torturas e maus tratos, um forte carácter, uma determinação e uma solidez de ideais que lhe permitiram resistir e sobreviver. Durante esses anos da prisão, desenvolveu, além da sua reflexão política, a escrita e o desenho. Como escritor, é autor de vários livros, escrevendo sob o pseudónimo Manuel Tiago, facto que só vei a ser revelado poucos anos antes da sua morte. Destaquem-se obras como «Até Amanhã, Camaradas», «Cinco Dias, Cinco Noites», ou «A Estrela de Seis Pontas». Fez ainda traduções de Shakespeare, bem como escreveu inúmeros textos de reflexão política e ideológica.

 

 

São célebres os seus desenhos da prisão, que o sr. João nos mostrou em cópias editadas pelas «Edições Avante», editora oficial do PCP. Estes desenhos da prisão foram publicados pela primeira vez em 1975. Foram executados entre 1951 e 1959 na Penitenciária de Lisboa e em Peniche. Alguns anos depois foi divulgada uma série de desenhos a carvão. Depois de esgotada esta primeira edição, foi lançada recentemente uma segunda edição que pode ser adquirida por quem o desejar.

 

 

  

 

Para Álvaro Cunhal, a arte tem sempre uma finalidade social, deve ser colocada ao serviço de uma ideologia e de um projeto político a concretizar no futuro. O artista tem a obrigação de levar, nos tempos difíceis, uma mensagem de esperança e otimismo aos trabalhadores e ao povo oprimido e sofredor. São suas as palavras transcritas de um seu trabalho de reflexão sobre a arte e o papel do artista na sociedade: «[o artista tem o direito de partir] à descoberta de novos valores formais (da cor, do volume, da musicalidade, da linguagem) com o propósito de os tornar adequados e capazes de levar à sociedade, ao ser humano em geral, uma mensagem de alegria ou tristeza, de solidariedade ou de protesto, de sofrimento ou de revolta, em qualquer caso, como é de desejar, de otimismo e de confiança no ser humano e no seu futuro.»

 

 

Além dos desenhos, estavam patentes na exposição algumas pinturas a óleo sobre madeira, igualmente datadas dos tempos da prisão. Estes trabalhos fazem parte de uma série a que Cunhal chamou «Projectos» e testemunham a intensa atividade do lider comunista do ponto de vista artístico e cultural, a par da sua vida política e empenho cívico.

 

 

Álvaro Cunhal contou um dia, segundo José Carlos de Vasconcelos, que "uma vez deixaram entrar na cadeia, quando estava preso em Peniche, tintas e uma tábua relativamente grande. Foi então a primeira vez que pintou a óleo - e até pintou a tábua dos dois lados.» Quando fugiu da prisão, a tábua claro que ficou lá e só depois do 25 de abril de 1974 e da recuperação da liberdade, os militares encontraram estas pinturas numa arrecadação e foram levá-las a Álvaro Cunhal, quando era ministro. São essas tábuas pintadas a óleo na prisão que podemos admirar na exposição.

 



publicado por CP às 08:20
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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